CAPÍTULO 20: Da liberdade cristã e da liberdade de consciência

1. A liberdade que Cristo comprou para os crentes, sob o evangelho, consiste em serem eles libertos da culpa do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral [1]; e em serem eles libertos deste presente mundo mau, da escravidão a Satanás e do domínio do pecado [2], do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna [3]; bem como em terem livre acesso a Deus [4], em Lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário [5]. Tudo isso era comum também aos crentes sob a lei [6]. Mas, sob o Novo Testamento, a liberdade dos Cristãos é muito mais ampla, achando-se eles livres do jugo da lei cerimonial, a que estava sujeita a Igreja judaica [7], e tendo maior ousadia no acesso ao trono da graça [8] e mais plenas comunicações do Espírito de Deus do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam [9].

Provas bíblicas:

  • [1] Tito 2:14; 1 Tessalonicenses 1:10; Gálatas 3:13; [2] Gálatas 1:4; Colossenses 1:13; Atos 26:18; Romanos 6:14; [3] Romanos 8:28; Salmo 119:71; 1 Coríntios 15:54-57; Romanos 8:1; [4] Romanos 5:1-2; [5] Romanos 8:14-15; 1 João 4:18; [6] Gálatas 3:9,14; [7] Gálatas 4:1-3, 6-7; Gálatas 5:1; Atos 15:10-11; [8] Hebreus 4:14,16; Hebreus 10:19-22; [9] João 7:38-39; 2 Coríntios 3:13,17-18.

2. Somente Deus é o Senhor da consciência [1], e Ele a deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que, em qualquer coisa, sejam contrários à Sua Palavra, ou que, em matéria de fé ou de culto [2], vão além dela. Portanto, crer nessas doutrinas ou obedecer a tais mandamentos, por motivo de consciência, é trair a verdadeira liberdade de consciência [3]; e requerer para eles fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir tanto a liberdade de consciência quanto a própria razão [4].

Provas bíblicas:

  • [1] Tiago 4:12; Romanos 14:4; [2] Atos 4:19; Atos 5:29; 1 Coríntios 7:23; Mateus 23:8-10; 2 Coríntios 1:24; Mateus 15:9; [3] Colossenses 2:20,22-23; Gálatas 1:10; Gálatas 2:4-5; Gálatas 5:1; [4] Romanos 10:17; Romanos 14:23; Isaías 8:20; Atos 17:11; João 4:22; Oseias 5:11; Apocalipse. 13:12,16-17; Jeremias 8:9.

3. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, praticam qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência, com isso destroem o propósito da liberdade cristã, o qual é que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justiça, diante Dele todos os dias de nossa vida [1].

Provas bíblicas:

  • [1] Gálatas 5:13; 1 Pedro 2:16; 2 Pedro 2:19; João; 8:34; Lucas 1:74-75.

4. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram designados por Deus para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder lícito, civil ou religioso, ou ao exercício dele, resistem à ordenança de Deus [1]. E se eles publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo, concernentes à fé, ao culto ou à conversação; ou ao poder da piedade; ou se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e defendê-las, sejam destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, eles podem legalmente ser chamados a prestar contas disso e serem processados pelas censuras da Igreja [2] e pelo poder do magistrado civil [3].

Provas bíblicas:

  • [1] Mateus 12:25; 1 Pedro 2:13-14,16; Romanos 13:1-8; Hebreus 13:17; [2] Romanos 1:32 com 1 Coríntios 5:1,5,11,13; 2 João 10-11 e 2 Tessalonicenses 3:14 e 1 Timóteo 6:3-5 e Tito 1:10-11,13 e Tito 3:10 com Mateus 18:15-17; 1 Timóteo 1:19-20; Apocalipse 2:2,14-15,20; Apocalipse 3:9; [3] Deuteronômio 13:6-12; Romanos 13:3-4 com 2 João 10-11; Esdras 7:23,25-28; Apocalipse 17:12,16-17; Neemias 13:15,17,21-22,25,30; 2 Reis 23:5, 6, 9, 20, 21; 2 Crônicas 34:33; 2 Crônicas 15:12-13,16; Daniel 3:29; 1 Timóteo 2:2; Is 49:23; Zacarias 13:2-3.

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