Exposição da Confissão de Fé de Westminster: Capítulo 21, Parágrafo 1

Por Robert Shaw.

Confissão de Fé de Westminster: Capítulo 21 – Do culto religioso e do dia de descanso.

1. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo; que é bom e faz o bem a todos; portanto deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força [1]. Mas o modo aceitável de adorar o Deus verdadeiro é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado por Sua própria vontade revelada, que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito na Sagrada Escritura [2].

Provas bíblicas:

  • [1] Romanos 1:20; Atos 17:24; Salmo 119:68; Jeremias 10:7; Salmo 31:23; Salmo 18:3; Romanos 10:12; Salmo 62:8; Josué 24:14; Marcos 12:33;
  • [2] Deuteronômio 12:32; Mateus 15:9; Atos 17:25; Mateus 4:9-10; Deuteronômio 4:15-20; Êxodo 20:4-6; Colossenses 2:23.

Parágrafo 1

O culto religioso consiste naquela homenagem e honra que prestamos a Deus, como um Ser de perfeição infinita, por meio da qual professamos nossa sujeição a ele e nossa confiança nele, como nosso bem supremo e única felicidade. Pode ser considerado sob dois aspectos, interno e externo; o primeiro consiste naquela homenagem interior que devemos a Deus, como amá-lo, crer nele, temê-lo, confiar nele e outros atos próprios da mente; o segundo consiste na expressão exterior dessa homenagem, por meio da observância das ordenanças por ele instituídas.

No que diz respeito ao culto externo a Deus, nossa Confissão afirma, em primeiro lugar, que Deus só pode ser adorado de maneira aceitável conforme o modo que ele mesmo designou. Assim como Deus é o único objeto do culto religioso, também é prerrogativa dele prescrever a forma desse culto. A instituição divina deve, portanto, ser a nossa regra de adoração; e tudo quanto se possa imaginar como útil e apropriado deve ser examinado e determinado por essa regra. Não compete à prudência humana fazer quaisquer alterações ou acréscimos às ordenanças de Deus. “Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Deuteronômio 12:32). Introduzir no culto de Deus aquilo que se julgue serem cerimônias significativas, sob o pretexto de embelezar o culto e estimular a devoção dos adoradores, é incorrer em superstição e culto voluntário.

Em segundo lugar, nossa Confissão condena de modo particular a adoração de Deus “sob qualquer representação visível”. Adorar a Deus em ou por meio de imagens é uma das piores corrupções da Igreja de Roma. Deus é um Ser espiritual, invisível e incompreensível e, portanto, não pode ser representado por qualquer semelhança ou figura corpórea. “A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? Diz o Santo” (Isaías 40:25). “Não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens” (Atos 17:29). Aos israelitas foi expressamente proibido fazer qualquer imagem de Deus. Em Deuteronômio 4:15-16, Moisés insiste que “nenhuma figura vistes no dia em que o Senhor, em Horebe, falou convosco do meio do fogo; para que não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida”. E, por isso, ele os adverte (v. 23) a que tenham cuidado para não se esquecerem do pacto do Senhor seu Deus, fazendo para si imagem de escultura. A Escritura proíbe a adoração de Deus por meio de imagens, ainda que não sejam tidas como representações exatas, mas apenas como símbolos. Toda forma visível destinada a trazer Deus à memória, a estimular a devoção, e diante da qual se prestam atos religiosos, é expressamente proibida no segundo mandamento (Êxodo 20:4). A Igreja de Roma, ciente de que esse preceito condena sua doutrina e prática, faz dele um apêndice do primeiro mandamento e o omite em seus catecismos e livros devocionais.

Em terceiro lugar, nossa Confissão não apenas condena a adoração de Deus por meio de imagens, mas também a adoração “de qualquer outro modo não prescrito na Sagrada Escritura”. A Igreja de Roma não somente corrompeu o culto de Deus com uma multidão de cerimônias sem significado, como também algumas igrejas protestantes ainda retêm muitos usos do papismo e impõem o uso de vestes específicas pelos ministros, a observância de numerosos dias festivos, a construção de altares nas igrejas, o sinal da cruz no batismo, a inclinação ao nome de Jesus e o ajoelhar-se na Ceia do Senhor. Tais práticas são, com razão, consideradas supersticiosas, pois não possuem respaldo bíblico e são invenções humanas. Seria desejável que tanto os que as impõem quanto os que as praticam considerassem as palavras de Deus acerca dos judeus: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (Mateus 15:9).


Fonte

SHAW, Robert. An exposition of the Confession of Faith of the Westminster Assembly of Divines. London: [s.n.], 1850, pp. 212-214.

Disponível em https://archive.org/details/expositionofconf1850shaw/page/212/mode/2up. Acesso em 03 abril 2026. Tradução e edição: Samuel S. Gomes.


Exposição da Confissão de Fé de Westminster: Capítulo 21, Parágrafo 1 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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