Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 55

Tempo de leitura: 6 minutos.

Pergunta 55: O que é proibido no terceiro mandamento?

Resposta: O terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso de qualquer coisa pela qual Deus se faça conhecido [1].

Provas bíblicas:

[1] Levítico 19:12; Mateus 5:33-37; Tiago 5:12.

Comentário.

Na Pergunta 54 do Breve Catecismo, observamos que Deus Se dá a conhecer por meio de: (1) Seus nomes; (2) Seus títulos; (3) Seus atributos; (4) Suas ordenanças; (5) Sua Palavra; (6) Suas obras.

Na pergunta 55, aprendemos que o Terceiro Mandamento proíbe todo uso irreverente e indevido dessas coisas pelas quais Deus Se revela a nós. Por exemplo, o mandamento proíbe:

1. Usar os nomes de Deus como expressões de espanto ou palavrões. Isso não se refere apenas ao uso blasfemo do nome e do título do Senhor Jesus Cristo como palavrão por incrédulos vulgares e profanos, mas também ao uso de expressões como “Ai, meu Deus!”, “Deus sabe o quê!”, “Meu Deus do céu!”, etc.

2. Usar os nomes e títulos do Senhor de maneira vazia, repetitiva e sem sentido, apenas como muletas de linguagem, sem verdadeira reverência.

3. Fazer juramentos ou votos desnecessários ou falsos (Eclesiastes 5:4-5; Salmo 15:4; Levítico 19:12; cf. Confissão de Fé de Westminster, capítulo 22).

4. Usar o nome de Deus para apoiar mentiras ou enganos (cf. Gênesis 27:20; 2 Samuel 15:7; 1 Reis 13:18).

5. Usar o nome de Deus para justificar impulsos carnais ou decisões pessoais sem fundamento bíblico. Se alguém diz “o Senhor me guiou” ou “o Senhor me disse”, deve ser capaz de mostrar capítulo e versículo nas Escrituras.

6. Reclamar das obras da providência de Deus incluindo, por exemplo, murmurações sobre o clima, já que é Deus quem envia a chuva e o sol.

7. Atribuir a Deus coisas absurdas ou contrárias às Escrituras, como no chamado “Avivamento de Toronto”, no qual se atribuiu ao Espírito Santo o fato de pessoas rirem descontroladamente, imitarem sons de animais, ou até transformarem obturações dentárias em ouro durante orações.

8. Dar mau testemunho, de forma que aqueles que professam ser cristãos acabam, por sua conduta, blasfemando o nome de Deus (2 Samuel 12:14; Romanos 2:24).

9. Permanecer em silêncio ao ouvir o nome de Deus blasfemado, sem demonstrar santo zelo ou reprovação (Levítico 5:1).

10. Adorar a Deus com o espírito errado, de maneira hipócrita, formal ou mecânica (Isaías 29:13; Malaquias 1:6–7). Assim, não apenas os pensamentos vagos e dispersos no culto são proibidos, mas também a leitura e o canto sem entendimento constituem uma violação do Terceiro Mandamento.

O Terceiro Mandamento não se limita apenas ao uso verbal do nome de Deus, mas abrange toda e qualquer forma de representar o caráter divino. De acordo com as Escrituras, entendemos que o nome de Deus está ligado à Sua glória, santidade e majestade. Por isso, tratá-Lo com leviandade é atacar a própria santidade de Deus. Esse mandamento revela que a verdadeira religião não é apenas externa, mas também interna: exige reverência interior, temor santo e um coração consciente da presença de Deus. Assim, não basta evitar palavrões ou expressões profanas; é necessário cultivar um coração que teme o Senhor e que leva a sério a Sua presença.

Além disso, esse mandamento nos lembra que Deus não é um acessório para legitimar nossos desejos ou justificar sentimentos subjetivos. A vontade de Deus é revelada nas Escrituras, e não em impulsos pessoais ou experiências místicas autônomas. Quando alguém diz “Deus me disse” sem base bíblica, incorre no pecado de tomar o nome de Deus em vão. Isso é perigoso, pois atribuir a Deus aquilo que Ele não falou é usurpação da autoridade divina. Como ensina Calvino, a verdadeira piedade é inseparável da submissão à Palavra. Tudo o que ultrapassa os limites da Escritura é invenção humana e afronta à soberania de Deus.

O Terceiro Mandamento também confronta a hipocrisia religiosa. Deus não aceita adoração apenas de lábios, mas requer verdade no íntimo (Sl 51:6). A teologia reformada, ao enfatizar a depravação total e a necessidade da graça, nos lembra de que nossas palavras e atos só são agradáveis a Deus quando brotam de um coração regenerado. Cantar hinos, orar ou participar do culto de forma mecânica, sem fé e entendimento, é violar esse mandamento. O culto verdadeiro é prestado “em espírito e em verdade” (Jo 4:24), e isso implica mente instruída pela Palavra, coração reverente e vida coerente com a fé professada.

Conclusão.

O Terceiro Mandamento é um chamado à reverência, sinceridade e santidade diante de Deus. Ele nos convoca a honrar o nome do Senhor não apenas com os lábios, mas com toda a nossa vida, reconhecendo que fomos criados para glorificá-Lo e desfrutar d’Ele para sempre. A teologia reformada nos lembra que somente pela graça de Cristo podemos obedecer a esse mandamento de forma verdadeira, pois é o Espírito Santo quem escreve a Lei no coração e nos capacita a viver para a glória de Deus. Que, portanto, nossas palavras, atitudes, culto e testemunho sejam marcados por temor santo, fidelidade bíblica e amor ao nome do Senhor.

Perguntas.

1. De que maneiras Deus Se revela a nós, segundo o Breve Catecismo, e por que o uso irreverente dessas formas constitui uma violação do Terceiro Mandamento?

2. Você identifica, em sua vida diária, expressões, hábitos de linguagem ou atitudes que tratam o nome de Deus com trivialidade ou sem reverência? Como pode corrigi-los?

3. Por que é perigoso usar expressões como “Deus me disse” ou “Deus me mostrou” sem respaldo bíblico? Qual a relação disso com a autoridade das Escrituras na teologia reformada?

4. De que forma a murmuração contra a providência divina, como reclamar do clima ou das circunstâncias, representa uma quebra do Terceiro Mandamento? O que isso revela sobre o nosso coração?

5. Como o Terceiro Mandamento denuncia a hipocrisia religiosa e a adoração mecânica? De que forma podemos cultivar um culto “em espírito e em verdade”?

6. Segundo o texto, por que somente pela graça de Cristo e pela obra do Espírito Santo podemos honrar verdadeiramente o nome de Deus? Como essa verdade fortalece nossa vida de santidade e reverência?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 55 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em novembro de 2025. Publicado originalmente em 19 de junho de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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