Capítulo 22: Dos juramentos legais e dos votos

1. Um juramento legal é uma parte do culto religioso [1] pelo qual, em ocasiões necessárias, a pessoa solenemente jura, invocando a Deus como testemunha do que assevera ou promete, e para julgá-la segundo a verdade ou falsidade do que ela jura [2].

Provas bíblicas:

  • [1] Deuteronômio 10:20; [2] Êxodo 20:7; Levítico 19:12; 2 Coríntios 1:23; 2 Crônicas 6:22-23.

2. O nome de Deus é o único pelo qual se deve jurar e deve ser usado com todo santo temor e reverência [1]. Portanto, jurar falsa ou precipitadamente por este glorioso e tremendo nome, ou jurar por qualquer outra coisa, é pecaminoso e abominável [2]. Contudo, em assuntos de gravidade e importância, o juramento é autorizado pela Palavra de Deus, tanto sob o Novo Testamento como sob o Velho [3]; portanto, o juramento legal, sendo exigido por autoridade legal, deve ser feito com referência a tais assuntos [4].

Provas bíblicas:

  • [1] Deuteronômio 6:13; [2] Êxodo 20:7; Jeremias 5:7; Mateus 5:34,37; Tiago 5:12; [3] Hebreus 6:16; 2 Coríntios 1:23; Isaías 65:16; [4] 1 Reis 8:31; Neemias 13:25; Esdras 10:5.

3. Todo aquele que fizer um juramento deve considerar detidamente a gravidade de um ato tão solene, e não deve afirmar nada exceto aquilo de que esteja plenamente persuadido ser a verdade [1]. Nem deve alguém obrigar-se, por juramento, a qualquer coisa senão àquilo que é bom e justo e que ele acredita ser assim, e por aquilo que pode e está resolvido a cumprir [2]. No entanto, é pecado recusar prestar juramento concernente a qualquer coisa boa e justa, que seja exigido pela autoridade legal [3].

Provas bíblicas:

  • [1] Êxodo 20:7; Jeremias 4:2; [2] Gênesis 24:2-3,5-6,8-9; [3] Números 5:19,21; Neemias 5:12; Êxodo 22:7-11.

4. O juramento deve ser feito conforme o sentido claro e comum das palavras, sem equívoco ou reserva mental [1]. Não pode obrigar a pecar; mas, sendo feito com referência a qualquer coisa não pecaminosa, ele obriga ao cumprimento, mesmo com prejuízo de quem jura [2]. Nem deve ser violado, ainda que feito a hereges ou infiéis [3].

Provas bíblicas:

  • [1] Jeremias 4:2; Salmo 24:4; [2] 1 Samuel 25:22,32-34; Salmo 15:4; [3] Ezequiel 17:16,18-19; Josué 9:18-19 com 2 Samuel 21:1.

5. O voto é da mesma natureza que o juramento promissório, e deve ser feito com o mesmo cuidado religioso, e cumprido com a mesma fidelidade [1].

Provas bíblicas:

  • [1] Isaías 19:21; Eclesiastes 5:4-6; Salmo 61:8; Salmo 66:13-14.

6. O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas somente a Deus [1]; e para que seja aceitável, deve ser feito voluntariamente, com fé e consciência de dever, por gratidão pela misericórdia recebida ou para obtenção do que desejamos. Pelo voto nos obrigamos mais estritamente aos deveres necessários ou a outras coisas, até onde e quando elas conduzirem apropriadamente a esses deveres [2].

Provas bíblicas:

  • [1] Salmo 76:11; Jeremias 44:25-26; [2] Deuteronômio 23:21-23; Salmo 50:14; Gênesis 28:20-22; 1 Samuel 1:11; Salmo 66:13-14; Salmo 132:2-5.

7. Ninguém pode prometer fazer alguma coisa que seja proibida pela Palavra de Deus, ou que impeça o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem aquilo que não está em seu próprio poder cumprir, e para cuja execução não tenha promessa e nem capacidade de Deus [1]. Por isso, os votos monásticos, que os papistas fazem, de celibato perpétuo, pobreza voluntária e obediência regular, em vez de serem graus de perfeição superior, não passam de laços supersticiosos e pecaminosos, nos quais nenhum cristão deve enredar-se [2].

Provas bíblicas:

  • [1] Atos 23:12,14; Marcos 6:26; Números 30:5,8,12-13; [2] Mateus 19:11-12; 1 Coríntios 7:2,9; Efésios 4:28; 1 Pedro 4:2; 1 Coríntios 7:23.

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