A AUTORIDADE DA BÍBLIA

“Acreditamos que a Bíblia é um livro sobrenatural, a revelação escrita de Deus para o seu povo concedida por intermédio de porta-vozes preparados e escolhidos pelo processo de inspiração”.1

INTRODUÇÃO.

Estamos iniciando uma série de estudos em que vamos explorar os atributos das Sagradas Escrituras. Este é o primeiro, e vamos abordar o tema da autoridade da Bíblia.

O primeiro atributo essencial da Bíblia, que todo cristão precisa compreender, é a sua autoridade, fundamentada no fato de ser a palavra de Deus.

1. A BÍBLIA É INSPIRADA.

Deus deu a Escritura à sua Igreja para “melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo”.2 A Bíblia é o meio pelo qual Deus revela à sua Igreja a sua vontade, “tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” (Is 8.20; 1Tm 3.15; 2Pe 1.19).3

A Bíblia é mais do que um livro de informações espirituais relevantes. Ela é a própria Palavra de Deus (Hb 4.12). Isso significa que Deus pronunciou as palavras escritas na Bíblia. “Deus”, somos informados, “falou há muito tempo aos pais, pelos profetas” (Hb 1.1). Que verdade incrível! Os “escritos sagrados” (2Timóteo 3.15) expõem o ensino do Deus onisciente!

Em 2Tm 3.16, Paulo afirma que “Toda a Escritura é inspirada por Deus”. Essa expressão, derivada da palavra grega theopneustos (theo – significando “Deus” e pneustos significando “soprado”), enfatiza que Deus é o autor supremo da Bíblia. Embora tenha utilizado escritores humanos, cada um contribuindo com sua personalidade única, Deus os guiou sobrenaturalmente, resultando na própria palavra de Deus. Conforme 2Pe 1.21 destaca, “homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Isso é conhecido como inspiração das Escrituras. A Bíblia não é meramente um registro das reflexões humanas sobre Deus; é a própria declaração divina.

O Rev. Hermisten Maia oferece a seguinte definição para o termo “inspiração”:

  • Podemos conceituar a inspiração como a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os homens, escolhidos por Ele mesmo, a fim de registrarem de maneira inerrante e suficiente toda a vontade divina, constituindo esse registro na única fonte e norma para todo o conhecimento cristão.4

Nessa perspectiva, acreditamos que a inspiração da Escritura foi plenária, dinâmica, verbal e sobrenatural: Plenária, pois toda a Escritura é completamente inspirada; dinâmica, porque Deus não anulou a personalidade dos escritores; verbal, visto que Deus se revelou por meio de palavras, sendo todas as palavras dos autógrafos originais consideradas Palavra de Deus;5 sobrenatural, por ter se originado em Deus e por produzir efeitos sobrenaturais através da ação do Espírito Santo em todos aqueles que creem em Cristo.6

Ou seja, por “inspiração” queremos dizer “a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os homens separados por ele mesmo, a fim de registrarem de modo inerrante e suficiente toda a vontade de Deus, constituindo esse registro na única fonte e norma de todo o conhecimento cristão”.7 Charles Hodge define inspiração como sendo “Uma influência do Espírito Santo nas mentes de certos homens, que os tornou os órgãos de Deus para a comunicação infalível de sua mente e vontade. Eles eram em tal sentido os órgãos de Deus, que o que eles diziam, Deus dizia”.8

A doutrina da inspiração da Escritura é essencial para a fé cristã, sendo por meio dela que reconhecemos que Deus nos fala por meio da Bíblia, que é a Sua Palavra. Vale ressaltar que a expressão “Palavra de Deus” se refere ao que Deus comunicou. Por ser divinamente inspirada, a Escritura é e continuará sendo a Palavra de Deus para todas as gerações, tornando-se a regra infalível de fé e prática para a humanidade.9

2. A BÍBLIA É INERRANTE.

Se a Bíblia é a palavra de Deus, isso implica que tudo o que ela afirma é verdadeiro. Por quê? Porque Deus é intrinsecamente verdadeiro – a verdade é um dos seus atributos. Deus “não pode mentir” (Tt 1.2); isso é “impossível” para ele (Hb 6.18). Isso define a infalibilidade: a incapacidade de errar. Dado que Deus é infalível, a Bíblia é também infalível; Deus nunca engana, nem Sua palavra escrita. Daí surge o conceito de inerrância. Ser inerrante significa que a Bíblia não comete erros; ela só proclama a verdade. Por quê? Por ser infalível. Por quê? Por ser a palavra de Deus, que não pode mentir.

A inerrância das Escrituras é um princípio fundamental para os cristãos, indicando que a Bíblia contém todos os seus ensinamentos sem erros. Isso abrange desde aspectos históricos e científicos até o ensino moral e religioso, e se estende às próprias palavras empregadas – o conceito conhecido como “inspiração verbal”.

3. A BÍBLIA É NOSSA ÚNICA REGRA DE FÉ E PRÁTICA.

Se a Bíblia é a palavra de Deus, isso implica que as pessoas devem acreditar em tudo o que ela diz e obedecer a todas as suas ordenanças. Essa é a razão pela qual afirmamos que a Bíblia é “a regra de fé e prática” (Confissão de Fé de Westminster 1.2).10 Sabemos que devemos “glorificar e alegrar-nos nele” (Breve Catecismo de Westminster 01).11 Mas como? Aprendemos isso na Bíblia, “a única regra para nos orientar na maneira de o glorificar e de nos alegrarmos nele” (Breve Catecismo Westminster 02), ensinando-nos “o que o homem deve crer acerca de Deus, e o dever que Deus requer do homem” (Breve Catecismo de Westminster 03).12

CONCLUSÃO.

O profeta Amós sentiu profundamente a terrível responsabilidade de comunicar a palavra de Deus. “Rugiu o leão; quem não temerá? Falou o Senhor Deus; quem não profetizará?” (Am 3.8). Ao ler a Bíblia, Deus está falando diretamente a você, revelando a verdade sobre ele mesmo, sobre você e sobre o mundo, convocando-o à fé e à obediência leal. Como você trata a sua Bíblia? Sua vida reflete a autoridade que ela exerce? O leão rugiu. O Senhor Deus falou. Qual será a sua resposta?

A Bíblia é a própria Palavra de Deus – inspirada, infalível e inerrante. No entanto, essa não é apenas uma ideia abstrata para os teólogos ajustarem; ela é a base fundamental para o nosso uso da Bíblia. Quando Paulo lembrou a Timóteo que a Bíblia é inspirada por Deus, imediatamente acrescentou que ela é “proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, educar na justiça; para que o homem de Deus seja apto e equipado para todo o bom trabalho” (2Tm 3.16-17).

Dessa forma, acolhamos a Bíblia com reverência, sinceridade e alegria, considerando-a a mensagem inspirada de Deus para nós no presente. Vamos ler, estudar, acreditar e seguir. Quanto mais nos aprofundarmos na Bíblia, com corações e mentes abertos, mais ela transformará nosso pensamento e nossas vidas em conformidade com Cristo.

PERGUNTAS PARA REVISÃO DO CONTEÚDO.

1. Qual é o propósito da série de estudos mencionada no texto?

2. De acordo com o texto, qual é o primeiro atributo essencial da Bíblia que todo cristão deve compreender?

3. Qual passagem bíblica é citada para fundamentar a autoridade da Bíblia?

4. O que significa a expressão grega “theopneustos” e como ela enfatiza a autoria da Bíblia?

5. Segundo a definição do Rev. Hermisten Maia, como ele conceitua a inspiração da Escritura?

6. Quais são os quatro aspectos apresentados no texto que caracterizam a inspiração da Escritura?

7. Explique o que significa dizer que a Bíblia é inerrante e por que esse conceito é destacado no texto.

8. De acordo com a Confissão de Fé de Westminster, por que a Bíblia é considerada “a regra de fé e prática”?

9. Qual é a importância da doutrina da inspiração da Escritura para a fé cristã, conforme expresso no texto?

10. Como o profeta Amós é mencionado no texto e qual é a sua mensagem em relação à palavra de Deus?

11. O que significa a expressão “Palavra de Deus” no contexto do texto?

12. Explique a relação entre a inspiração, inerrância e infalibilidade da Bíblia, conforme apresentado no texto.

13. Como o texto destaca a responsabilidade do cristão em relação à Bíblia?

14. Qual é a mensagem final do texto em relação à autoridade da Bíblia na vida do leitor?

15. Como o texto incentiva o tratamento da Bíblia e qual é o desafio proposto ao leitor?


NOTAS.

1KLEIN, William W.; HUBBARD JR, Robert L.; BLOMBERG, Craig L., Introdução à interpretação bíblica. 1ª ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017, p. 260.

2Assembleia de Westminster, A Confissão de Fé de Westminster. 17ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 15. (Doravante CFW).

3Assembleia de Westminster, loc. cit.

4COSTA, Hermisten Maria Pereira da, A inspiração e inerrância das escrituras. São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 66.

5Os autógrafos são aqueles textos (manuscritos) que foram escritos pelos próprios escritores dos textos bíblicos.

6COSTA, op. cit., p. 67, 69.

7Ibidem, p. 66.

8HODGE, Charles. Systematic theology. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997, p. 154.

9BERKHOF, Louis, Manual de doutrina cristã. São paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 35.

10Assembleia de Westminster, 2001, p. 30.

11Assembleia de Westminster, O Breve Catecismo de Westminster. 5ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 7

12Ibidem, pp. 8-10.


BIBLIOGRAFIA.

Assembleia de Westminster, A Confissão de Fé de Westminster. 17ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.

_____,O Breve Catecismo de Westminster. 5ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.

BERKHOF, Louis, Manual de doutrina cristã. São paulo: Cultura Cristã, 2012.

COSTA, Hermisten Maria Pereira da, A inspiração e inerrância das escrituras. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

HODGE, Charles. Systematic theology. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997, In: Logos Bible Software.

KLEIN, William W.; HUBBARD JR, Robert L.; BLOMBERG, Craig L., Introdução à interpretação bíblica. 1ª ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.


A autoridade da Bíblia © 2024 by Ministério Entendes o que Lês? is licensed under CC BY-NC-ND 4.0 

Pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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