1. Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em Sua santa Palavra (Mq 6:8; Rm 12:2; Hb 13:21), e não as que, sem a autorização dela, são inventadas pelos homens movidos por um zelo cego ou por qualquer pretensão de boa intenção (Mt 15:9; Is 29:13; 1Pe 1:18; Rm 10:2; Jo 16:2; 1Sm 15:21-23).
2. Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e evidências de uma fé viva e verdadeira (Tg 2:18,22); e por elas os crentes manifestam sua gratidão (Sl 116:12-13; 1Pe 2:9), fortalecem sua confiança (1Jo 2:3,5; 2Pe 1:5-10), edificam seus irmãos (2Co 9:2; Mt 5:16), adornam a profissão do evangelho (Tt 2:5,9-12; 1Tm 6:1), tapam a boca dos adversários (1Pe 2:15) e glorificam a Deus (1Pe 2:12; Fp 1:11; Jo 15:8), de quem são feitura, criados em Jesus Cristo para isso mesmo (Ef 2:10), a fim de que, tendo o seu fruto para a santidade, tenham no fim a vida eterna (Rm 6:22).
3. A capacidade de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios crentes, mas provém inteiramente do Espírito de Cristo (Jo 15:4-5; Ez 36:26-27). E para que possam ser habilitados para isso, é necessária que haja, além das graças que já receberam, uma influência real do mesmo Espírito Santo operando neles o querer e o realizar segundo o Seu beneplácito (Fp 2:13; Fp 4:13; 2Co 3:5); contudo, eles não devem, por isso, tornar-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito; mas devem ser diligentes em estimular a graça de Deus que está neles (Fp 2:12; Hb 6:11-12; 2Pe 1:3,5,10-11; Is 64:7; 2Tm1:6; At 26:6-7; Jd 20-21).
4. Aqueles que alcançam, pela sua obediência, a maior perfeição possível nesta vida, estão longe de exceder e fazer mais do que Deus requer, e não são capazes de cumprir com os muitos deveres que são obrigados a fazer (Lc 17:10; Ne 13:22; Jó 9:2-3; Gl 5:17).
5. Não podemos, por nossas melhores obras, merecer da mão de Deus o perdão de pecado, ou a vida eterna, porque é grande a desproporção que há entre elas e a glória por vir, e infinita a distância que há entre nós e Deus, a quem não podemos ser úteis, por meio delas, nem satisfazer pela dívida dos nossos pecados anteriores (Rm 3:20; Rm 4:2,4,6; Ef 2:8-9; Tt 3:5-7; Rm 8:18; Sl 16:2; Jó 22:2-3; Jó 35:7-8); mas quando tivermos feito tudo o que pudermos, nós teremos cumprido apenas o nosso dever e seremos servos inúteis (Lc 17:10); e porque, sendo boas, elas procedem do Espírito (Gl 5:22-23); e, como são realizadas por nós, são impuras e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do juízo de Deus (Is 64:6; Gl 5:17; Rm 7:15,18; Sl 143:2; Sl 130:3).
6. No entanto, sendo as pessoas dos crentes aceitas por meio de Cristo, as suas boas obras também são aceitas nEle (Ef 1:6; 1Pe 2:5; Ex 28:38; Gn 4:4 com Hb 11:4); não como se fossem, nesta vida, inteiramente puras e irrepreensíveis à vista de Deus (Jó 9:20; Sl 143:2); mas, porque Ele, vendo- as através de Seu Filho, se agrada em aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora seja acompanhado de muitas fraquezas e imperfeições (Hb 13:20-21; 2Co 8:12; Hb 6:10; Mt 25:21,23).
7. As obras feitas pelos não regenerados, embora sejam, quanto à matéria, coisas que Deus ordena e úteis tanto a eles mesmos como a outros (2Rs 10:30-31; 1Rs 21:27,29; Fp 1:15-16,18), contudo, porque não procedem de um coração purificado pela fé (Gn 4:5 com Hb 11:4; Hb 11:6), não são feitas de uma maneira correta, segundo a Palavra (1Co 13:3; Is 1:12), nem para um propósito correto, que é a glória de Deus (Mt 6:2,5,16), elas são, portanto, pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem preparar o homem para receber a graça de Deus (Ag 2:14; Tt 1:15; Am 5:21-22; Os 1:4; Rm 9:16; Tt 3:5). E não obstante, negligenciá-las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus (Sl 14:4; Sl 36:3; Jó 21:14-15; Mt 25:41-43,45; Mt 23:23).

