Pergunta 57: Qual é o quarto mandamento?
Resposta: O quarto mandamento é: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou” [1].
PROVAS BÍBLICAS.
[1] Êxodo 20:8-11; Deuteronômio 5:12-15.
Comentário.
O Primeiro Mandamento trata do objeto da adoração. O Segundo Mandamento trata do modo ou da forma da adoração. O Terceiro Mandamento trata do espírito ou da atitude com que adoramos. Já o Quarto Mandamento trata do tempo da adoração.
Ele nos ensina que há um dia especialmente designado como pertencente a Deus, enquanto os demais dias podem, de certo modo, ser considerados como pertencentes ao homem. Assim, quando o mandamento diz: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”, isso não significa que somos obrigados a trabalhar durante todos os seis dias, nem que é pecado não realizar nenhum trabalho nesses dias, ou que aqueles que possuem uma semana de trabalho de cinco dias estejam pecando contra Deus.
O que o texto significa é que esses seis dias nos são dados para administrarmos conforme nossa própria prudência. Isso pode incluir o trabalho de nossa vocação habitual, as tarefas necessárias para manter o lar, lavar nossas roupas, recreação e entretenimento. Naturalmente, como cristãos, também desejamos dedicar parte desses dias à devoção pessoal, ao culto familiar e até a atividades cristãs coletivas. Não há nenhum erro nisso, pois nos é permitido decidir o que fazer com esses seis dias. Ao mesmo tempo, não é necessariamente pecado, por exemplo, deixar de fazer a devoção matinal. Como cristãos, devemos desejar adorar a Deus diariamente e com regularidade, tanto em particular quanto com nossa família. Se você é pai, pode pecar ao falhar em seu dever de liderar sua família na adoração a Deus. Porém, não devemos pensar que é pecado, por exemplo, perder a devoção matinal antes de ir ao trabalho. Pensar dessa forma é pensar legalisticamente.
Por outro lado, quando o mandamento declara: “o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra”, isso não significa que, no sábado, não devemos fazer absolutamente nada. Não. O ponto central é que o dia pertence a Deus. Nele, devemos fazer somente aquilo que Deus ordena ou permite. Por isso, o profeta Isaías declara:
- “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58.13-14).
Em outras palavras, o sábado não é um dia no qual decidimos o que queremos fazer. Nossas atividades devem ser reguladas pelo fato de que o dia pertence a Deus. Por esse motivo, somente atos de piedade, necessidade e misericórdia são permitidos nesse dia.
Além disso, o Quarto Mandamento nos recorda que o descanso sabático não é apenas uma suspensão de atividades comuns, mas uma consagração ordenada por Deus para o nosso bem espiritual. É um tempo no qual somos chamados a afastar nossa mente das inquietações cotidianas e a voltar nosso coração para as coisas celestiais. Ao separar o dia do Senhor das demais ocupações, reconhecemos que nossa vida não é sustentada apenas por nosso trabalho, mas principalmente pela providência graciosa de Deus. Por isso, o sábado cristão, o Dia do Senhor, funciona como um lembrete semanal de nossa dependência e de nossa esperança futura no descanso eterno prometido em Cristo.
Ademais, a guarda do Dia do Senhor também expressa nosso compromisso com a comunhão da igreja. Ao nos reunirmos para ouvir a Palavra, participar dos sacramentos e cultuar coletivamente, testemunhamos que pertencemos ao povo de Deus e que nossa fé não é meramente individual, mas corporativa. O sábado não é somente um tempo de devoção privada, mas um chamado divino para nos unirmos como corpo de Cristo. Assim, a observância apropriada do dia envolve tanto a adoração pública quanto o repouso piedoso em tudo o que contribui para fortalecer nossa fé, renovar nossas forças e cultivar um espírito de gratidão.
Em conclusão, o Quarto Mandamento não é um peso lançado sobre o cristão, mas um presente de Deus que ordena e santifica nosso tempo para o nosso próprio benefício. Quando aprendemos a distinguir entre os seis dias que nos são dados para administrar e o sétimo que pertence ao Senhor, encontramos não apenas harmonia espiritual, mas também alegria e refrigério para a alma. A verdadeira liberdade não está em fazer o que desejamos, mas em seguir aquilo que Deus estabeleceu como bom. Portanto, ao guardarmos o Dia do Senhor conforme Ele ordena, entramos no ritmo de graça que Ele mesmo instituiu para o Seu povo, experimentando o descanso, a comunhão e a renovação que somente Ele pode conceder.
Perguntas.
1. De que maneira a distinção entre os seis dias de trabalho e o sétimo dia do Senhor ajuda a compreender o propósito do Quarto Mandamento?
2. Por que interpretar “seis dias trabalharás” de forma legalista pode distorcer o sentido bíblico do mandamento?
3. Como você administra seus seis dias de maneira que inclua tanto trabalho quanto devoção cristã sem transformar isso em um fardo?
4. Qual é a diferença entre “não fazer nenhuma obra” no sábado e simplesmente “não fazer nada”?
5. De que forma o Dia do Senhor contribui para seu crescimento espiritual, para o fortalecimento da comunhão da igreja e para sua dependência da providência de Deus?
6. Como a compreensão bíblica do descanso sabático pode mudar sua visão sobre tempo, trabalho, adoração e verdadeira liberdade cristã?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 57 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em novembro de 2025. Publicado originalmente em 3 de julho de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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