Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 58

Pergunta 58: O que é requerido no quarto mandamento?

Resposta: O quarto mandamento requer a santificação a Deus de tempos determinados que Ele designou em Sua Palavra, expressamente um dia inteiro em sete, para ser um sábado santo para si mesmo [1].

PROVAS BÍBLICAS.

[1] Êxodo 31:13, 16-17.

Comentário

Assim como o Segundo Mandamento não trata apenas do uso de imagens, mas do modo correto de adorar, o Quarto Mandamento não se refere apenas ao Sábado, mas à necessidade de guardar como santos para Deus os tempos específicos que Ele estabeleceu em Sua Palavra. Na Antiga Aliança, havia diversos dias anuais de festas e observâncias religiosas, como o Dia da Expiação, a Festa dos Tabernáculos, a Festa das Trombetas e o Pentecostes. A igreja em sua fase inicial também era obrigada a observar esses dias, e havia mandamentos específicos referentes a eles, como vemos em Levítico 23 e Números 29. Contudo, esses dias eram de natureza cerimonial e civil e, com a vinda de Cristo, foram abolidos. O dia de Sábado, por outro lado, foi dado como parte dos Dez Mandamentos, o que indica que é moral, perpétuo e universal. Além disso, a instituição do sábado semanal remonta à própria semana da criação, o que nos dá plena certeza de que ele não foi estabelecido apenas para os judeus, mas para toda a humanidade. Assim lemos:

  • “E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis 2.2-3).

O fato de Deus ter santificado esse dia antes mesmo da queda de Adão indica que ele não é uma sombra ou um tipo destinado a ser cumprido e abolido por Cristo em Sua encarnação, pois Cristo veio redimir pecadores. Adão, porém, ainda não era pecador quando Deus separou o dia como santo. Portanto, o sábado foi instituído para o benefício de toda a humanidade, a fim de que cada pessoa pudesse descansar de seus labores semanalmente. Deus não necessita de descanso, nem precisa de seis dias para criar, mas a Escritura afirma que Ele procedeu dessa maneira. Por quê? Para estabelecer um padrão que Suas criaturas mais elevadas, os seres humanos, deveriam seguir. Isso também explica por que o mandamento exige que até mesmo os não judeus, os estrangeiros, guardem o Sábado.

O mandamento de guardar o Sábado como santo é um mandamento moral e uma ordenança da criação. Não pertence apenas aos judeus e não é um símbolo que aponta para Cristo. Considerando todos esses fatores, não há dúvida de que hoje um dia inteiro em cada sete deve continuar sendo guardado como um santo sábado dedicado a Deus. Em outras palavras, um dia em sete deve ser reconhecido por todos os homens, e especialmente pelos cristãos que conhecem a Palavra, como pertencente ao Senhor. Como as Escrituras não apenas afirmam a perpetuidade do Sábado, mas também não instituem nenhum outro dia religioso para ser observado pelos cristãos, concluímos que todos os demais dias sagrados, como os decretados pela Igreja Católica Romana, não devem ser observados.

A compreensão bíblica do Sábado demonstra que ele não é um simples intervalo semanal, mas um meio de graça ordenado por Deus para o benefício espiritual do Seu povo. A prática consistente desse descanso santo molda o caráter cristão, disciplina o coração na piedade e cultiva um senso de dependência contínua da providência divina. Ao cessarmos de nossas atividades comuns e dedicarmos o dia inteiramente ao Senhor, proclamamos que nossa identidade não está definida pelo trabalho, mas pelo relacionamento que temos com Deus, que nos chama para o descanso que Ele mesmo estabeleceu desde o princípio.

Outro aspecto importante é que o Dia do Senhor, no contexto da Nova Aliança, assume uma centralidade ainda maior para a igreja cristã. Embora a essência moral do mandamento permaneça, a celebração do Sábado cristão no primeiro dia da semana aponta para a ressurreição de Cristo e para o novo começo inaugurado por Ele. Esse dia não apenas recorda o descanso da criação, mas também celebra a redenção consumada e a vida eterna que Cristo garante aos Seus. Assim, o Domingo se torna o dia por excelência para a adoração pública, o cultivo da comunhão dos santos e o exercício dos meios de graça.

O Quarto Mandamento permanece como um lembrete permanente da soberania de Deus sobre o tempo e da necessidade que todos os homens têm de repousar em Sua providência. Guardar o Sábado como santo não é um peso, mas um privilégio concedido pelo Criador, que nos chama a desfrutar de um ritmo de vida ordenado por Ele e voltado para a Sua glória. Ao dedicarmos um dia em sete ao Senhor, celebramos tanto Sua obra na criação quanto Sua obra na redenção, experimentando o descanso, a alegria e a renovação que somente Ele pode conceder.

Perguntas

1. Qual é a diferença entre os dias cerimoniais da Antiga Aliança e o Sábado instituído nos Dez Mandamentos, segundo o texto?

2. Por que o fato de Deus ter santificado o sétimo dia antes da queda de Adão demonstra que o Sábado não é um símbolo destinado a ser abolido em Cristo?

3. De que maneira o Sábado serve como um padrão divino para a humanidade, e por que até os estrangeiros eram chamados a observá-lo?

4. Por que o mandamento de guardar o Sábado é considerado moral e universal, e não algo exclusivo do povo judeu?

5. Como o Sábado, entendido como meio de graça, contribui para o caráter e a vida espiritual do cristão?

6. De que forma o Domingo, como Dia do Senhor na Nova Aliança, expressa a continuidade do princípio sabático e aponta para a obra redentora de Cristo?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 58 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em novembro de 2025. Publicado originalmente em 10 de julho de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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