Romanos 4 a 7: A justificação pela fé, a união com Cristo e a realidade da santificação.

ROMANOS 4: ABRAÃO COMO EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ.

Tópico central: Paulo demonstra que Abraão foi justificado pela fé e não pelas obras ou pela circuncisão. A justiça é imputada ao pecador mediante a fé, antes de qualquer obra ou rito religioso.

Personagens principais: Paulo, Abraão, Davi.

Lugares principais: Argumentação doutrinária sem localização específica.

A justificação de Abraão antes das obras (v. 1-8):

Paulo pergunta o que Abraão descobriu acerca da justificação. Ele mostra que Abraão não foi justificado pelas obras, pois isso lhe daria motivo para gloriar-se. Em vez disso, citando Gênesis, Paulo afirma que Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça. Davi também testemunha que Deus imputa justiça independentemente das obras. A teologia reformada vê aqui a base da imputação da justiça de Cristo. Deus declara justo o ímpio por causa da fé, não por causa de mérito humano.

A justificação antes da circuncisão (v. 9-12):

Paulo demonstra que Abraão foi declarado justo antes de receber a circuncisão. Assim, ele é pai dos incircuncisos que creem e também dos circuncisos que seguem sua fé. Este ensinamento fundamenta o princípio de que nenhum rito religioso confere mérito salvífico.

A promessa não veio pela Lei, mas pela fé (v. 13-17):

A promessa de que Abraão seria pai de muitas nações não veio pela Lei, mas pela justiça da fé. A Lei produz ira, pois revela o pecado. A promessa depende da graça divina, para que seja firme a todos os descendentes espirituais de Abraão.

A fé de Abraão no Deus que vivifica os mortos (v. 18-25):

Abraão creu contra a esperança. Deus prometeu um filho a um homem de quase cem anos. Ele creu no Deus que traz à existência as coisas que não são. Sua fé não foi perfeita, mas perseverante. Paulo conclui que as palavras sobre Abraão foram escritas para nós, pois a justiça também nos é imputada quando cremos em Deus que ressuscitou a Jesus dos mortos. A teologia reformada ressalta aqui a obra soberana de Cristo: Ele foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação.

Teologia reformada:

Romanos 4 reforça que a justificação é totalmente graciosa. Abraão é o modelo da fé salvadora. A justiça não nasce do homem, mas é imputada por Deus mediante a fé somente.

ROMANOS 5: OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO E A OBRA DE CRISTO COMO O NOVO ADÃO.

Tópico central: A justificação pela fé traz paz com Deus, alegria na esperança e segurança na tribulação. Paulo apresenta Cristo como o segundo Adão, cuja obediência trouxe vida ao Seu povo.

Personagens principais: Paulo, Adão, Jesus Cristo.

Lugares principais: Argumentação teológica universal.

Os frutos da justificação (v. 1-5):

Justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de Jesus Cristo. A graça nos introduz na esperança da glória de Deus. As tribulações produzem paciência e caráter, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. A teologia reformada enfatiza que a paz aqui é um estado objetivo, não mera sensação emocional. Somos reconciliados com Deus de forma definitiva.

Cristo morreu pelos ímpios (v. 6-11):

Quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente alguém morreria por um justo, mas Deus prova Seu amor ao enviar Cristo para morrer por nós quando ainda éramos pecadores. Agora somos reconciliados com Deus e salvos da ira por meio de Cristo.

Adão e Cristo: dois representantes (v. 12-19):

Assim como o pecado entrou no mundo por um homem, assim a morte passou a todos. Adão é cabeça federal da humanidade caída. Cristo é o segundo Adão. Sua obediência traz vida e justiça aos muitos que Ele representa. Este texto é central para a teologia reformada: a união federal com Cristo garante nossa justificação. Assim como a culpa de Adão é imputada aos seus descendentes, a justiça de Cristo é imputada aos que creem.

A superabundância da graça (v. 20-21):

Onde o pecado abundou, superabundou a graça. A Lei entrou para demonstrar o tamanho da transgressão, mas Cristo venceu o poder destrutivo do pecado.

Teologia reformada:

Romanos 5 é o coração da doutrina da união com Cristo. Somos declarados justos porque estamos representados pelo segundo Adão. Toda a salvação descansa na obra perfeita do Mediador.

ROMANOS 6: UNIÃO COM CRISTO E VIDA DE SANTIDADE.

Tópico central: Os crentes, unidos a Cristo em Sua morte e ressurreição, devem viver livres do domínio do pecado. A graça que salva também transforma.

Personagens principais: Paulo, Jesus Cristo.

Lugares principais: Argumentação doutrinária.

A união com Cristo na morte e ressurreição (v. 1-11):

Paulo responde à objeção de que a graça incentivaria o pecado. Ele afirma que os crentes morreram para o pecado e foram ressuscitados com Cristo. O batismo é o símbolo externo dessa união espiritual. O velho homem foi crucificado e o corpo do pecado foi desfeito. A teologia reformada vê aqui a santificação como fruto necessário da regeneração. Quem está unido a Cristo não pode viver continuamente no pecado.

Servos da justiça e não do pecado (v. 12-19):

O crente deve oferecer seus membros como instrumentos de justiça. O pecado não será senhor sobre os regenerados, pois estes estão debaixo da graça. A obediência nasce de um coração transformado.

O contraste entre dois senhores (v. 20-23):

No passado, os crentes eram escravos do pecado e colhiam morte. Agora, libertos, servem a Deus para produzir santificação. Paulo conclui com a frase que resume toda a antropologia reformada: o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna.

Teologia reformada:

Romanos 6 mostra que a salvação não termina na justificação. A graça que salva é a mesma que santifica. A união com Cristo muda radicalmente a vida do crente, libertando-o do domínio do pecado.

ROMANOS 7: A LEI, O PECADO E A LUTA INTERIOR DO CRENTE.

Tópico central: Paulo explica a relação do crente com a Lei. A Lei é santa, mas o pecado usa a Lei para produzir morte. O capítulo termina com a descrição da luta entre a carne e o espírito regenerado.

Personagens principais: Paulo.

Lugares principais: Argumentação teológica.

A libertação da Lei como pacto condenatório (v. 1-6):

Paulo usa a ilustração do casamento para mostrar que o crente foi libertado da Lei como pacto de condenação. Agora servimos em novidade de espírito e não na velha letra.

A santidade da Lei e a malignidade do pecado (v. 7-13):

A Lei revela o pecado, mas não o produz. O pecado, porém, usa a Lei como ocasião para matar espiritualmente o homem. A teologia reformada afirma que o problema não está na Lei, mas na natureza pecaminosa. A Lei é espelho fiel que revela a miséria do homem caído.

A luta interna do regenerado (v. 14-25):

Paulo descreve a tensão entre o desejo de obedecer a Deus e a presença persistente do pecado. Ele deseja fazer o bem, mas encontra outra lei em seus membros que luta contra sua mente. Este conflito não descreve o não regenerado, mas o crente que, embora renovado, ainda enfrenta a carne. A teologia reformada identifica aqui a doutrina da santificação progressiva. O crente ainda luta, mas não está derrotado. Ele já não vive na carne, mas vive sob o poder da graça, aguardando a libertação final.

Teologia reformada:

Romanos 7 mostra a profundidade da corrupção humana e a necessidade contínua da graça. A santificação é real, mas imperfeita nesta vida. A vitória final só virá em Cristo.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Romanos 4 a 7 desenvolvem o coração da soteriologia reformada. A justificação é pela fé somente, fundamentada na justiça imputada de Cristo. A união com Cristo é o centro da vida cristã, garantindo a libertação do domínio do pecado. A santificação é obra do Espírito que transforma o crente, apesar da luta contínua contra o pecado remanescente. A Lei continua santa, justa e boa, mas não pode salvar. Cristo é o novo Adão que traz vida onde antes havia morte.

TEXTO DEVOCIONAL.

A fé que salvou Abraão é a mesma que nos liga a Cristo hoje. Somos justificados pela graça, reconciliados com Deus e unidos ao Salvador em Sua morte e ressurreição. Quando a luta contra o pecado se torna intensa, lembramos que nossa força não está em nós, mas em Cristo que vive em nós. Ele não apenas nos deu Sua justiça, mas também nos deu Seu Espírito para que vivamos em novidade de vida. A graça que nos alcançou é maior do que qualquer acusação, pecado ou queda.

ORAÇÃO.

Senhor Deus, damos graças porque nos justificaste pela fé e nos uniste a Cristo. Ajuda-nos a viver na liberdade que o Teu Filho conquistou. Ensina-nos a odiar o pecado, a amar a santidade e a depender diariamente da força do Teu Espírito. Sustenta-nos na luta interior e firma nossos olhos naquele que é nossa justiça, nossa vida e nossa esperança.
Em nome de Jesus, nosso Senhor.
Amém.


Romanos 4 a 7: A justificação pela fé, a união com Cristo e a realidade da santificação está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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