Romanos 1 a 3: A justiça de Deus revelada no Evangelho e a condenação universal da humanidade.

ROMANOS 1: A JUSTIÇA DE DEUS NO EVANGELHO E A IRA DE DEUS CONTRA TODA IMPIEDADE.

Tópico central: Paulo apresenta o Evangelho como o poder de Deus para salvação e declara que a ira de Deus se revela contra toda impiedade e injustiça dos homens. A humanidade, tendo rejeitado a revelação divina, afunda na idolatria e no pecado.

Personagens principais: Paulo, crentes de Roma, gentios em geral.

Lugares principais: Roma.

A saudação e o propósito da carta (v. 1-15):

Paulo se apresenta como servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o Evangelho de Deus. Ele esclarece que este Evangelho foi prometido nas Escrituras, está centrado na pessoa de Jesus Cristo e se destina a todas as nações. O apóstolo expressa seu desejo de visitar os crentes de Roma para fortalecê-los na fé. A teologia reformada vê aqui a centralidade da Escritura e a prioridade da proclamação do Evangelho. O apóstolo serve ao decreto eterno de Deus, que reúne Seu povo por meio da Palavra.

O Evangelho como poder de Deus e a revelação da justiça (v. 16-17):

Paulo declara que não se envergonha do Evangelho, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Nele se revela a justiça de Deus de fé em fé.
Esta é uma das declarações mais importantes para a teologia reformada. A justiça mencionada não é produzida pelo homem, mas concedida por Deus. É a justiça imputada de Cristo ao pecador, fundamento da doutrina da justificação pela fé somente.

A revelação da ira de Deus contra a impiedade (v. 18-23):

A ira de Deus se revela contra os homens que detêm a verdade pela injustiça. Mesmo conhecendo a Deus pela revelação da criação, recusaram-se a glorificá-lO. Tornaram-se nulos em seus raciocínios e trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens corruptíveis. Este texto fundamenta claramente a doutrina reformada da depravação total e da culpa universal. Toda a humanidade caiu, rejeitou o Criador e tornou-se escrava da idolatria.

O abandono divino e a decadência moral (v. 24-32):

Por terem rejeitado a verdade, Deus os entregou às paixões desonrosas e a um modo de vida perverso. As relações contrárias à natureza, a violência, o orgulho, a inveja, o homicídio e outras formas de pecado se multiplicam. A teologia reformada interpreta este texto como juízo passivo: Deus retira Sua restrição e deixa o pecador seguir seu próprio caminho. A humanidade não está apenas em erro, mas sob condenação, revelando sua incapacidade de buscar Deus por si mesma.

Teologia reformada:

Romanos 1 revela a justificação pela fé e a universalidade da queda humana. Todos precisam do Evangelho porque todos estão sob a ira de Deus, incapazes de se salvarem. A salvação é obra soberana de Deus que imputa justiça ao indigno.

ROMANOS 2: A IMPARCIALIDADE DE DEUS E A CONDENAÇÃO DO JUDEU E DO GENTIO.

Tópico central: Deus julga imparcialmente. Nem judeus nem gentios têm motivo para vanglória, pois todos pecaram. O judeu que possui a Lei e o gentio que possui a consciência serão julgados conforme a luz que receberam.

Personagens principais: Judeus, gentios.

Lugares principais: Roma, mas com argumentação universal.

A condenação dos que julgam, mas fazem o mesmo (v. 1-5):

Paulo afirma que quem julga o próximo mas pratica as mesmas obras não escapará do juízo de Deus. O endurecimento do coração acumula ira para o dia da ira. A teologia reformada vê aqui a igualdade de toda a humanidade diante de Deus. Não há méritos, tradições ou linhagens que possam garantir justiça.

A imparcialidade do juízo divino (v. 6-11):

Deus retribuirá a cada um segundo suas obras. Ele dará vida eterna aos que perseveram no bem e ira aos que se entregam ao pecado. Judeus e gentios serão julgados sem distinção. A doutrina reformada afirma que este texto não ensina salvação pelas obras, mas descreve o padrão do juízo. Somente aqueles que estão unidos a Cristo podem produzir obras que Deus aceita.

Gentios e judeus sob responsabilidade moral (v. 12-16):

Paulo declara que os gentios, mesmo sem a Lei escrita, demonstram possuir a Lei em seus corações, pois suas consciências os acusam ou defendem. Deus julgará os segredos dos homens por Jesus Cristo. Aqui se evidencia a revelação geral e a culpa universal. Nenhum homem é inocente. A consciência e a Lei convergem para condenar todos.

A hipocrisia judaica e o verdadeiro judaísmo (v. 17-29):

O judeu que confia na Lei mas a quebra desonra a Deus. A circuncisão só tem valor se há obediência; caso contrário, torna-se inútil. O verdadeiro judeu é aquele cujo coração é circuncidado pelo Espírito, não pela letra. Este ensino é fundamental para a teologia reformada. O novo nascimento é obra do Espírito. A regeneração é interna, espiritual e soberana. A fé não nasce da carne, mas da ação do Senhor.

Teologia reformada:

Romanos 2 aprofunda a doutrina da depravação total e da incapacidade humana. Ninguém é justo. A justiça externa e os rituais não salvam. Somente o novo coração dado por Deus pode responder em fé e obediência.

ROMANOS 3: A CULPA UNIVERSAL E A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ SOMENTE.

Tópico central: Paulo declara que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado. Nenhum é justo. A salvação vem somente pela justiça de Deus revelada em Cristo, recebida pela fé sem as obras da Lei.

Personagens principais: Judeus, gentios, Paulo.

Lugares principais: Roma, mas com abrangência universal.

A vantagem do judeu e a fidelidade de Deus (v. 1-8):

Paulo afirma que há vantagem em ser judeu, pois lhes foram confiados os oráculos de Deus. Porém, a infidelidade humana não anula a fidelidade divina. A teologia reformada ressalta aqui a soberania da revelação: Deus escolheu Israel para ser instrumento da história da redenção.

A condenação universal (v. 9-20):

Paulo declara que todos estão debaixo do pecado. Não há justo, nem um sequer. Todos se desviaram, juntos se fizeram inúteis. A Lei não justifica, mas revela o pecado. Este trecho é a base da doutrina reformada da depravação total. O ser humano não é parcialmente bom, mas inteiramente incapaz de se voltar a Deus sem a graça. A Lei serve como espelho que expõe a miséria humana.

A justiça que vem de Deus mediante a fé (v. 21-26):

Paulo apresenta o coração da carta. A justiça de Deus se manifestou sem a Lei. Ela é concedida mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Todos pecaram e carecem da glória de Deus, mas são justificados gratuitamente pela graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus propôs Cristo como propiciação, demonstrando Sua justiça ao punir o pecado no corpo do Mediador. Assim, Ele é justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Este é o fundamento central da teologia reformada: a justificação pela graça mediante a fé somente. Não é um processo, mas um ato judicial em que Deus declara justo o pecador por causa da obra de Cristo.

A exclusão da vanglória e o papel da fé (v. 27-31):

Nenhum homem pode se gloriar, pois a justificação é pela fé, não pelas obras. Deus é Deus de judeus e gentios. A fé não anula a Lei, mas a confirma, pois Cristo é o cumprimento perfeito dela. Aqui fica clara a harmonia entre graça e obediência. A fé salva, mas a Lei encontra seu cumprimento em Cristo, que garante a justiça requerida.

Teologia reformada:

Romanos 3 contém o resumo mais denso da soteriologia reformada. O homem é incapaz, a Lei condena, Deus é soberano, Cristo é o substituto perfeito, e a salvação é recebida pela fé somente. Toda glória pertence a Deus, que justifica pecadores indignos.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Romanos 1 a 3 apresentam o fundamento da doutrina cristã da salvação. O Evangelho revela a justiça de Deus enquanto a criação revela Sua ira contra o pecado. Judeus e gentios são igualmente culpados diante de Deus. A solução não está na Lei, nos rituais, no esforço humano ou no mérito próprio, mas na justiça de Cristo imputada ao pecador. A teologia reformada encontra nesses capítulos o alicerce da depravação total, da graça soberana e da justificação pela fé somente.

TEXTO DEVOCIONAL.

Diante da santidade de Deus, todos nós somos silenciados. Não temos justiça própria, mas temos um Salvador perfeito. O Evangelho não é apenas informação, é poder de Deus para transformar vidas. Cristo tomou sobre Si nossa culpa, derramou Seu sangue e nos revestiu de Sua justiça. Quando olhamos para nossa fraqueza, lembramos que a graça é maior. Quando contemplamos nosso pecado, lembramos que a obra de Cristo é suficiente. A justiça que Deus exige é a mesma que Deus oferece em Cristo.

ORAÇÃO.

Senhor Deus, Tu que és justo e salvador, reconhecemos nossa incapacidade e confessamos nossa dependência total de Ti. Abre nossos olhos para vermos a beleza do Evangelho e fortalece nossa fé em Cristo. Livra-nos da confiança em nós mesmos e faz-nos descansar na justiça que vem de Jesus. Que vivamos em gratidão, humildade e obediência, certos de que fomos aceitos por Tua graça soberana. Em nome de Jesus. Amém.


Romanos 1 a 3: A justiça de Deus revelada no Evangelho e a condenação universal da humanidade está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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