Atos 26 a 28: O testemunho final de Paulo, sua viagem a Roma e a fidelidade do Deus soberano.

ATOS 26: A DEFESA DE PAULO DIANTE DE AGRIPA E A CLAREZA DO EVANGELHO.

Tópico central: Paulo apresenta sua defesa diante do rei Agripa, explicando sua conversão, sua missão entre judeus e gentios e a ressurreição de Cristo, que está no centro de sua mensagem.

Personagens principais: Paulo, Agripa, Festo, Berenice.

Lugares principais: Cesareia.

A permissão para falar e a introdução de Paulo (v. 1-3):

Agripa concede a palavra a Paulo, que se alegra em poder apresentar sua defesa diante de alguém que conhecia profundamente os costumes judaicos. A teologia reformada vê aqui a sabedoria na providência divina. Deus coloca diante do apóstolo um ouvinte preparado para compreender o contexto de sua fé.

A vida passada de Paulo e sua perseguição aos cristãos (v. 4-11):

Paulo recorda sua vida farisaica, sua dedicação à Lei e sua fúria persecutória contra a igreja. Ele admite que perseguia os santos até nas cidades estrangeiras. O relato ressalta que ninguém é salvo por obras ou tradições, mas pela graça soberana. A própria vida de Paulo revela a profundidade da depravação humana antes da regeneração.

O encontro com Jesus no caminho de Damasco (v. 12-18):

Paulo descreve novamente sua conversão. Uma luz mais brilhante que o sol apareceu, e uma voz disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues.” O Senhor o designou como ministro e testemunha, enviando-o aos gentios para abrir-lhes os olhos e trazê-los da potestade de Satanás para Deus. A teologia reformada destaca aqui a doutrina da graça irresistível. Cristo intervém, transforma e envia. Paulo não estava procurando o Salvador, mas o Salvador o buscou soberanamente.

A obediência ao chamado celestial (v. 19-23):

Paulo declara que não foi desobediente à visão. Pregou o arrependimento e a fé tanto a judeus quanto a gentios. Afirma que nada disse além do que os profetas anunciaram, especialmente que Cristo sofreria e seria o primeiro da ressurreição. Isto confirma a continuidade da revelação bíblica. O Evangelho não é uma novidade, mas o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento.

A interrupção de Festo e a resposta de Paulo (v. 24-29):

Festo afirma que Paulo está louco, mas o apóstolo insiste que fala palavras de verdade e moderação. Ao dirigir-se a Agripa, pergunta se ele crê nos profetas. Agripa admite que por pouco Paulo o persuadiria a ser cristão. A teologia reformada recorda que somente o Espírito Santo pode regenerar. A lógica e o testemunho são instrumentos, mas a conversão é obra sobrenatural.

A conclusão do julgamento (v. 30-32):

Agripa e Festo concordam que Paulo nada fez digno de morte ou prisão. Contudo, por ter apelado a César, deveria ser enviado a Roma. Mais uma vez, Deus confirma Seu propósito. O apelo não foi acidente, mas o meio estabelecido pelo Senhor para levar Paulo a Roma.

Teologia reformada:

Atos 26 apresenta o Evangelho em sua pureza: a soberania da graça, o poder da ressurreição e a fidelidade das Escrituras. Tudo converge para Cristo, o centro da história e da salvação.

ATOS 27: A VIAGEM A ROMA, A TEMPESTADE E O CUIDADO DIVINO PELA VIDA DE PAULO.

Tópico central: Paulo é enviado a Roma, enfrenta uma tempestade devastadora e, pela revelação de Deus, anuncia que todos serão preservados. A providência divina sustenta o apóstolo e a tripulação.

Personagens principais: Paulo, Júlio, o centurião, marinheiros e soldados.

Lugares principais: Adramítio, Sidom, Creta, Bons Portos, Malta (direção), Mar Mediterrâneo.

O início da viagem e o favor concedido a Paulo (v. 1-8):

Paulo embarca sob custódia do centurião Júlio, que o trata com benevolência. Eles navegam com dificuldade por causa dos ventos contrários. A teologia reformada observa que Deus move até o coração das autoridades civis em favor do Seu povo. Nada é aleatório.

A advertência de Paulo e a decisão precipitada (v. 9-12):

Paulo alerta que a viagem acarretaria dano, mas o centurião prefere ouvir o piloto e o dono do navio. Decidem seguir adiante apesar do perigo. A providência divina permite que decisões humanas levem a circunstâncias difíceis, mas Deus permanece no controle.

A grande tempestade e o desespero da tripulação (v. 13-20):

Um vento violento chamado Euroaquilão cai sobre o navio. Durante muitos dias não aparece sol nem estrelas, e toda a esperança se esvai. A doutrina reformada vê aqui a realidade da condição humana: somos frágeis, incapazes e dependentes de Deus.

A mensagem de Paulo: Deus preservará a todos (v. 21-26):

Paulo anuncia que um anjo do Deus a quem ele pertence lhe apareceu e garantiu que todos seriam salvos, embora o navio fosse destruído. Este texto é uma das mais belas declarações da providência. Deus não apenas conhece o futuro, mas ordena e assegura cada detalhe.

O encorajamento de Paulo e a tentativa de fuga dos marinheiros (v. 27-32):

Quando marinheiros tentam fugir, Paulo alerta o centurião, que impede a fuga. O apóstolo exerce liderança espiritual em meio ao caos. A teologia reformada ensina que a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Deus decretou a preservação, mas usa meios para cumpri-la.

A refeição antes do naufrágio (v. 33-38):

Paulo exorta todos a se alimentarem e dá graças a Deus diante deles. O gesto fortalece os ânimos. Mesmo em tempestades, o povo de Deus testemunha da esperança que transcende circunstâncias.

O naufrágio e a chegada à terra (v. 39-44):

O navio se despedaça, mas todos chegam à terra conforme Deus havia prometido. A fidelidade do Senhor resplandece. O que Ele diz, Ele cumpre.

Teologia reformada:

Atos 27 revela a soberania de Deus sobre a natureza, sobre o destino e sobre os eventos mais caóticos da vida. A história não é conduzida por ventos ou acidentes, mas pelo decreto eterno do Senhor.

ATOS 28: PAULO EM MALTA, SUA CHEGADA A ROMA E O EVANGELHO QUE NÃO PODE SER DETIDO.

Tópico central: Paulo é preservado milagrosamente em Malta, chega a Roma e continua anunciando o Reino de Deus sob custódia.

Personagens principais: Paulo, habitantes de Malta, Públio, irmãos de Roma, judeus locais.

Lugares principais: Malta, Siracusa, Régio, Putéoli, Roma.

Paulo em Malta e o episódio da víbora (v. 1-6):

Os moradores mostram grande humanidade aos náufragos. Enquanto Paulo coloca lenha no fogo, uma víbora prende-se à sua mão, mas ele a sacode sem sofrer mal algum. Os habitantes passam da suspeita de que ele fosse assassino à presunção de que fosse um deus. A teologia reformada interpreta este evento como um sinal da proteção especial de Deus. Não é Paulo que tem poder em si mesmo; é Deus quem preserva Seu servo para cumprir Sua missão.

A cura do pai de Públio e de outros enfermos (v. 7-10):

Paulo ora e impõe as mãos sobre o pai de Públio, que é curado. Outros doentes da ilha também vêm e são curados. Os milagres não são meras demonstrações de poder, mas sinais que confirmam a autoridade do Evangelho em seu período apostólico.

A viagem para Roma e o encontro com os irmãos (v. 11-15):

Depois de três meses em Malta, a tripulação parte em outro navio. Em Potéoli, Paulo encontra irmãos que o animam. Quando chegam às proximidades de Roma, cristãos locais saem ao seu encontro, e Paulo se fortalece em Deus. A comunhão dos santos é um instrumento da providência divina para renovar o coração dos servos de Deus.

Paulo em Roma e seu testemunho final (v. 16-29):

Paulo recebe permissão para habitar em casa alugada, guardado por um soldado. Ele reúne os principais judeus e explica que está preso por causa da esperança de Israel. Alguns creem, outros resistem. Paulo cita Isaías para mostrar que somente a graça soberana abre os olhos espirituais. A dureza humana é real, mas o propósito de Deus permanece.

O final do livro: Paulo pregando com ousadia (v. 30-31):

Paulo permanece dois anos recebendo todos que o procuravam. Ele pregava o Reino de Deus e ensinava sobre o Senhor Jesus Cristo com toda liberdade, sem impedimento algum. O livro termina não com o silêncio da prisão, mas com a vitória da Palavra. A mensagem do Reino continua, porque Deus mesmo a sustenta.

Teologia reformada:

Atos 28 demonstra que nada pode impedir o avanço do Evangelho. Cadeias, acusações, tempestades ou rejeição não frustram o plano de Deus. A Palavra de Deus é viva, eficaz e triunfará até os confins da terra.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Atos 26 a 28 apresenta o clímax da obra soberana de Deus na missão apostólica. Paulo não é agente do acaso, mas vaso escolhido para proclamar Cristo diante de reis, povos e nações. A graça irresistível o transformou, a providência o guiou e a fidelidade divina o sustentou até Roma. A teologia reformada vê nestes capítulos a união entre eleição, missão e preservação dos santos. O livro termina com a mensagem central: o Reino avança porque Deus reina.

TEXTO DEVOCIONAL.

O Deus que sustentou Paulo diante de Agripa, na tempestade e na prisão é o mesmo que sustenta Seus filhos hoje. Há caminhos que parecem escuros e mares que parecem revoltos, mas o Senhor governa cada detalhe. Quando não vemos saída, Ele abre portas. Quando as forças se esgotam, Ele fortalece. Quando tudo parece perdido, Sua Palavra permanece firme. E como Paulo, mesmo em cadeias, podemos viver em plena liberdade espiritual, porque nada e ninguém pode impedir o propósito de Deus para nossas vidas.

ORAÇÃO.

Senhor Deus, Soberano sobre todas as coisas, concede-nos confiança na Tua providência e firmeza para testemunhar de Cristo em qualquer situação. Guia-nos pelos caminhos que determinaste, fortalece nossa fé e renova nossa esperança. Que nossas vidas sejam instrumentos em Tuas mãos para que o Reino seja anunciado. Sustenta-nos até o dia perfeito em que veremos Jesus face a face. Em nome de Jesus. Amém.


Atos 26 a 28: O testemunho final de Paulo, sua viagem a Roma e a fidelidade do Deus soberano está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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