ATOS 21: A DETERMINAÇÃO DE PAULO E SUA CHEGADA A JERUSALÉM.
Tópico central: Paulo, movido pelo Espírito, segue para Jerusalém apesar das advertências. Ali enfrenta oposição, é preso e se torna testemunha de Cristo em meio ao tumulto.
Personagens principais: Paulo, Filipe, Ágabo, Tiago, presbíteros de Jerusalém, judeus da Ásia.
Lugares principais: Tiro, Ptolemaida, Cesareia, Jerusalém, Templo.
A viagem a Jerusalém e as advertências do Espírito (v. 1-14):
Após deixar Mileto, Paulo navega por várias cidades até chegar a Tiro. Ali, discípulos o aconselham a não subir a Jerusalém. Em Cesareia, o profeta Ágabo anuncia que Paulo seria preso pelos judeus e entregue aos gentios. Apesar dos apelos dos irmãos, Paulo afirma que está pronto não apenas para ser preso, mas também para morrer por Jesus em Jerusalém. Diante disso, os irmãos concluem dizendo: “Faça-se a vontade do Senhor.” A teologia reformada vê aqui a submissão do apóstolo à providência divina. Paulo sabe que Deus dirige seus passos e que até o sofrimento faz parte do decreto soberano. Não há fatalismo, mas confiança madura no governo do Senhor.
A recepção em Jerusalém e os conselhos dos presbíteros (v. 15-26):
Paulo é recebido com alegria e relata tudo o que Deus fez entre os gentios. Os presbíteros glorificam a Deus, mas alertam Paulo sobre rumores de que ele estaria ensinando judeus convertidos a abandonarem as tradições. Para mostrar que não desprezava os costumes judaicos, Paulo participa de um voto junto com quatro homens. Ele não o faz por imposição legalista, mas por amor à unidade da igreja. A teologia reformada destaca a sensibilidade pastoral. Paulo não compromete o Evangelho, mas age com sabedoria para não se tornar pedra de tropeço para os fracos.
A acusação injusta e o tumulto no templo (v. 27-36):
Judeus da Ásia veem Paulo no templo e o acusam falsamente de profanar o lugar sagrado ao supostamente levar gentios para dentro. A multidão se agita, tenta matá-lo e o arrasta para fora do templo. Soldados romanos intervêm, impedindo seu linchamento. A turba grita que ele deve ser morto. A providência divina se manifesta por meio das autoridades civis, preservando a vida de Paulo. A teologia reformada observa que Deus usa até o poder estatal como instrumento de proteção.
A permissão para falar ao povo (v. 37-40):
Ao ser conduzido para a fortaleza, Paulo pede autorização ao comandante e é permitido falar ao povo em língua hebraica. Mesmo em meio ao caos, Deus abre uma porta para o testemunho. A soberania do Senhor aparece em cada detalhe. Nenhuma prisão impede o avanço da Palavra.
Teologia reformada:
Atos 21 revela o servo de Deus caminhando entre o dever e o sofrimento, guiado pela providência e sustentado pela coragem que vem do Espírito. A igreja cresce não apenas pela vitória, mas também por meio das aflições que Deus ordena para o bem dos Seus escolhidos.
ATOS 22: O TESTEMUNHO DE PAULO E SUA DEFESA DIANTE DOS JUDEUS.
Tópico central: Paulo relata sua conversão e missão entre os gentios, mostrando que sua vida é obra da graça soberana de Deus. O testemunho provoca nova hostilidade e leva Paulo à proteção romana.
Personagens principais: Paulo, Ananias, multidão judaica, comandante romano.
Lugares principais: Jerusalém, Damasco, Templo.
A defesa de Paulo em língua hebraica (v. 1-2):
O povo silencia quando Paulo começa a falar em hebraico. O apóstolo não apela a emoções, mas à verdade de Deus. Ele se apresenta como judeu e fariseu, zeloso das tradições de seus pais. A teologia reformada destaca a importância do contexto e da sabedoria na proclamação. Paulo adapta seu discurso sem alterar o Evangelho.
O zelador da perseguição e o encontro com Jesus (v. 3-11):
Paulo relata como perseguia a igreja até o dia em que Jesus apareceu a ele no caminho de Damasco. Uma luz resplandeceu e ele caiu por terra. Ao perguntar quem era, ouviu a resposta: “Eu sou Jesus Nazareno, a quem tu persegues.” Aqui se revela a doutrina da graça irresistível. Paulo não buscava Cristo, mas Cristo o buscou. A iniciativa da salvação pertence totalmente a Deus, que vence a resistência do coração humano.
A participação de Ananias e o chamado ao batismo (v. 12-16):
Ananias, homem piedoso segundo a lei, é enviado para restaurar-lhe a vista e anunciar-lhe a missão. Ele declara que Paulo foi escolhido por Deus para conhecer Sua vontade, ver o Justo e ser testemunha diante de todos. O batismo confirma publicamente a obra que Deus realizou internamente. A eleição e o chamado aparecem de forma explícita.
A visão no templo e o envio aos gentios (v. 17-21):
Paulo relata que, em Jerusalém, teve uma visão do Senhor, que o enviou aos gentios, pois os judeus não o receberiam. Ao ouvir que Deus o enviou aos gentios, a multidão se enfurece e exige sua morte. O ódio revela um coração endurecido contra a graça que se estende além das fronteiras judaicas.
A ordem de açoitar Paulo e sua cidadania romana (v. 22-29):
Os soldados se preparam para açoitar Paulo, mas ele pergunta se podem fazê-lo com um cidadão romano sem julgamento. O comandante, ao descobrir isso, teme por ter amarrado um cidadão livre. Mais uma vez, a providência de Deus usa meios civis para proteger o apóstolo.
Paulo diante do Sinédrio (v. 30):
No dia seguinte, o comandante o leva ao Sinédrio para averiguar a causa das acusações. Deus está conduzindo cada passo rumo ao testemunho diante de reis e governantes, conforme Jesus prometera.
Teologia reformada:
Atos 22 mostra a salvação como obra soberana de Deus. Cristo chama, converte, envia e sustenta Seus servos. A resistência humana não anula o propósito divino. Deus usa circunstâncias, autoridades e até perseguições para cumprir Seus decretos eternos.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 21 e 22, vemos um servo guiado pela providência soberana de Deus. Paulo caminha rumo ao sofrimento não como vítima, mas como instrumento do Senhor. Sua conversão, missão e proteção revelam uma doutrina clara da graça: Deus escolhe, chama, transforma e conduz Seu povo. A oposição dos homens não impede a obra divina. Ao contrário, serve de palco para que Cristo seja proclamado diante de multidões e autoridades.
TEXTO DEVOCIONAL.
O Deus que conduziu Paulo a Jerusalém continua a guiar Seus filhos hoje. Ele não nos promete ausência de dor, mas presença constante em meio a ela. A providência do Senhor abre portas, fecha caminhos e fortalece o coração daqueles que vivem para Sua glória. Quando enfrentamos injustiça, oposição ou dificuldades, lembramos que Deus não perde o controle. Ele transforma tribulações em oportunidades para testemunho e torna fracos homens fortes pelo Seu poder.
ORAÇÃO.
Senhor Deus, que diriges todas as coisas segundo o Teu conselho eterno, ensina-nos a confiar em Tua providência e a caminhar com coragem. Dá-nos um coração disposto a Te obedecer, mesmo quando o caminho envolve sofrimento. Sustenta-nos pelo Teu Espírito, fortalece nossa fé e usa nossas vidas para testemunhar de Cristo onde quer que estivermos. Em nome de Jesus. Amém.

Atos 21 e 22: A viagem de Paulo a Jerusalém e sua defesa diante do povo está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Deixe um comentário