ATOS 14: A PERSEVERANÇA DOS APÓSTOLOS EM MEIO À PERSEGUIÇÃO.
Tópico central: Paulo e Barnabé anunciam o Evangelho com ousadia entre judeus e gentios, enfrentando perseguições e fortalecendo a Igreja nascente.
Personagens principais: Paulo, Barnabé, os judeus de Icônio, os habitantes de Listra e Derbe.
Lugares principais: Icônio, Listra, Derbe.
O ensino em Icônio e a divisão entre judeus e gentios (v. 1-7):
Em Icônio, Paulo e Barnabé anunciam o Evangelho na sinagoga, e grande multidão de judeus e gentios crê. Contudo, judeus incrédulos incitam os gentios contra os apóstolos. Apesar disso, eles permanecem muito tempo na cidade, falando ousadamente no Senhor, que confirma a palavra da graça com sinais e maravilhas. A teologia reformada vê aqui a perseverança concedida pela graça. A ousadia dos apóstolos não nasce do esforço humano, mas da certeza da soberania de Deus, que sustenta Seus servos na missão.
O milagre em Listra e o erro da adoração humana (v. 8-18):
Em Listra, Paulo cura um homem aleijado desde o nascimento. Vendo o milagre, o povo conclui que os deuses desceram à terra e tenta oferecer sacrifícios a Paulo e Barnabé. Os apóstolos, horrorizados, rasgam as suas vestes e declaram que são apenas homens, apontando para o Deus vivo que fez o céu e a terra. A teologia reformada destaca que todo verdadeiro ministério aponta para Cristo, não para o mensageiro. O coração humano tende à idolatria, mas o Evangelho revela o Deus soberano, Criador e Senhor de todas as coisas.
A perseguição e a continuidade da obra (v. 19-28):
Judeus vindos de Antioquia e Icônio incitam a multidão, que apedreja Paulo e o arrasta para fora da cidade, julgando-o morto. Contudo, ele se levanta e continua a viagem com Barnabé até Derbe, onde muitos creem. Depois, voltam pelas mesmas cidades, fortalecendo os discípulos, exortando-os à perseverança e estabelecendo presbíteros em cada igreja. A teologia reformada vê aqui o modelo de governo eclesiástico prescritivo. A nomeação de presbíteros mostra que Cristo governa Sua Igreja por meio de oficiais ordenados, chamados para pastorear o rebanho. A obra missionária também se sustenta pela graça que preserva os servos em meio ao sofrimento.
Teologia reformada:
Atos 14 demonstra que a missão avança através de homens fracos sustentados pela graça do Deus forte. A fé verdadeira persevera, mesmo em meio à perseguição. A Igreja é edificada pelo ensino apostólico, pela ordenação de presbíteros e pelo cuidado providencial do Senhor.
ATOS 15: O CONCÍLIO DE JERUSALÉM E A DEFESA DO EVANGELHO DA GRAÇA.
Tópico central: Os apóstolos e presbíteros definem, sob direção do Espírito Santo, que a salvação é somente pela graça mediante a fé, sem a exigência das obras da lei.
Personagens principais: Pedro, Paulo, Barnabé, Tiago, os presbíteros de Jerusalém, os irmãos de Antioquia.
Lugares principais: Antioquia, Jerusalém.
A controvérsia sobre a circuncisão (v. 1-5):
Alguns judeus ensinam que a circuncisão é necessária para a salvação. Paulo e Barnabé se opõem firmemente, e a igreja os envia a Jerusalém para tratar do assunto com os apóstolos e presbíteros. A teologia reformada reconhece aqui a urgência da defesa da fé. Quando o Evangelho é ameaçado, a Igreja deve preservar a doutrina correta, pois a salvação pela graça é o fundamento da esperança cristã.
Pedro, Barnabé e Paulo testemunham a obra de Deus entre os gentios (v. 6-12):
No concílio, Pedro afirma que Deus purificou o coração dos gentios pela fé, sem distinção. Paulo e Barnabé relatam os sinais e maravilhas que Deus fizera entre os gentios. Esses testemunhos confirmam que a salvação não depende da lei, mas da graça soberana. Deus mesmo abre a porta da fé aos gentios, assim como fizera com os judeus.
A decisão final, guiada pelo Espírito (v. 13-29):
Tiago cita os profetas para mostrar que Deus prometera chamar um povo para o Seu nome dentre todas as nações. O concílio decide não impor a lei judaica aos gentios, mas apenas orientações de comunhão. A carta enviada às igrejas declara: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…”. A teologia reformada ressalta a autoridade conciliar da Igreja, sob direção do Espírito, e a defesa clara da justificação pela fé, sem obras da lei.
A separação entre Paulo e Barnabé (v. 30-41):
Após retornar a Antioquia, surge um desacordo entre Paulo e Barnabé acerca de João Marcos. Eles se separam, mas ambos continuam servindo ao Evangelho. A graça de Deus prevalece sobre as fraquezas humanas. Mesmo em divergências, o Senhor conduz Sua obra segundo Seus propósitos eternos.
Teologia reformada:
Atos 15 é um dos pilares da doutrina da justificação pela fé. A decisão conciliar preserva o Evangelho, distingue claramente a graça da lei e reconhece que a salvação é do Senhor. A Igreja, guiada pelo Espírito, confirma que Cristo é suficiente para a redenção.
ATOS 16: A CHEGADA DO EVANGELHO À EUROPA E A AÇÃO SOBERANA DO ESPÍRITO SANTO.
Tópico central: O Espírito direciona Paulo e seus companheiros até Filipos, onde pessoas específicas são chamadas para a fé mediante o poder da graça.
Personagens principais: Paulo, Silas, Timóteo, Lídia, o carcereiro de Filipos.
Lugares principais: Derbe, Listra, Trôade, Filipos.
A escolha de Timóteo e a direção do Espírito (v. 1-10):
Em Listra, Paulo encontra Timóteo, jovem discípulo respeitado, que passa a acompanhá-lo. Enquanto viajam, o Espírito Santo os impede de pregar na Ásia e na Bitínia. Em Trôade, Paulo tem uma visão de um homem da Macedônia pedindo ajuda. Eles concluem que Deus os chamava para pregar ali. A teologia reformada observa a direção soberana do Espírito. A missão não é guiada por preferências humanas, mas pelo plano divino, que conduz os servos onde há eleitos a serem alcançados.
Lídia, a vendedora de púrpura, é convertida (v. 11-15):
Em Filipos, encontram Lídia, que ouvia Paulo. O texto afirma: “E o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia.” Aqui se vê claramente o chamado eficaz, doutrina central da teologia reformada. Deus abre o coração para que a pessoa creia; a fé é dom da graça soberana.
A prisão de Paulo e Silas e a conversão do carcereiro (v. 16-34):
Após libertar uma jovem possessa, Paulo e Silas são açoitados e presos. Mesmo assim, oram e cantam louvores. À meia-noite, um terremoto abre as portas da prisão. O carcereiro, pensando que os presos fugiram, tenta tirar a própria vida, mas Paulo o impede. Desesperado, ele pergunta: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?”. Paulo responde: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.” Ele crê, é batizado com toda a sua casa e se alegra por ter crido em Deus. A teologia reformada vê aí a obra irresistível da graça, que muda o coração mais endurecido e salva soberanamente aqueles que Deus chamou para Si.
A libertação honrosa e a afirmação da justiça (v. 35-40):
Ao saberem que Paulo e Silas são cidadãos romanos, os magistrados temem e pedem que saiam da cidade. Eles se despedem dos irmãos na casa de Lídia e seguem adiante.
A providência divina conduz a história com cuidado, protegendo Seus servos e abrindo caminho para novas igrejas.
Teologia reformada:
Atos 16 exalta o chamado eficaz, a soberania divina na conversão e a direção infalível do Espírito Santo. Deus abre o coração de Lídia, salva o carcereiro e estabelece a igreja de Filipos, tudo conforme Seu plano eterno.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 14 a 16, o Espírito Santo revela que o avanço do Evangelho não depende da força humana, mas da graça soberana. Cristo preserva Seus servos em meio à perseguição, a Igreja defende o Evangelho da graça no concílio, e novas comunidades nascem pela ação irresistível do Espírito. A missão avança porque Deus chama os Seus. O Reino cresce porque o Senhor está edificando a Sua Igreja.
TEXTO DEVOCIONAL.
O Deus que sustentou Paulo diante das pedras, guiou a Igreja em Jerusalém e abriu o coração de Lídia continua agindo hoje. O Evangelho não é uma obra humana, mas divina. É Deus quem abre portas, prepara encontros, fortalece Seus servos e transforma vidas. A graça que salvou o carcereiro de Filipos é a mesma que age hoje no coração daqueles que Ele chama.
ORAÇÃO.
Senhor soberano, que diriges a história segundo a Tua perfeita vontade, dá-nos o mesmo fervor e fidelidade dos primeiros discípulos. Ensina-nos a confiar no Teu Espírito, a defender o Evangelho da graça e a perseverar na missão, mesmo em meio às aflições. Que a Tua Palavra continue a alcançar os que escolheste para a vida eterna, e que Cristo seja glorificado em tudo. Em nome de Jesus. Amém.

Atos 14 a 16: A firmeza dos apóstolos e o avanço do Evangelho na direção da Europa está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Deixe um comentário