ATOS 11: A IGREJA APROVA A OBRA ENTRE OS GENTIOS E SURGE O CENTRO MISSIONÁRIO EM ANTIOQUIA.
Tópico central: O Espírito Santo confirma a aceitação dos gentios na Igreja, e Antioquia torna-se o novo centro missionário da fé cristã.
Personagens principais: Pedro, Barnabé, os irmãos de Jerusalém, os cristãos de Antioquia, Ágabo.
Lugares principais: Jerusalém, Jope, Cesareia, Antioquia.
Pedro relata sua experiência com Cornélio (v. 1-18):
Após a conversão de Cornélio, os irmãos em Jerusalém questionam Pedro por ter entrado e comido com gentios. Pedro então narra, em detalhes, a visão recebida de Deus e o derramamento do Espírito Santo sobre os gentios, tal como ocorrera no Pentecostes. Ao ouvirem isso, os apóstolos e irmãos glorificam a Deus, reconhecendo que “também aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida”. A teologia reformada vê aqui a confirmação de que o arrependimento é dom de Deus, concedido soberanamente aos que Ele chama. A fé e a conversão não são frutos da vontade humana, mas da graça que atua eficazmente no coração eleito.
O nascimento da Igreja em Antioquia (v. 19-26):
A perseguição que seguiu a morte de Estêvão espalhou os crentes, que começaram a anunciar o Evangelho, primeiro aos judeus, mas também aos gregos em Antioquia. A mão do Senhor era com eles, e muitos creram. Barnabé é enviado de Jerusalém para supervisionar a nova igreja. Vendo a graça de Deus, alegra-se e exorta os irmãos a permanecerem firmes no Senhor. Ele vai a Tarso buscar Saulo, e juntos ensinam em Antioquia durante um ano inteiro. Foi ali que, pela primeira vez, os discípulos foram chamados “cristãos”. A teologia reformada observa que o crescimento da Igreja é resultado direto da ação soberana de Deus, não do esforço humano. A palavra pregada, acompanhada pelo Espírito, produz fé e edificação.
A oferta para os irmãos da Judeia (v. 27-30):
Profetas vindos de Jerusalém anunciam uma grande fome. Ágabo prediz que isso acontecerá em todo o mundo. Então os discípulos, conforme as suas posses, decidem enviar socorro aos irmãos da Judeia, enviando-o pelas mãos de Barnabé e Saulo. Aqui se vê a comunhão dos santos e o fruto da fé verdadeira, que se manifesta em amor prático. A graça que salva também ensina a repartir e socorrer os necessitados.
Teologia reformada:
Atos 11 revela que a salvação é obra do Espírito, e a Igreja é o corpo visível dos eleitos de Deus, unidos em fé e amor. A expansão do Evangelho e a edificação dos crentes não dependem de estratégias humanas, mas do poder do Senhor que acrescenta os que hão de ser salvos.
ATOS 12: A PERSEGUIÇÃO DE HERODES E A LIBERTAÇÃO SOBERANA DE PEDRO.
Tópico central: Deus mostra Seu domínio sobre reis e prisões, libertando Seu servo e julgando os ímpios que resistem à Sua vontade.
Personagens principais: Pedro, Tiago, Herodes Agripa I, os guardas, os irmãos em Jerusalém, o anjo do Senhor.
Lugares principais: Jerusalém, Cesareia.
A morte de Tiago e a prisão de Pedro (v. 1-5):
Herodes Agripa I manda matar Tiago, irmão de João, à espada, e vendo que isso agrada aos judeus, prende também Pedro durante a festa dos pães asmos. Enquanto Pedro está preso, a Igreja faz contínua oração a Deus por ele. A teologia reformada ensina que, embora os justos sofram, o trono de Deus permanece firme. Nada escapa à providência divina, e até a morte dos santos é preciosa aos olhos do Senhor.
A libertação de Pedro (v. 6-19):
Na noite anterior ao julgamento, Pedro dorme entre dois soldados, acorrentado, quando um anjo do Senhor o desperta, faz cair as cadeias e o conduz para fora da prisão. Pedro pensa estar vendo uma visão, mas logo percebe que o Senhor o livrou da mão de Herodes. Ao chegar à casa de Maria, mãe de João Marcos, onde muitos oravam, é recebido com espanto e alegria. Este episódio demonstra a soberania de Deus sobre todas as circunstâncias. Ele responde às orações dos santos segundo o Seu conselho eterno. A libertação de Pedro é um testemunho da fidelidade divina e do poder da intercessão dos crentes.
A morte de Herodes (v. 20-25):
Herodes, exaltando-se em glória humana, é aclamado pelo povo como um deus. No mesmo instante, é ferido pelo anjo do Senhor e morre, porque não deu glória a Deus. Enquanto o ímpio perece, “a palavra de Deus crescia e se multiplicava”. A teologia reformada ressalta que Deus derruba os soberbos e exalta a Sua Palavra. Os reis da terra são pó diante d’Aquele que reina eternamente. Nenhum poder terreno pode frustrar os decretos de Deus.
Teologia reformada:
Atos 12 ensina que o Senhor governa soberanamente sobre a Igreja e sobre o mundo. Ele permite a morte de Tiago e a prisão de Pedro, mas em tudo cumpre Seus propósitos eternos. Sua providência é misteriosa, mas sempre sábia e justa. A vitória final pertence à Palavra de Deus, que jamais pode ser presa.
ATOS 13: O ENVIO DE PAULO E BARNABÉ E A EXPANSÃO DO EVANGELHO ENTRE AS NAÇÕES.
Tópico central: O Espírito Santo separa e envia os primeiros missionários, iniciando a propagação do Evangelho entre os gentios.
Personagens principais: Barnabé, Saulo (Paulo), João Marcos, Sérgio Paulo, Elimas, os judeus de Antioquia da Pisídia.
Lugares principais: Antioquia, Chipre, Perge, Antioquia da Pisídia.
O chamado missionário (v. 1-3):
Na igreja que estava em Antioquia havia profetas e mestres. Enquanto jejuavam e ministravam ao Senhor, o Espírito Santo disse: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Após orar e impor-lhes as mãos, a igreja os envia. A teologia reformada vê aqui o princípio da missão sob o governo do Espírito. É Ele quem chama, separa e envia. A Igreja apenas reconhece o chamado divino e participa em obediência.
A missão em Chipre e a conversão de Sérgio Paulo (v. 4-12):
Em Chipre, encontram o mágico Elimas, que tenta desviar o procônsul Sérgio Paulo da fé. Então Paulo, cheio do Espírito Santo, o repreende, e Elimas fica cego por algum tempo. O procônsul, vendo o milagre, crê, maravilhado com a doutrina do Senhor. A teologia reformada ensina que a conversão é resultado da Palavra acompanhada pelo poder do Espírito. Nenhum obstáculo humano pode impedir o avanço do Evangelho quando Deus determina salvar.
A pregação em Antioquia da Pisídia (v. 13-41):
Paulo prega na sinagoga, mostrando que Jesus é o cumprimento das promessas feitas a Davi. Fala da ressurreição como prova de que Ele é o Salvador prometido. Ele proclama: “Por este se vos anuncia a remissão dos pecados, e de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.” Aqui resplandece a doutrina da justificação pela fé, central à teologia reformada: o homem é declarado justo diante de Deus, não por obras, mas unicamente pela fé em Cristo.
A rejeição dos judeus e o avanço entre os gentios (v. 42-52):
Os gentios pedem que essas palavras lhes sejam repetidas no sábado seguinte, e muitos creem. Mas os judeus, movidos de inveja, contradizem e blasfemam. Então Paulo e Barnabé declaram: “Era necessário que a palavra de Deus vos fosse primeiramente pregada; mas visto que a rejeitais, voltamo-nos para os gentios.” Os gentios se alegram, e muitos creem, conforme está escrito: “Todos os que estavam ordenados para a vida eterna creram.” A teologia reformada ressalta esse versículo como uma das mais claras afirmações da eleição soberana. A fé não é causa da eleição, mas seu fruto. Crê quem Deus ordenou para a vida eterna.
Teologia reformada:
Atos 13 mostra o início do cumprimento da promessa de Deus a Abraão: em Cristo seriam benditas todas as famílias da terra. A missão não nasce da vontade humana, mas do decreto eterno de Deus. O Espírito chama, envia e garante os frutos. A justificação pela fé é proclamada como o coração do Evangelho, e a eleição soberana sustenta sua eficácia.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 11 a 13, a graça de Deus se manifesta em três dimensões: a inclusão dos gentios na Igreja, a proteção soberana do Senhor sobre Seus servos, e o envio missionário impulsionado pelo Espírito. A história avança segundo o plano redentor estabelecido desde a eternidade: Deus chama, converte, preserva e envia. A Igreja, sustentada pela graça, cresce e se espalha, mostrando que o Reino de Cristo não depende de poder humano, mas da palavra viva e eficaz de Deus.
TEXTO DEVOCIONAL.
O mesmo Espírito que guiou Pedro, Barnabé e Paulo continua guiando a Igreja hoje. A missão não é nossa, mas de Deus. Ele escolhe, capacita e envia Seus servos para anunciar Cristo aos perdidos. Quando tudo parece incerto, lembremos que o Senhor reina sobre prisões e reinos, e Sua Palavra jamais será presa. A Igreja floresce em meio à perseguição, e a graça triunfa sobre toda resistência.
ORAÇÃO.
Senhor soberano, que governas todas as coisas segundo o Teu conselho eterno, dá-nos o mesmo zelo dos primeiros crentes. Que possamos anunciar o Evangelho com fidelidade e coragem, confiando no poder do Teu Espírito. Preserva-nos da incredulidade e do medo, e faz-nos instrumentos do Teu Reino. Que o Teu nome seja glorificado entre as nações, e que todos os Teus eleitos sejam alcançados pela graça que salva. Em nome de Jesus. Amém.
Atos 11 a 13: A Igreja de Antioquia e o início das missões gentílicas está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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