Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 56

Pergunta 56: Qual é a razão anexa ao terceiro mandamento?

Resposta: A razão anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento possam escapar da punição dos homens, ainda assim o Senhor nosso Deus não permitirá que escapem do Seu justo juízo [1].

PROVAS BÍBLICAS.

[1] Deuteronômio 28:58-59; 1 Samuel 3:13; 4:11.

Comentário.

O Terceiro Mandamento proíbe tomar o nome do Senhor nosso Deus em vão. Em termos amplos, isso significa que ele proíbe qualquer uso irreverente e incorreto das coisas pelas quais Deus Se dá a conhecer, incluindo Seus nomes e títulos, Suas obras de criação e providência, e Suas ordenanças. Não é difícil perceber que este mandamento é de grande alcance e toca a conduta e a atitude dos homens em quase todas as esferas. Também não é difícil ver como este mandamento é tão facil e frequentemente quebrado por homens ímpios, a ponto de poucos se importarem ao ver alguém transgredi-lo. Além disso, na história humana, as autoridades civis muitas vezes são compostas de homens profanos e perversos, ou ateus, que não têm respeito algum pelo nome de Deus. Por essa razão, a violação do Terceiro Mandamento raramente acarreta punição civil, a menos que envolva dano a outra pessoa na sociedade, como no caso do perjúrio.

É por essa razão, ao que tudo indica, que o Senhor acrescenta um anexo a este mandamento: “Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu deus, então o Senhor fará espantosas as tuas pragas, e as pragas de tua descendência, grandes e permanentes pragas, e enfermidades malignas e duradouras” (Deuteronômio 28:58-59). Mas, se o Senhor deixar de punir nesta vida, ainda assim o transgressor certamente não escapará da ira eterna de Deus no porvir.

O verdadeiro filho de Deus, cujos pecados já foram pagos por Cristo, pode, por causa da corrupção remanescente, quebrar este mandamento. É claro que Deus não punirá novamente a mesma ofensa pela qual Cristo já foi punido. Mas o filho de Deus deve compreender duas coisas: primeiro, Deus pode, às vezes, disciplinar Seus filhos para o seu próprio bem. Essa disciplina frequentemente ocorre por meio das consequências naturais do pecado cometido. Segundo, qualquer pessoa que professe crer, mas toma habitualmente o nome de Deus em vão, de modo evidente não pode ser um verdadeiro crente.

Além do juramento falso ou blasfêmia aberta, este mandamento também abrange a maneira como tratamos a Palavra de Deus, a oração, os sacramentos e tudo aquilo que está diretamente ligado à Sua glória. Participar dos cultos com frieza, cantar louvores sem o coração, orar apenas com os lábios, usar o nome de Deus para fins egoístas ou levianos – tudo isso constitui, de algum modo, tomar o Nome do Senhor em vão. Até mesmo o ensino das Escrituras, se feito sem fidelidade ou com motivações torpes, é uma grave violação desse mandamento.

Da mesma forma, quando alguém diz crer em Deus, mas vive de maneira contrária ao evangelho, acaba desonrando o Nome que professa. A vida incoerente de um cristão nominal pode fazer com que o mundo escarneça de Deus e de Sua verdade. Por isso, o Terceiro Mandamento não diz respeito apenas às palavras que pronunciamos, mas também à coerência entre o que dizemos crer e a maneira como vivemos. Onde não há temor do Senhor, o nome de Deus se torna apenas uma palavra vazia, usada conforme a conveniência.

Em contraste, aqueles que amam verdadeiramente o Senhor se esforçam por santificar o Seu nome em todas as coisas. Oram como Cristo ensinou: “Santificado seja o teu nome”, e buscam viver de forma que Deus seja honrado em suas palavras, atitudes, trabalhos e relacionamentos. Tal reverência não é fruto de mero formalismo religioso, mas nasce de um coração regenerado que reconhece a grandeza, a majestade e a santidade de Deus.

Conclusão.

O Terceiro Mandamento nos chama a uma vida de profunda reverência e temor diante de Deus. Não se trata apenas de evitar palavras profanas, mas de viver de forma que o nome do Senhor seja honrado, amado e exaltado. Em um mundo que banaliza o sagrado, o cristão é chamado a distinguir-se pela santidade no falar, no agir e no viver. Que o Espírito Santo nos conduza a uma piedade sincera, para que, em tudo, o nome de Deus seja glorificado e jamais tomado em vão.

Perguntas.

1. O que significa, de forma abrangente, “tomar o nome do Senhor em vão”, segundo o Terceiro Mandamento?

2. Por que a violação do Terceiro Mandamento raramente é punida pelas autoridades civis, e de que forma Deus responde a essa negligência?

3. Como o verdadeiro crente pode, mesmo salvo por Cristo, ainda transgredir este mandamento, e qual é a diferença entre punição e disciplina divina?

4. De que maneira atitudes como orar sem sinceridade, louvar sem o coração ou usar o nome de Deus com intenções egoístas violam este mandamento?

5. Por que viver de forma incoerente com a fé professada também é considerado tomar o nome de Deus em vão?

6. Como aqueles que realmente amam a Deus demonstram reverência ao Seu nome, e de que maneira a oração “santificado seja o Teu nome” se relaciona com esse mandamento?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 56 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em novembro de 2025. Publicado originalmente em 26 de junho de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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