JOÃO 19: A CRUCIFICAÇÃO E MORTE DE JESUS.
Tópico central: Cristo é condenado injustamente, crucificado e sepultado, cumprindo as Escrituras e consumando a redenção dos eleitos.
Personagens principais: Jesus, Pilatos, os principais sacerdotes, Maria, João, José de Arimateia, Nicodemos.
Lugares principais: Pretório de Pilatos, Gólgota, jardim do sepulcro.
A condenação e a zombaria (v. 1-16):
Pilatos, pressionado pelos judeus, manda açoitar Jesus. Os soldados colocam-Lhe uma coroa de espinhos e um manto de púrpura, escarnecendo dEle: “Salve, Rei dos judeus”. Apesar de reconhecer Sua inocência, Pilatos cede ao clamor do povo: “Crucifica-O, crucifica-O”. O governador romano lava as mãos da responsabilidade, mas a Escritura revela que tudo ocorria conforme o decreto eterno de Deus. A teologia reformada afirma que a morte de Cristo não foi um acidente histórico, mas o cumprimento do plano redentor determinado pelo Pai antes da fundação do mundo.
A crucificação (v. 17-30):
Carregando a Sua cruz, Jesus sai para o lugar chamado “da Caveira”, em hebraico Gólgota. Ali é crucificado entre dois malfeitores. Acima da cruz está a inscrição: “Jesus Nazareno, Rei dos judeus”. Os soldados repartem Suas vestes e lançam sortes sobre Sua túnica, “para que se cumprisse a Escritura”. Aos pés da cruz estão Sua mãe, Maria, e o discípulo amado. Jesus diz: “Mulher, eis aí o teu filho”, e a João: “Eis aí a tua mãe”. Em seguida, declara: “Tenho sede”, e depois de receber o vinagre, proclama: “Está consumado”. Inclinando a cabeça, entrega o espírito. Essas palavras selam a vitória da redenção. A obra da salvação é completa, perfeita e irreversível. Cristo satisfez plenamente a justiça divina, tornando-Se o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
O sepultamento (v. 31-42):
Os soldados não quebram as pernas de Jesus, pois Ele já estava morto, mas um deles fere Seu lado com uma lança, e “logo saiu sangue e água”. Este sinal testifica a realidade da morte e a purificação que flui do sacrifício do Salvador. José de Arimateia e Nicodemos envolvem o corpo em lençóis com aromas e o colocam em um sepulcro novo, em um jardim. A teologia reformada vê nesse ato o cuidado providencial de Deus em honrar o corpo do Seu Filho e preparar o cenário da ressurreição. O sangue e a água simbolizam a justificação e a santificação que procedem de Cristo.
Teologia reformada:
João 19 apresenta o ápice da obra redentora. Cristo, o Justo, sofre no lugar dos injustos. Sua entrega é voluntária e eficaz. “Está consumado” é a declaração da plena expiação dos pecados. Nenhuma parte da salvação depende da vontade humana; tudo é consumado pela obediência do Filho e aplicado pelo Espírito. A cruz é o trono do Rei e o altar da reconciliação.
JOÃO 20: A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A FÉ DOS DISCÍPULOS.
Tópico central: O túmulo vazio revela o triunfo de Cristo sobre a morte. O Senhor ressuscitado se manifesta aos discípulos, fortalecendo a fé e concedendo o Espírito Santo.
Personagens principais: Jesus, Maria Madalena, Pedro, João, Tomé, os discípulos.
Lugares principais: Jardim do sepulcro, Jerusalém.
O túmulo vazio (v. 1-10):
Maria Madalena vai ao sepulcro e vê que a pedra fora removida. Corre a Pedro e João, que entram e veem os lençóis postos ali. João “viu e creu”. A ressurreição é a confirmação divina da obra consumada na cruz. Pela fé, o crente reconhece que a morte foi vencida e que Cristo vive eternamente.
A aparição a Maria Madalena (v. 11-18):
Chorando junto ao túmulo, Maria ouve a voz do Senhor: “Maria!”. Ao reconhecê-Lo, Jesus diz: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para Meu Pai; mas vai para Meus irmãos e dize-lhes que subo para Meu Pai e vosso Pai”. Aqui vemos a ternura e a autoridade do Redentor ressuscitado. Ele chama os crentes de irmãos, mostrando a adoção espiritual concedida por Sua obra. A ressurreição inaugura uma nova relação: o Pai de Cristo é agora o Pai dos que nEle creem.
As aparições aos discípulos (v. 19-29):
No primeiro dia da semana, Jesus aparece entre os discípulos e diz: “Paz seja convosco”. Sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo”. Tomé, ausente na primeira aparição, duvida, mas depois confessa: “Senhor meu, e Deus meu”. A fé não é fruto do ver, mas do ouvir a Palavra de Cristo. “Bem-aventurados os que não viram e creram.” A teologia reformada ensina que a fé salvadora é dom de Deus, operada pelo Espírito através da Palavra. O Cristo ressuscitado é a fonte e o autor dessa fé.
O propósito do Evangelho (v. 30-31):
“Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome”. O Evangelho de João é um testemunho inspirado para a vida eterna. A fé verdadeira repousa na revelação de Cristo e não em sinais ou emoções humanas.
Teologia reformada:
João 20 proclama a ressurreição como o selo da justificação. Cristo venceu a morte e garante a ressurreição dos crentes. A fé é dom soberano, e a paz que Cristo concede é fruto de Sua vitória. O envio do Espírito é a promessa cumprida da nova criação. O mesmo sopro que deu vida a Adão agora vivifica os eleitos em Cristo.
JOÃO 21: A RESTAURAÇÃO DE PEDRO E A MISSÃO DOS DISCÍPULOS.
Tópico central: O Cristo ressuscitado se manifesta aos discípulos no mar da Galileia, restaura Pedro e confirma a missão apostólica.
Personagens principais: Jesus, Pedro, João, Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu.
Lugares principais: Mar de Tiberíades (Galileia).
A pesca milagrosa (v. 1-14):
Os discípulos pescam durante a noite e nada apanham. Pela manhã, Jesus aparece na praia e ordena: “Lançai a rede à direita do barco”. Ao obedecerem, colhem grande quantidade de peixes. João reconhece: “É o Senhor”. Pedro, impetuoso, lança-se ao mar para ir ao encontro de Jesus. Cristo prepara uma refeição e os chama à comunhão. O ressuscitado é o mesmo Senhor que provê, dirige e sustenta Seus servos. A teologia reformada vê nessa cena o retrato da missão da Igreja: sem Cristo, nada se alcança; com Ele, há abundância espiritual e comunhão restaurada.
A restauração de Pedro (v. 15-19):
Três vezes Jesus pergunta: “Simão, filho de Jonas, amas-Me?”. Pedro responde afirmativamente, e o Senhor lhe ordena: “Apascenta as Minhas ovelhas”. A tríplice confissão reverte a tríplice negação. O pastor restaurado é chamado a cuidar do rebanho de Cristo, não por mérito, mas por graça. Jesus ainda revela: “Quando fores velho, estenderás as tuas mãos”, anunciando a forma de sua morte. A restauração é obra da graça soberana. Cristo não apenas perdoa, mas comissiona o pecador arrependido para servi-Lo fielmente.
O testemunho de João e o chamado à fidelidade (v. 20-25):
Pedro, ao ver João, pergunta sobre o seu destino. Jesus responde: “Se Eu quero que ele fique até que Eu venha, que te importa a ti? Segue-Me tu”. A ênfase recai sobre o chamado pessoal e a obediência individual a Cristo. Cada discípulo tem seu caminho determinado pela providência divina. João encerra afirmando: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez, e se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escreveriam”.
Teologia reformada:
João 21 demonstra que a graça de Cristo é restauradora e irresistível. Aquele que negou o Senhor é reerguido e enviado como pastor. A soberania de Cristo governa até os detalhes da vocação e da morte de Seus servos. O amor por Cristo é a base do ministério fiel. O Evangelho termina com a certeza de que a revelação de Jesus é suficiente para a fé e a vida eterna.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 19 a 21, João apresenta o clímax e a consumação do Evangelho: o Cordeiro sacrificado, o Redentor ressuscitado e o Senhor que restaura. Cristo é o cumprimento de toda a promessa da aliança. Na cruz, Ele satisfez a justiça divina; na ressurreição, inaugurou a nova criação; e na restauração, demonstrou a eficácia da graça. A teologia reformada vê nestes capítulos o fundamento da fé cristã: a morte substitutiva, a ressurreição vitoriosa e a graça perseverante. A salvação é de Deus, por meio de Cristo, aplicada pelo Espírito. A cruz, o túmulo vazio e a praia da Galileia são testemunhos de um mesmo amor soberano. Cristo é o Cordeiro que morreu, o Senhor que vive e o Pastor que restaura.
TEXTO DEVOCIONAL.
Diante da cruz, aprendemos que o amor de Cristo é mais profundo que o pecado. Diante do túmulo vazio, descobrimos que Sua vida é mais forte que a morte. Diante da restauração de Pedro, percebemos que Sua graça é maior que nossa queda. O crente é chamado a viver cada dia na certeza do “Está consumado”. O Cristo ressuscitado continua chamando: “Segue-Me tu”. A fé verdadeira obedece, confia e permanece, porque foi sustentada por Aquele que venceu o mundo e vive eternamente.
ORAÇÃO.
Senhor Jesus, Cordeiro que foi morto e vive para sempre, louvamos-Te porque consumaste nossa redenção e triunfaste sobre a morte. Fortalece nossa fé para crermos sem ver, e ensina-nos a Te amar como Pedro, com um coração restaurado pela Tua graça. Espírito Santo, aplica em nós a paz do Cristo ressuscitado e faz-nos pescadores de homens, fiéis até o fim. Em nome de Jesus. Amém.

João 19 a 21: A crucificação, ressurreição e restauração de Cristo está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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