João 17 e 18: A oração sacerdotal e o início da paixão de Cristo.

JOÃO 17: A ORAÇÃO SACERDOTAL DE JESUS.

Tópico central: Jesus ora ao Pai por Si mesmo, pelos discípulos e por todos os que crerão nEle. Esta oração revela a comunhão eterna entre o Pai e o Filho e a segurança dos eleitos na aliança da graça.

Personagens principais: Jesus, o Pai, os discípulos.

Lugares principais: Caminho para o Getsêmani.

A oração por Si mesmo (v. 1-5):

“Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique”. Jesus ora não por vaidade, mas pela consumação da obra redentora. A glória que Ele pede é a que possuía junto ao Pai antes da fundação do mundo. A teologia reformada entende que essa petição expressa a eternidade e a divindade do Filho. Cristo não busca uma nova glória, mas o retorno à glória eterna após cumprir o propósito da redenção.

A oração pelos discípulos (v. 6-19):

Jesus declara: “Manifestei o Teu nome aos homens que do mundo Me deste”. Os discípulos pertencem ao Pai e foram entregues ao Filho. Ele intercede por eles, não pelo mundo, mas pelos que o Pai Lhe deu. Essa distinção mostra a eleição soberana: Cristo ora especificamente pelos Seus. Ele pede que sejam guardados em unidade e santificados na verdade: “A Tua palavra é a verdade”. A santificação, segundo a teologia reformada, é fruto da graça que separa os crentes do mundo e os conforma à imagem de Cristo. A Palavra é o instrumento pelo qual o Espírito realiza essa obra.

A oração por todos os crentes (v. 20-26):

“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em Mim”. Cristo ora pelos futuros crentes, unindo todos em comunhão espiritual. Ele pede que todos sejam um, “assim como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti”. Essa unidade é espiritual, não institucional, e se manifesta na comunhão com Cristo. A oração termina com o desejo de que os Seus vejam Sua glória: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo”. Aqui se revela a segurança eterna dos santos. A salvação é completa e garantida pela intercessão eficaz de Cristo, o Sumo Sacerdote celestial.

Teologia reformada:

João 17 é o coração da teologia da aliança. O Filho ora com perfeita submissão à vontade do Pai, assegurando a preservação e a glorificação dos eleitos. A oração sacerdotal mostra que a redenção é particular e eficaz; Cristo intercede apenas por aqueles que Lhe foram dados. A unidade dos crentes é o resultado da eleição e da santificação pela verdade. A oração de Cristo não pode falhar: todos os que o Pai Lhe deu serão guardados até o fim e verão a Sua glória eterna.

JOÃO 18: A TRAIÇÃO, A PRISÃO E O JULGAMENTO DE JESUS.

Tópico central: Jesus é traído por Judas, preso no Getsêmani e levado a julgamento. Mesmo diante da injustiça dos homens, Ele se entrega voluntariamente segundo o plano soberano de Deus.

Personagens principais: Jesus, Judas Iscariotes, Pedro, Anás, Caifás, Pilatos, os discípulos.

Lugares principais: Getsêmani, casa de Anás, palácio de Caifás, pretório de Pilatos.

A prisão no Getsêmani (v. 1-11):

Jesus atravessa o ribeiro de Cedrom com os discípulos e entra num jardim. Judas, conhecendo o lugar, chega com soldados e oficiais. Ao ser questionado, Jesus responde: “Sou Eu”. Com essa palavra, todos recuam e caem por terra, revelando Sua autoridade divina. Mesmo sendo o alvo da traição, Cristo protege os Seus: “Deixai ir estes”. Pedro, impulsivo, fere o servo do sumo sacerdote, mas Jesus o repreende: “Não beberei Eu o cálice que o Pai Me deu?”. A teologia reformada vê aqui o cumprimento do decreto eterno de Deus. Cristo aceita voluntariamente o cálice da ira divina em favor dos eleitos, cumprindo Sua missão redentora.

O julgamento religioso (v. 12-27):

Jesus é levado a Anás e depois a Caifás. Enquanto isso, Pedro O segue de longe e, por medo, nega o Senhor três vezes, cumprindo a profecia. Jesus é interrogado e responde com dignidade: “Eu falei abertamente ao mundo”. Um dos guardas O fere, mas Ele não revida. A fidelidade de Cristo contrasta com a fraqueza humana. Mesmo diante da traição e da negação, Ele permanece firme, revelando que a salvação não depende da constância dos discípulos, mas da obediência perfeita do Redentor.

O julgamento diante de Pilatos (v. 28-40):

Jesus é entregue aos romanos, e Pilatos O interroga: “Tu és o Rei dos judeus?” Cristo responde: “O Meu reino não é deste mundo”. Seu reinado é espiritual e soberano, não baseado em armas nem em política. Pilatos, temendo o povo, tenta libertá-Lo, mas os judeus clamam: “Não este homem, mas Barrabás”. A rejeição do verdadeiro Rei revela a cegueira do pecado e o cumprimento das Escrituras. Cristo, o inocente, é entregue para morrer em lugar dos culpados.

Teologia reformada:

João 18 mostra o domínio absoluto de Cristo sobre todos os eventos da paixão. Ele não é vítima, mas soberano. Tudo ocorre conforme o decreto divino para a redenção dos eleitos. A entrega voluntária do Filho, a negação de Pedro e a injustiça de Pilatos demonstram a incapacidade humana e a necessidade da graça soberana. O “reino que não é deste mundo” é o governo espiritual de Cristo sobre o coração dos redimidos. Nenhum poder terreno pode frustrar os desígnios do Rei eterno.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Nos capítulos 17 e 18, João apresenta o contraste entre a glória celestial e a humilhação terrena de Cristo. No capítulo 17, o Filho intercede por Seu povo, selando a certeza da salvação. No capítulo 18, Ele se entrega voluntariamente à morte, cumprindo a vontade do Pai. A teologia reformada vê nestes capítulos a perfeita harmonia entre soberania e sacrifício: Cristo é o Sacerdote que ora e o Cordeiro que se entrega. A eleição, a santificação e a perseverança dos santos estão fundamentadas nessa oração e nessa entrega. A cruz não é derrota, mas obediência gloriosa. O Reino de Cristo não é terreno, mas eterno, e Seu triunfo se manifesta na fidelidade do Pai à Sua promessa. Cristo é o intercessor que garante nossa salvação e o Rei que reina mesmo na humilhação.

TEXTO DEVOCIONAL.

A oração de Jesus por nós antes da cruz é o maior consolo do crente. Ele intercedeu por aqueles que o Pai Lhe deu e continua a interceder. Mesmo quando falhamos, como Pedro, somos sustentados pela fidelidade do Salvador. No jardim e no tribunal, Jesus demonstra que nada foge ao Seu controle. O mundo o rejeita, mas Ele permanece Rei.
Nos momentos de provação, lembramos: o mesmo Cristo que orou “guarda-os no Teu nome” é o que nos sustenta até o fim. Sua intercessão nunca falha, e Sua entrega nos garante vida eterna.

ORAÇÃO.

Senhor Jesus, nosso Sumo Sacerdote e Rei eterno, agradecemos-Te por intercederes por nós e por Te entregares voluntariamente para nos salvar. Guarda-nos na Tua verdade e santifica-nos pela Tua Palavra. Faz-nos permanecer fiéis em meio às provas, lembrando que o Teu Reino não é deste mundo. Espírito Santo, aplica em nossos corações a certeza de que fomos amados antes da fundação do mundo e guardados pela oração do Filho. Em nome de Jesus. Amém.


João 17 e 18: A oração sacerdotal e o início da paixão de Cristo está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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