ATOS 7: O TESTEMUNHO E O MARTÍRIO DE ESTÊVÃO.
Tópico central: Estêvão proclama a fidelidade de Deus e a rebeldia de Israel, culminando em seu martírio como o primeiro testemunho de sangue da Igreja.
Personagens principais: Estêvão, o Sinédrio, Moisés, Abraão, José, Saul.
Lugares principais: Jerusalém, Egito, Harã, Canaã.
O discurso de Estêvão (v. 1-53):
Diante do Sinédrio, Estêvão faz uma defesa que é, ao mesmo tempo, uma exposição da história redentora. Ele relembra a aliança com Abraão, a providência de Deus sobre José e a libertação por meio de Moisés. Cada episódio aponta para a fidelidade divina e a constante infidelidade de Israel. Abraão obedeceu pela fé, partindo sem saber para onde ia. José foi vendido por inveja, mas Deus o exaltou e o usou para preservar Seu povo. Moisés foi rejeitado pelos seus irmãos, mas foi levantado por Deus como libertador. Estêvão demonstra que os israelitas sempre resistiram aos enviados de Deus e que o templo e a lei haviam se tornado ídolos, eclipsando a verdadeira adoração. Ele declara: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais”. A teologia reformada reconhece neste discurso a exposição da história da redenção como uma sequência de atos soberanos de Deus, mostrando Sua graça diante da constante rebeldia humana. A depravação total é claramente vista na rejeição dos profetas e do próprio Cristo, o Justo.
O martírio de Estêvão (v. 54-60):
Ao ouvir tais palavras, os membros do Sinédrio rangem os dentes, mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olha para o céu e vê a glória de Deus e Jesus em pé à direita do Pai.
Enquanto é apedrejado, ele ora: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. E ainda intercede pelos seus algozes, dizendo: “Senhor, não lhes imputes este pecado”. Saulo, que mais tarde seria Paulo, está presente e consente na morte dele. A teologia reformada enxerga neste momento o primeiro mártir da Igreja como testemunha da perseverança dos santos. A fé verdadeira não depende das circunstâncias, mas da união vital com Cristo glorificado. A soberania de Deus se manifesta até na morte dos Seus servos, que entram na glória conforme o conselho eterno do Pai.
Teologia reformada:
Atos 7 revela a fidelidade de Deus em meio à infidelidade humana. O discurso de Estêvão é uma exposição da história da aliança, mostrando que o propósito redentor de Deus jamais falha, mesmo quando os homens resistem. A morte de Estêvão não é derrota, mas triunfo. Ele vê o céu aberto porque Cristo reina. O sangue do mártir se torna a semente da Igreja.
ATOS 8: A EXPANSÃO DO EVANGELHO EM MEIO À PERSEGUIÇÃO.
Tópico central: A perseguição dispersa os crentes e faz o Evangelho avançar para a Samaria e além, cumprindo o propósito soberano de Deus.
Personagens principais: Saulo, Filipe, Simão, o eunuco etíope, Pedro, João.
Lugares principais: Jerusalém, Samaria, estrada de Gaza.
A perseguição e a dispersão (v. 1-4):
Após a morte de Estêvão, levanta-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém, e todos, exceto os apóstolos, são dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria. Saulo assola a Igreja, entrando pelas casas e prendendo homens e mulheres. Os que foram dispersos, contudo, “iam por toda parte anunciando a palavra”. A teologia reformada vê aqui a providência divina transformando o mal em bem. O que os homens intentaram para destruir a Igreja, Deus usou para espalhar o Evangelho. A perseguição se torna instrumento da missão.
A pregação de Filipe em Samaria (v. 5-25):
Filipe desce à cidade de Samaria e prega a Cristo. Muitos creem, e há grande alegria na cidade. Entre os convertidos está Simão, um antigo mágico, que antes enganava o povo, dizendo ser alguém grande. Pedro e João são enviados de Jerusalém, e, ao orarem, os samaritanos recebem o Espírito Santo. Simão tenta comprar o poder espiritual, e Pedro o repreende severamente: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro”. A teologia reformada entende que o Espírito Santo é dom soberano, não concedido por mérito nem por manipulação humana. A conversão genuína é obra divina, e a fé falsa, como a de Simão, revela o engano do coração não regenerado.
O encontro de Filipe com o eunuco (v. 26-40):
Um anjo do Senhor envia Filipe ao caminho que desce de Jerusalém a Gaza. Lá ele encontra um eunuco etíope, oficial de Candace, que lia o profeta Isaías. Filipe pergunta: “Entendes tu o que lês?”. O eunuco responde: “Como poderei, se alguém não me ensinar?”. Filipe, começando por Isaías 53, anuncia-lhe Jesus, o Servo sofredor. O homem crê e é batizado. Após o batismo, o Espírito arrebata Filipe, e o eunuco segue o seu caminho jubiloso. Este episódio demonstra a eleição e o chamado eficaz. Deus conduz o missionário e o ouvinte para o encontro determinado pela Sua vontade. O Espírito opera soberanamente na conversão e na iluminação da Palavra.
Teologia reformada:
Atos 8 revela que o Evangelho é movido pela providência e pelo poder do Espírito Santo. A perseguição, as viagens e os encontros não são acidentais, mas expressões do plano redentor de Deus. A salvação é pessoal, eficaz e irresistível. O eunuco é um exemplo da graça que atravessa fronteiras e alcança as nações. O Espírito dirige a missão da Igreja conforme o decreto eterno do Pai.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 7 e 8, vemos a transição de Jerusalém para o mundo. O martírio de Estêvão inaugura o testemunho de sangue e a expansão do Evangelho. Cristo, exaltado à direita de Deus, continua a agir pela Palavra e pelo Espírito, conduzindo a Igreja em meio à perseguição. A teologia reformada reconhece que nada escapa ao decreto de Deus. Até o sofrimento dos santos e a dispersão dos crentes servem à propagação da graça. A soberania divina é o motor da missão e o consolo da Igreja perseguida.
TEXTO DEVOCIONAL.
A morte de Estêvão nos lembra que o olhar da fé vê além das pedras: vê o céu aberto e Cristo em glória. A dispersão da Igreja mostra que Deus transforma aflições em oportunidades para o avanço do Seu Reino. O Espírito Santo continua conduzindo os passos dos servos fiéis, abrindo caminhos e corações. A fé verdadeira é sustentada pelo Cristo vivo, que está à direita do Pai e intercede por nós.
ORAÇÃO.
Senhor soberano, que diriges a história e governa todas as coisas segundo o Teu conselho eterno, fortalece-nos para permanecer fiéis como Estêvão. Dá-nos coragem em meio às perseguições e sabedoria para pregar o Evangelho em todo lugar. Espírito Santo, guia-nos como guiastes Filipe, para que sejamos instrumentos da graça eficaz que salva. Que o Teu Reino avance, e que a Tua glória seja vista entre as nações. Em nome de Jesus. Amém.

Atos 7 e 8: O martírio de Estêvão e a expansão do Evangelho para fora de Jerusalém está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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