ATOS 1: A ASCENSÃO DE CRISTO E A PREPARAÇÃO DOS DISCÍPULOS.
Tópico central: O Senhor ressuscitado confirma Suas promessas, ascende ao céu e orienta os discípulos a aguardarem o poder do Espírito Santo.
Personagens principais: Jesus, os apóstolos, Maria, os irmãos do Senhor, Matias.
Lugares principais: Jerusalém, Monte das Oliveiras, cenáculo.
A promessa do Espírito (v. 1-8):
Lucas retoma sua narrativa, recordando “tudo quanto Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar”. Antes de subir ao céu, o Senhor instrui os discípulos a não se ausentarem de Jerusalém, mas a esperarem “a promessa do Pai”, o batismo com o Espírito Santo. Quando perguntam se restauraria o reino a Israel, Jesus responde: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai pôs em Seu próprio poder”. Ele redireciona a esperança dos discípulos, mostrando que o reino não seria político, mas espiritual. “Recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas em Jerusalém, e em toda a Judeia, e Samaria, e até aos confins da terra”. A teologia reformada reconhece que aqui se estabelece a missão universal da Igreja, impulsionada não pela força humana, mas pela operação soberana do Espírito Santo.
A ascensão de Cristo (v. 9-11):
Ditas estas palavras, Jesus é elevado às alturas e uma nuvem O oculta dos olhos dos discípulos. Dois anjos aparecem e declaram: “Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir”. A ascensão marca o início do reinado celestial de Cristo, que se assenta à direita do Pai como Mediador e Rei dos reis. O retorno prometido garante a consumação do plano redentor.
A escolha de Matias (v. 12-26):
Os discípulos retornam a Jerusalém e se reúnem em oração unânime, com as mulheres e com Maria, mãe de Jesus. Pedro toma a palavra e explica a necessidade de substituir Judas Iscariotes, “que se fez guia daqueles que prenderam Jesus”. Matias é escolhido por sorteio, após oração pedindo que o Senhor mostrasse “qual destes dois tem escolhido”. A Igreja primitiva manifesta sua confiança na soberania de Deus, reconhecendo que somente Ele escolhe e estabelece os Seus servos.
Teologia reformada:
Atos 1 revela o início da Igreja sob a autoridade de Cristo exaltado. A ascensão não é ausência, mas presença mediada pelo Espírito. Cristo reina e intercede pelos Seus. O governo de Deus dirige todas as decisões e prepara o cenário para o Pentecostes. A Igreja depende totalmente do Espírito para cumprir sua missão e proclamar o Evangelho até os confins da terra.
ATOS 2: O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO E O NASCIMENTO DA IGREJA.
Tópico central: O Espírito Santo é derramado sobre os discípulos, cumprindo as promessas de Cristo e inaugurando a era da Igreja.
Personagens principais: Pedro, os apóstolos, os judeus de várias nações.
Lugares principais: Jerusalém.
O Pentecostes (v. 1-13):
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, todos estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um som como de um vento impetuoso e encheu toda a casa. Línguas repartidas, como que de fogo, pousaram sobre cada um, e todos foram cheios do Espírito Santo, falando em outras línguas conforme o Espírito lhes concedia. Judeus de todas as nações ouvem as grandezas de Deus em seus próprios idiomas e se maravilham. A teologia reformada interpreta o Pentecostes como o cumprimento das promessas de Cristo (João 14-16), marcando o início da nova aliança e a habitação permanente do Espírito nos crentes. O fogo simboliza purificação e poder divino.
O sermão de Pedro (v. 14-36):
Pedro, cheio do Espírito, levanta-se e proclama: “Isto é o que foi dito pelo profeta Joel”, anunciando que nos últimos dias Deus derramaria do Seu Espírito sobre toda carne. Ele prega a Jesus de Nazaré, aprovado por Deus com milagres, entregue segundo o conselho e presciência de Deus, crucificado pelos homens, mas ressuscitado pelo Pai. “Este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas”. Pedro declara ainda: “Exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que agora vedes e ouvis”. A teologia reformada destaca aqui a soberania divina na crucificação (“segundo o determinado conselho de Deus”) e o triunfo do Cristo ressurreto como Cabeça da Igreja.
A conversão e o batismo (v. 37-47):
Compungidos em seu coração, os ouvintes perguntam: “Que faremos, varões irmãos?”. Pedro responde: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados”. Cerca de três mil almas são acrescentadas naquele dia. Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. A Igreja vive em unidade, partilhando o que tem, com temor e alegria. A teologia reformada vê nesse início da Igreja o fruto da graça irresistível do Espírito e a manifestação visível dos eleitos sendo chamados eficazmente para a comunhão com Cristo.
Teologia reformada:
Atos 2 mostra que o Espírito Santo é o agente da regeneração e da expansão do Evangelho. A conversão é resposta à ação soberana de Deus, que vivifica os corações e reúne os que haviam sido destinados à vida eterna. A Igreja nasce sob a Palavra, centrada na pregação, nos sacramentos e na comunhão. O Pentecostes é o selo da promessa e o início da missão mundial do reino de Cristo.
ATOS 3: A CURA DO COXO E A SEGUNDA PREGAÇÃO DE PEDRO.
Tópico central: O poder do Cristo ressuscitado é manifestado na cura de um homem coxo e na proclamação do arrependimento para a remissão dos pecados.
Personagens principais: Pedro, João, o coxo, o povo de Jerusalém.
Lugares principais: Porta Formosa do templo, pátio do templo.
A cura do coxo (v. 1-10):
Pedro e João sobem ao templo à hora da oração e encontram um homem coxo de nascença, que pedia esmolas à porta chamada Formosa. Pedro diz: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda”. O homem é curado instantaneamente, salta e louva a Deus, entrando com eles no templo. Todo o povo fica maravilhado. A teologia reformada entende essa cura como um sinal autêntico da autoridade de Cristo atuando por meio dos apóstolos, confirmando a mensagem do Evangelho. O poder não está nos homens, mas no nome de Jesus.
O sermão de Pedro (v. 11-26):
O povo corre, admirado, e Pedro declara: “Por que olhais para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem?”. Ele afirma que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó glorificou a Seu Filho Jesus, que fora entregue e morto, mas que Deus ressuscitou dentre os mortos. “E pela fé em Seu nome fez o Seu nome este homem forte, o qual vedes e conheceis”. Pedro chama o povo ao arrependimento: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados”. Ele recorda as promessas feitas a Abraão: “Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra”. Assim, Cristo é apresentado como o cumprimento da aliança e o verdadeiro Messias de Israel.
Teologia reformada:
Atos 3 enfatiza que a fé salvadora é dom de Deus, operada pelo Espírito mediante a pregação de Cristo. A cura do coxo aponta para a restauração espiritual que o Evangelho realiza. A pregação apostólica é cristocêntrica, bíblica e confronta o pecado, chamando ao arrependimento. Cristo é o Servo exaltado, o Profeta prometido e a semente da aliança. A graça que cura também perdoa e renova o coração.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nos capítulos 1 a 3 de Atos, a Igreja é formada, ungida e enviada sob o senhorio de Cristo exaltado. O Espírito Santo é derramado como cumprimento da promessa eterna, e o Evangelho começa a alcançar as nações. A teologia reformada vê neste início o desdobramento do plano redentor decretado antes da fundação do mundo: Cristo reina, o Espírito vivifica e o Pai reúne os Seus eleitos. Cada evento (a ascensão, o Pentecostes e a cura do coxo) revela a ação soberana da Trindade na edificação da Igreja e na propagação da fé. Cristo reina do céu, o Espírito opera na terra, e o Pai chama os Seus pela Palavra da verdade.
TEXTO DEVOCIONAL.
O Cristo ascendido continua reinando e intercedendo pelos Seus. O Espírito Santo, derramado sobre a Igreja, capacita cada crente a viver e testemunhar com poder. O nome de Jesus ainda cura os coxos da alma e levanta os abatidos. A fé não é produzida pelo esforço humano, mas concedida pela graça. Assim como Pedro e João, somos chamados a oferecer o que o mundo não tem: o Evangelho que transforma e dá vida eterna.
ORAÇÃO.
Senhor Jesus, exaltado à direita do Pai, louvamos-Te porque governas todas as coisas e sustentas a Tua Igreja com o poder do Teu Espírito. Espírito Santo, renova em nós o ardor do Pentecostes e faz-nos testemunhas fiéis do Evangelho. Pai eterno, cumpre em nossos dias o Teu propósito soberano, chamando muitos ao arrependimento e à fé em Teu Filho. Em nome de Jesus. Amém.

Atos 1 a 3: A ascensão de Cristo, o derramamento do Espírito e o poder do Evangelho está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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