Lucas 14 a 16: O discipulado verdadeiro, a graça soberana e o juízo divino.

LUCAS 14: O CHAMADO AO DISCIPULADO E A HUMILDADE NO REINO.

Tópico central: Jesus ensina sobre a humildade, a compaixão e o custo do verdadeiro discipulado no Reino de Deus.

Personagens principais: Jesus, fariseus, convidados, multidões.

Lugares principais: Casa de um fariseu, caminho rumo a Jerusalém.

A cura no sábado e o ensino sobre humildade (v. 1–14):

Jesus é convidado para comer na casa de um dos principais fariseus num sábado. Ali cura um homem hidrópico, demonstrando que a misericórdia de Deus não se submete às tradições humanas. Ele observa como os convidados escolhiam os primeiros lugares e ensina: “Qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilha será exaltado”. A teologia reformada vê aqui o contraste entre o orgulho farisaico e a humildade do evangelho: o Reino pertence aos que reconhecem sua miséria espiritual e dependem da graça soberana.

A parábola da grande ceia (v. 15–24):

Jesus conta de um homem que fez uma grande ceia e convidou muitos, mas os convidados recusaram com desculpas. Então o senhor manda buscar os pobres, aleijados, cegos e coxos. Esta parábola revela a graça irresistível: os rejeitados deste mundo são chamados eficazmente ao banquete do Reino, enquanto os autossuficientes ficam de fora. A eleição divina é ilustrada no chamado eficaz: os servos trazem os que o Senhor determina que venham.

O custo do discipulado (v. 25–35):

Jesus declara: “Se alguém vem a Mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos… e até a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo”. Ser discípulo é renunciar tudo por Cristo. O exemplo da torre e do rei que vai à guerra ensina a considerar o custo, não superficialmente, mas com entrega total. O sal que perde o sabor representa a fé sem frutos. A teologia reformada enfatiza que o discipulado verdadeiro é fruto da regeneração: só o coração transformado pelo Espírito pode amar a Cristo acima de tudo.

Teologia reformada:

Lucas 14 apresenta o Reino como inversão da ordem humana. Deus exalta os humildes, chama os desprezados e exige entrega total. O discipulado é resultado da graça, não da vontade humana. A fé verdadeira produz obediência e humildade diante do Rei.

LUCAS 15: AS PARÁBOLAS DA GRAÇA SOBERANA: O AMOR DO PAI PELOS PERDIDOS.

Tópico central: Jesus revela o coração do Pai que busca e salva os perdidos, ilustrando a graça que restaura.

Personagens principais: Jesus, publicanos, pecadores, fariseus, o pai e seus dois filhos.

Lugares principais: Judeia, parábolas espirituais.

A ovelha perdida (v. 1–7):

Os fariseus murmuram porque Jesus recebe pecadores. Ele responde com a parábola da ovelha perdida: o pastor deixa as noventa e nove no deserto para buscar a que se perdeu. Essa figura mostra a graça eficaz de Cristo, o bom Pastor, que busca cada um dos Seus até encontrá-lo. O arrependimento é fruto da iniciativa divina, e há alegria no céu por cada pecador salvo.

A dracma perdida (v. 8–10):

Uma mulher busca diligentemente uma dracma perdida até achá-la. A parábola reforça o tema da busca ativa: é Deus quem acende a luz e procura até restaurar o que é Seu.
Assim, a regeneração é obra exclusiva da graça, não resultado do esforço humano.

O filho pródigo (v. 11–32):

A parábola mais extensa mostra dois filhos: um rebelde e outro orgulhoso. O mais novo exige a herança, desperdiça-a e cai em miséria. Quando volta em arrependimento, o pai o recebe com alegria e festa. O irmão mais velho, símbolo dos fariseus, recusa-se a participar, revelando seu coração endurecido. O Pai, figura de Deus, demonstra graça soberana — recebe o indigno e chama o orgulhoso à humildade. A teologia reformada vê aqui o retrato da eleição e da graça irresistível: o pecador é trazido de volta não por mérito, mas pelo amor eterno do Pai.

Teologia reformada:

Lucas 15 é o evangelho em parábolas: o Pai e o Filho buscam e salvam os que estão espiritualmente mortos. O arrependimento é dom de Deus, e a salvação é motivo de júbilo celestial. A graça soberana triunfa sobre o pecado e restaura o perdido.

LUCAS 16: O MAU ADMINISTRADOR E O RICO INSENSATO: O USO ETERNO DOS BENS TEMPORAIS.

Tópico central: Jesus ensina sobre o uso sábio dos recursos e sobre o juízo eterno que separa o justo do ímpio.

Personagens principais: Jesus, discípulos, fariseus, mordomo infiel, homem rico e Lázaro.

Lugares principais: Entre os discípulos e os fariseus, com parábolas espirituais.

O mordomo infiel (v. 1–13):

Um administrador é acusado de desperdiçar os bens do seu senhor. Antes de ser demitido, age astutamente para garantir favor com os devedores. Jesus elogia sua prudência, não sua desonestidade, e ensina: “Fazei amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam nos tabernáculos eternos”. A lição é espiritual: devemos usar o que temos de modo que glorifique a Deus e sirva ao Reino. A teologia reformada vê aqui a mordomia cristã: tudo o que possuímos pertence a Deus e deve ser usado para Sua glória, não para a idolatria das riquezas.

O ensino sobre fidelidade e as riquezas (v. 14–18):

Os fariseus, avarentos, zombam de Jesus. Ele responde: “O que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação”. A fidelidade nas pequenas coisas demonstra o caráter regenerado. A lei permanece como espelho da justiça divina, e o coração convertido a cumpre por amor, não por mérito.

O rico e Lázaro (v. 19–31):

Jesus narra sobre um homem rico que vivia em luxo e um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas. Após a morte, Lázaro é levado pelos anjos ao seio de Abraão, enquanto o rico é atormentado no inferno.  O rico suplica por alívio e por aviso aos seus irmãos, mas ouve: “Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos”. A parábola revela a realidade do juízo e a suficiência das Escrituras. Nenhum sinal adicional pode converter o coração endurecido — somente o Espírito Santo, pela Palavra, produz fé e arrependimento. A teologia reformada ressalta aqui a seriedade da vida eterna e do juízo. O consolo e o tormento são reais e irrevogáveis, e o critério final é a resposta do homem à revelação divina.

Teologia reformada:

Lucas 16 adverte que a fé verdadeira transforma a maneira como lidamos com os bens e com o próximo. O crente é chamado a viver para a eternidade, não para o luxo terreno. O juízo de Deus é justo e irrevogável, e a Escritura é suficiente para conduzir à salvação.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Lucas 14 a 16 formam uma sequência sobre o chamado soberano de Deus, a graça que busca os perdidos e o juízo que revela os corações. O Reino de Deus exalta os humildes, chama os desprezados e condena o orgulho e a avareza. O discipulado é resposta da graça, o arrependimento é dom do Pai, e a fidelidade é fruto da regeneração. A teologia reformada vê nesses capítulos a harmonia entre o chamado eficaz, a perseverança dos santos e a justiça de Deus — que glorifica Sua misericórdia nos salvos e Sua santidade no juízo dos ímpios.

TEXTO DEVOCIONAL.

Cristo nos chama a segui-Lo com humildade, renúncia e fé. Ele busca os perdidos com amor paciente e nos ensina a usar tudo o que temos para a glória eterna. Que não sejamos como o rico que viveu para si, mas como o filho pródigo que retornou ao Pai. Que a alegria do evangelho nos faça humildes e generosos, confiando que a graça que começou a boa obra em nós a completará até o fim.

ORAÇÃO.

Senhor Jesus, Te agradecemos porque nos chamaste do orgulho à humildade, das trevas à luz e da perdição à graça. Ensina-nos a segui-Te com fidelidade, a amar os perdidos e a usar tudo o que temos para o Teu Reino. Dá-nos corações humildes e eternamente gratos por Tua salvação soberana. Em Teu santo nome oramos, amém.


Lucas 14 a 16: O discipulado verdadeiro, a graça soberana e o juízo divino está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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