JOÃO 6: O PÃO DA VIDA QUE DESCEU DO CÉU.
Tópico central: Jesus revela-Se como o verdadeiro pão do céu, que dá vida eterna aos que o Pai Lhe dá.
Personagens principais: Jesus, Filipe, André, discípulos, multidão, Pedro.
Lugares principais: Mar da Galileia (Tiberíades), Cafarnaum.
A multiplicação dos pães (v. 1-15):
Uma grande multidão segue Jesus, e Ele multiplica cinco pães e dois peixes, alimentando cerca de cinco mil homens. Este sinal aponta para Cristo como o verdadeiro sustento da alma, o pão que satisfaz eternamente. A teologia reformada vê aqui uma ilustração da graça soberana: o povo nada traz, e Cristo provê tudo. Após o milagre, tentam fazê-Lo rei, mas Ele se retira, pois Seu reino não é deste mundo.
Jesus anda sobre o mar (v. 16-21):
Os discípulos atravessam o mar e enfrentam ventos contrários. Jesus vem a eles andando sobre as águas e diz: “Sou Eu, não temais.” Este ato revela Seu domínio sobre a criação e reforça Sua identidade divina. Ele é o “Eu Sou”, o mesmo que se revelou a Moisés.
O pão da vida (v. 22-59):
No dia seguinte, Jesus ensina na sinagoga de Cafarnaum. A multidão busca mais pão material, mas Ele declara: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna”. Ele afirma: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome, e quem crê em Mim nunca terá sede.” O Pai entrega os eleitos ao Filho, e todos os que o Pai Lhe dá virão a Ele — uma das mais claras declarações da eleição eficaz e da perseverança dos santos. Jesus explica que Sua carne e Seu sangue são o verdadeiro alimento e bebida, apontando para Sua morte expiatória. O comer e beber espirituais representam a fé que se apropria de Cristo e de Sua obra redentora.
A reação de incredulidade (v. 60-71):
Muitos discípulos murmuram: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?”. Mas Jesus responde que ninguém pode vir a Ele se não lhe for concedido pelo Pai. Muitos O abandonam, e Ele pergunta aos Doze: “Quereis vós também retirar-vos?”. Pedro responde: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. A fé dos discípulos é preservada pela graça de Deus, em contraste com Judas, que é chamado de “diabo”, mostrando que a verdadeira fé não nasce da vontade humana, mas do decreto soberano de Deus.
Teologia reformada:
João 6 é uma das passagens centrais da doutrina da graça. Cristo é o pão da vida, dado pelo Pai para sustentar espiritualmente os Seus. A fé é dom divino, e a salvação dos eleitos é garantida pela vontade soberana do Pai. A união com Cristo é espiritual e eterna — quem dEle se alimenta jamais perecerá.
JOÃO 7: A DIVISÃO ENTRE OS HOMENS E A PROMESSA DO ESPÍRITO.
Tópico central: Jesus se manifesta na festa dos tabernáculos e revela que o Espírito Santo seria dado aos que cressem nEle.
Personagens principais: Jesus, Seus irmãos, os judeus, fariseus, oficiais, Nicodemos.
Lugares principais: Galileia, Jerusalém, templo.
A festa dos tabernáculos (v. 1-13):
Os irmãos de Jesus, ainda incrédulos, sugerem que Ele vá à Judeia para mostrar Suas obras publicamente. Jesus responde: “O Meu tempo ainda não chegou”. Ele sobe depois em segredo, mostrando Seu controle soberano sobre o tempo e os propósitos divinos. No meio da festa, há murmuração e divisão entre o povo: uns O chamam de bom homem; outros, de enganador.
O ensino no templo (v. 14-36):
Jesus ensina no templo, e os judeus se maravilham: “Como sabe este letras, não as tendo aprendido?”. Ele declara que Sua doutrina vem do Pai e denuncia a hipocrisia daqueles que julgam pela aparência. Ao curar no sábado, Jesus demonstra ser o cumprimento da Lei. O povo tenta prendê-Lo, mas Sua hora ainda não chegara. A teologia reformada reconhece aqui a soberania do plano redentor — nada acontece fora do tempo determinado por Deus.
A promessa do Espírito Santo (v. 37-39):
No último dia da festa, Jesus clama: “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.” E continua: “Quem crê em Mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre”. João explica que Ele falava do Espírito que haviam de receber os que cressem nEle. O Espírito Santo é o dom prometido da nova aliança, que vivifica, habita e sustenta os eleitos.
A divisão entre o povo (v. 40-53):
Alguns reconhecem Jesus como o Cristo; outros O rejeitam por preconceito geográfico, dizendo: “Porventura virá o Cristo da Galileia?”. Nicodemos, que antes O visitara de noite, defende um julgamento justo, mas é ridicularizado. A incredulidade dos líderes religiosos cumpre o propósito divino de cegá-los até o tempo determinado da cruz.
Teologia reformada:
João 7 revela que a fé verdadeira é obra do Espírito Santo, prometido por Cristo. A incredulidade não surpreende a soberania divina, mas cumpre o plano eterno de Deus. O Espírito é quem produz rios de vida no coração regenerado, fazendo do crente um canal da graça.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
João 6 e 7 unem dois temas centrais da teologia reformada: a soberania de Deus na salvação e a operação eficaz do Espírito Santo. Cristo é o pão vivo que desceu do céu para alimentar os eleitos, e o Espírito é a água viva que flui do coração regenerado. O Pai dá ao Filho os que hão de crer, e o Filho promete ressuscitá-los no último dia. A incredulidade do mundo confirma a depravação total do homem, enquanto a fé dos discípulos manifesta a eleição graciosa e a perseverança dos santos.
TEXTO DEVOCIONAL.
Jesus é o pão que desceu do céu para sustentar nossa alma e o rio de vida que flui em nosso coração pelo Espírito. Ele nos chama a vir e crer, a nos alimentar de Sua Palavra e a beber da graça que Ele oferece gratuitamente. Mesmo quando o mundo se divide em torno dEle, os Seus permanecem firmes, pois foram escolhidos pelo Pai e sustentados pelo Espírito.
ORAÇÃO.
Senhor Jesus, pão da vida e fonte da água viva, alimenta-nos com Tua Palavra e fortalece nossa fé. Que o Teu Espírito Santo flua em nós como rio de vida, purificando-nos e renovando-nos a cada dia. Guarda-nos firmes em meio à incredulidade do mundo, e faz-nos perseverar até o fim, sustentados pela Tua graça. Em Teu santo nome oramos, amém.

João 6 e 7: O pão da vida e a revelação do Cristo em meio à incredulidade está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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