João 12 e 13: A hora da glória de Cristo e o amor que serve até o fim.

JOÃO 12: A UNÇÃO, A ENTRADA TRIUNFAL E A HORA DA GLORIFICAÇÃO DO FILHO DE DEUS.

Tópico central: Jesus é ungido para a morte, entra em Jerusalém como o Rei prometido e anuncia que Sua hora de glorificação chegou — a cruz.

Personagens principais: Jesus, Maria, Marta, Lázaro, Judas Iscariotes, discípulos, fariseus, gregos.

Lugares principais: Betânia, Jerusalém, templo.

A unção em Betânia (v. 1–8):

Seis dias antes da Páscoa, Jesus vai a Betânia, onde Lázaro, a quem Ele ressuscitara, estava. Maria unge os pés do Senhor com um unguento de nardo puro, enxugando-os com os cabelos. O gesto expressa devoção e reconhecimento da dignidade divina de Cristo. Judas critica o ato como desperdício, mas João observa que ele falava como ladrão, não por zelo pelos pobres. Jesus defende Maria, dizendo: “Deixa-a; para o dia da Minha sepultura guardou isto”. A teologia reformada vê aqui a antecipação do sepultamento do Salvador, que seria oferecido em sacrifício pelos pecadores. O amor verdadeiro sempre se manifesta em adoração sacrificial.

A entrada triunfal em Jerusalém (v. 12–19):

No dia seguinte, a multidão aclama Jesus com ramos de palmeiras: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!”. Ele entra montado num jumentinho, cumprindo a profecia de Zacarias 9:9. Os discípulos só compreenderiam plenamente depois da glorificação de Cristo. O povo o segue por ter ouvido do milagre de Lázaro, enquanto os fariseus, frustrados, dizem: “Vede que nada aproveitais; eis que o mundo vai após Ele”. O Reino de Cristo, porém, não é político, mas espiritual; é o domínio da graça soberana sobre o coração dos redimidos.

Os gregos e o anúncio da hora (v. 20–36):
Alguns gregos desejam ver Jesus, o que simboliza a expansão do evangelho aos gentios. Cristo então declara: “É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado”. Usando a metáfora do grão de trigo que morre para dar fruto, Ele revela que Sua morte trará vida a muitos. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, guardá-la-á para a vida eterna. Uma voz do céu confirma: “Já O glorifiquei, e outra vez O glorificarei”. Jesus explica que Sua morte atrairá todos os eleitos (judeus e gentios) a Si mesmo.

A incredulidade dos judeus (v. 37–50):

Apesar de tantos sinais, muitos não creram, cumprindo as profecias de Isaías. Outros creram, mas temeram confessar publicamente por amor à aprovação dos homens. Jesus proclama: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em Mim não permaneça nas trevas”. O juízo final será segundo a Palavra dEle, isto é, a verdade revelada que os homens rejeitam. A teologia reformada ensina que a incredulidade humana é fruto da cegueira espiritual do coração decaído; somente a graça eficaz pode abrir os olhos para a glória do Filho de Deus.

Teologia reformada:

João 12 marca a transição da revelação pública de Cristo para Sua entrega sacrificial. A unção em Betânia, a entrada triunfal e o anúncio da “hora” apontam para a cruz como o ápice da glória divina. A morte de Jesus não é tragédia, mas cumprimento do decreto eterno — o grão de trigo que morre para dar vida aos eleitos.

JOÃO 13: O AMOR QUE SERVE E A GLÓRIA NA HUMILDADE.

Tópico central: Jesus demonstra o amor que O levará à cruz, lavando os pés dos discípulos, revelando o traidor e dando um novo mandamento: amar como Ele amou.

Personagens principais: Jesus, Pedro, João, Judas Iscariotes, os discípulos.

Lugares principais: Jerusalém, cenáculo.

Jesus lava os pés dos discípulos (v. 1-17):

“Sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como amara os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Durante a ceia, Ele se levanta, cinge-se com uma toalha e começa a lavar os pés dos discípulos. Pedro se recusa, mas o Senhor explica: “Se Eu te não lavar, não tens parte comigo”. O ato simboliza a purificação espiritual, ou seja, a lavagem regeneradora operada pela Palavra e pelo Espírito. A teologia reformada reconhece aqui a imagem da justificação e da santificação: somos lavados uma vez para sempre no sangue de Cristo, mas necessitamos de constante purificação em nossa caminhada.

O anúncio da traição (v. 18–30):

Jesus cita o Salmo 41:9: “Aquele que come do Meu pão levantou contra Mim o seu calcanhar”. Identifica Judas como o traidor, oferecendo-lhe o bocado. “E logo Satanás entrou nele”. Mesmo a traição ocorre sob o domínio da providência divina: nada escapa ao decreto soberano do Pai. Após Judas sair, João registra: “Era já noite” — símbolo da escuridão espiritual que envolve o coração endurecido.

O novo mandamento e o anúncio da negação (v. 31–38):

Com Judas fora, Jesus fala de Sua glorificação: “Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nEle”. A cruz, que o mundo vê como vergonha, é para Deus o trono da glória redentora. Ele dá um novo mandamento: “Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós”. Esse amor é a marca dos verdadeiros discípulos — amor sacrificial, fruto do Espírito e reflexo da graça que receberam. Pedro promete fidelidade, mas Jesus o adverte: “O galo não cantará, enquanto não Me tiveres negado três vezes”. Mesmo a fraqueza dos santos é usada por Deus para revelar Sua graça restauradora.

Teologia reformada:

João 13 revela a profundidade do amor eletivo de Cristo. O Senhor serve os Seus, purifica-os e entrega-Se por eles. O lava-pés é símbolo da obra contínua de santificação dos crentes. O novo mandamento não é moralismo, mas expressão do amor divino derramado pelo Espírito nos corações regenerados. Até a traição de Judas e a negação de Pedro cumprem o plano soberano de Deus, em que a glória de Cristo brilha através da fraqueza humana.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Nos capítulos 12 e 13, o evangelho de João mostra a transição da manifestação pública de Cristo para o Seu ministério íntimo aos discípulos. A “hora” chegou: o Filho será glorificado pela cruz. A unção, o serviço humilde e o mandamento do amor revelam o caráter do Redentor e do Reino. A glória de Cristo se manifesta não no poder terreno, mas na obediência e no amor sacrificial.

A teologia reformada vê nestes capítulos o coração da aliança da graça: o Cordeiro é ungido para morrer, atrai os eleitos ao Pai e purifica os Seus pela Palavra. O amor de Cristo é eficaz, perseverante e redentor — Ele os amou até o fim.

TEXTO DEVOCIONAL.

Cristo, o Rei humilde, entrou em Jerusalém para morrer por nós. Ungido para o sacrifício, Ele lavou os pés dos Seus discípulos, revelando o amor que serve. O mesmo Senhor que reina em glória nos chama a imitá-Lo: a amar, perdoar e servir com humildade. Nos momentos de escuridão, lembremo-nos de que a cruz foi o caminho da glória. Aquele que nos amou até o fim continua a purificar e sustentar os Seus até o dia da consumação.

ORAÇÃO.

Senhor Jesus, Cordeiro de Deus e nosso Rei humilde, Te agradecemos porque Te entregaste por amor aos Teus. Lava-nos diariamente pela Tua Palavra, fortalece-nos no amor e ensina-nos a servir com o mesmo coração com que Tu serviste. Que a Tua cruz nos ensine o caminho da glória e o Teu Espírito nos conforme à Tua imagem. Em Teu santo nome oramos, amém.


João 12 e 13: A hora da glória de Cristo e o amor que serve até o fim está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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