JOÃO 10: O BOM PASTOR QUE DÁ A VIDA PELAS SUAS OVELHAS.
Tópico central: Jesus revela-Se como o bom Pastor, que conhece, chama e salva Suas ovelhas, assegurando-lhes vida eterna.
Personagens principais: Jesus, os fariseus, os judeus.
Lugares principais: Jerusalém, templo (festa da dedicação).
A parábola do redil (v. 1-6):
Jesus compara-Se ao verdadeiro Pastor que entra pela porta das ovelhas, em contraste com os ladrões e salteadores. As ovelhas conhecem Sua voz e O seguem, mas não seguem o estranho. A teologia reformada vê nesta imagem a eleição e o chamado eficaz: o Pastor chama Suas ovelhas pelo nome, e elas respondem porque foram conhecidas e amadas desde a eternidade.
Jesus, a porta das ovelhas (v. 7-10):
Jesus declara: “Eu sou a porta; se alguém entrar por Mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.” Ele é o único meio de salvação. Enquanto o ladrão vem para roubar, matar e destruir, Cristo veio para que as Suas ovelhas tenham vida abundante.
Essa abundância não é material, mas espiritual — a plenitude da graça e comunhão com Deus.
O bom Pastor (v. 11-21):
“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a Sua vida pelas ovelhas”. Diferente do mercenário, que foge diante do perigo, Jesus entrega-Se voluntariamente. Ele conhece as Suas ovelhas e é conhecido por elas, como o Pai O conhece. Há também “outras ovelhas” que não são do aprisco de Israel (os gentios), que ouvirão Sua voz, cumprindo o propósito soberano de reunir um só rebanho sob um só Pastor.
A festa da dedicação (v. 22-42):
Durante a festa da dedicação, os judeus perguntam: “Até quando terás a nossa alma suspensa? Se Tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente”. Jesus responde que já lhes disse, e as Suas obras testificam dEle. Ele afirma com clareza: “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu conheço-as, e elas Me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão”. Essa declaração expressa a doutrina reformada da perseverança dos santos — os eleitos são guardados por Cristo e jamais se perderão. Quando Jesus diz: “Eu e o Pai somos um”, os judeus tentam apedrejá-Lo, reconhecendo a reivindicação de divindade. Ele escapa das mãos deles, pois Sua hora ainda não havia chegado.
Teologia reformada:
João 10 apresenta a cristologia da aliança: Cristo é o Pastor soberano que conhece, chama, redime e preserva Suas ovelhas. A salvação é iniciativa divina: o Pai dá as ovelhas ao Filho, o Filho as redime e o Espírito as chama eficazmente. A união com Cristo é eterna, e nada pode separá-las do Seu amor.
JOÃO 11: A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO E A GLÓRIA DO FILHO DE DEUS.
Tópico central: Jesus manifesta Sua glória e poder sobre a morte ao ressuscitar Lázaro, revelando-Se como a ressurreição e a vida.
Personagens principais: Jesus, Lázaro, Marta, Maria, discípulos, judeus, Caifás.
Lugares principais: Betânia, Jerusalém.
A enfermidade e a demora de Jesus (v. 1-16):
Lázaro, irmão de Marta e Maria, está enfermo. As irmãs enviam dizer a Jesus: “Senhor, eis que está enfermo aquele que Tu amas”. Jesus responde: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Mesmo amando-os, Jesus permanece dois dias no lugar onde estava, mostrando que o Seu amor é sábio e soberano, não sujeito à pressa humana. Quando decide ir a Betânia, Lázaro já havia morrido. A teologia reformada reconhece aqui a soberania divina sobre o tempo e o sofrimento: o atraso de Cristo não é negligência, mas propósito para maior manifestação da glória de Deus.
O encontro com Marta (v. 17-27):
Marta sai ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Jesus responde: “Teu irmão há de ressuscitar”. Ela confessa crer na ressurreição do último dia, mas Jesus declara: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá”. Cristo não apenas concede ressurreição; Ele é a ressurreição. A fé nEle transcende o túmulo e assegura vida eterna.
O pranto de Jesus e o milagre (v. 28-44):
Maria vai até Jesus e, chorando, repete as palavras da irmã. Jesus, movido em compaixão, chora revelando Sua plena humanidade e Seu amor pelos que sofrem.
Diante do túmulo, Ele ora ao Pai e ordena: “Lázaro, vem para fora”. O morto sai, envolto em faixas. O milagre é um sinal visível da regeneração espiritual: assim como Lázaro saiu do túmulo pela palavra eficaz de Cristo, o pecador é vivificado pela voz soberana do Filho de Deus (cf. João 5:25).
A conspiração para matar Jesus (v. 45-57):
Muitos judeus creram, mas outros foram denunciar o acontecimento aos fariseus. O conselho se reúne, temendo a influência de Jesus. Caifás, o sumo sacerdote, profetiza involuntariamente: “Convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação”. João acrescenta que ele não disse isso de si mesmo, mas que profetizou que Jesus morreria não só pela nação, mas também para congregar em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos. Assim, a morte substitutiva de Cristo é apresentada como cumprimento do plano redentor de Deus — a expiação eficaz pelos eleitos.
Teologia reformada:
João 11 é um dos capítulos mais ricos na doutrina da soberania e da graça eficaz. A ressurreição de Lázaro prefigura a regeneração espiritual e a futura ressurreição gloriosa. Cristo é a ressurreição e a vida porque tem autoridade sobre a morte. O sofrimento e a espera são instrumentos da providência divina para revelar a glória de Deus. A morte de Cristo é vicária, substitutiva e redentora — o sacrifício decretado para reunir todos os eleitos do Pai.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
João 10 e 11 revelam o coração do evangelho: o amor soberano de Cristo por Suas ovelhas e Seu poder sobre a morte. O bom Pastor dá a vida pelos Seus, e o Senhor da vida os chama do túmulo à comunhão eterna. A salvação é obra da Trindade: planejada pelo Pai, executada pelo Filho e aplicada pelo Espírito. A fé dos crentes repousa na certeza de que nada pode separá-los do amor de Deus em Cristo Jesus.
TEXTO DEVOCIONAL.
Cristo é o bom Pastor que nos chama pelo nome e nos conduz em segurança. Mesmo quando enfrentamos o vale da sombra da morte, Sua voz nos guia e conforta. Ele é também a ressurreição e a vida — Aquele que vence a morte e transforma o luto em esperança. Que nossos corações descansem em Seu cuidado e em Sua promessa de vida eterna.
ORAÇÃO.
Senhor Jesus, bom Pastor e ressurreição eterna, agradecemos porque nos chamaste das trevas para a Tua maravilhosa luz. Ensina-nos a ouvir Tua voz e a seguir-Te com fé e obediência. Conforta-nos nas horas de dor e fortalece nossa esperança na Tua vitória sobre a morte. Que o Teu Espírito nos mantenha firmes até o dia da ressurreição gloriosa. Em Teu santo nome oramos, amém.

João 10 e 11: O bom Pastor e a ressurreição que revela a glória de Deus está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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