João 1 a 3: O Verbo eterno, os primeiros sinais e o novo nascimento.

JOÃO 1: O VERBO ETERNO, A LUZ DO MUNDO E O TESTEMUNHO DO CORDERO DE DEUS.

Tópico central: O evangelho de João começa revelando a divindade de Cristo, Sua encarnação e o início de Seu ministério como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Personagens principais: Jesus, João Batista, André, Simão Pedro, Filipe, Natanael.

Lugares principais: Betânia além do Jordão, Galileia.

O Verbo eterno (v. 1-5):

João declara: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Cristo é o Logos eterno, o agente da criação e a fonte da vida e da luz dos homens. A teologia reformada reconhece aqui a divindade absoluta do Filho, consubstancial com o Pai e o Espírito Santo, anterior a todas as coisas.

O testemunho de João Batista (v. 6-13):

João é enviado por Deus como testemunha da Luz, para que todos cressem por meio dele. Contudo, o mundo não conheceu o Verbo, e “os seus não o receberam”. Mas “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no Seu nome.” A regeneração é obra soberana do Espírito, “não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”

A encarnação do Verbo (v. 14-18):

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Cristo é o Deus encarnado, cheio de graça e de verdade. A Lei foi dada por Moisés, mas “a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” Ele é o único que revelou o Pai, pois está no seio de Deus. A encarnação é a revelação máxima da graça e a base da redenção eterna.

O testemunho sobre o Cordeiro de Deus (v. 19-34):

João Batista nega ser o Cristo ou Elias e anuncia Aquele que vem após ele, “do qual não sou digno de desatar a correia da sandália.” Ao ver Jesus, proclama: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” A obra redentora é central: Cristo é o sacrifício substitutivo, o verdadeiro Cordeiro pascal, prefigurado no Antigo Testamento.

Os primeiros discípulos (v. 35-51):

André e outro discípulo seguem Jesus após ouvirem o testemunho de João. André chama seu irmão Simão, que recebe o nome de Pedro. Filipe encontra Natanael e o leva a Cristo. Jesus revela Seu conhecimento divino, e Natanael confessa: “Rabi, Tu és o Filho de Deus; Tu és o Rei de Israel.” Cristo promete a revelação plena da Sua glória: “Vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.”

Teologia reformada:

João 1 apresenta a cristologia mais elevada: Jesus é o Deus eterno, Criador e Salvador. A regeneração e a fé são dons da graça soberana. O Cordeiro de Deus cumpre a aliança eterna, tirando o pecado dos eleitos. A revelação de Cristo é espiritual e eficaz — Ele ilumina aqueles a quem o Pai concede vida. O chamado dos primeiros discípulos demonstra que a fé nasce da Palavra e do testemunho divino, não do esforço humano.

JOÃO 2: O PRIMEIRO MILAGRE E A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO.

Tópico central: Jesus manifesta Sua glória no primeiro milagre em Caná e demonstra Sua autoridade divina ao purificar o templo em Jerusalém.

Personagens principais: Jesus, Maria, discípulos, servos, cambistas e mercadores.

Lugares principais: Caná da Galileia, Jerusalém, templo.

O milagre em Caná (v. 1-11):

Nas bodas em Caná, o vinho acaba, e Maria intercede. Jesus responde: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” Mesmo assim, ordena aos servos que encham as talhas de pedra com água, e esta se transforma em vinho. Este “princípio dos sinais” manifesta a glória de Cristo, e os discípulos creem nEle.
O milagre simboliza a nova aliança: a água da purificação judaica é substituída pelo vinho da alegria do evangelho. Cristo é o verdadeiro Noivo que traz abundância de graça.

A descida a Cafarnaum (v. 12):

Jesus, com Sua mãe, irmãos e discípulos, vai a Cafarnaum, permanecendo ali alguns dias. Este detalhe mostra o início do Seu ministério itinerante e a formação do grupo que O seguiria.

A purificação do templo (v. 13-22):

Na Páscoa, Jesus sobe a Jerusalém e encontra o templo transformado em mercado. Faz um azorrague de cordas e expulsa os cambistas, dizendo: “Não façais da casa de meu Pai casa de venda.” Os judeus pedem um sinal de Sua autoridade, e Jesus responde: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei.” Eles pensam no edifício físico, mas Ele fala do templo do Seu corpo. Após Sua ressurreição, os discípulos entendem o significado. Cristo é o verdadeiro templo, onde habita a plenitude de Deus, e Sua morte e ressurreição inauguram o novo culto espiritual.

A fé superficial (v. 23-25):

Muitos creram ao ver os sinais, mas Jesus “não confiava neles, porque conhecia a todos.” Ele discernia os corações, revelando que a fé genuína não nasce do espetáculo, mas da regeneração. A graça eficaz é necessária para uma fé perseverante e verdadeira.

Teologia reformada:

João 2 revela Cristo como o Mediador da nova aliança e o verdadeiro templo de Deus. O milagre em Caná aponta para a transformação espiritual que só Ele pode operar. A purificação do templo mostra que o culto deve ser centrado em Cristo e purificado de todo comércio e formalismo. A fé superficial, baseada em sinais, é insuficiente; somente a fé produzida pelo Espírito conduz à salvação. A soberania de Cristo sobre o templo e a vida humana é total e inquestionável.

JOÃO 3: O NOVO NASCIMENTO E O TESTEMUNHO DO FILHO DE DEUS.

Tópico central: Jesus ensina sobre a necessidade do novo nascimento e revela o amor redentor de Deus.

Personagens principais: Jesus, Nicodemos, João Batista.

Lugares principais: Jerusalém, região da Judeia, Enom.

A conversa com Nicodemos (v. 1-15):

Nicodemos, fariseu e príncipe dos judeus, reconhece Jesus como Mestre vindo de Deus. Cristo responde: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.” O novo nascimento é obra do Espírito Santo, que sopra onde quer, regenerando o pecador morto em delitos e pecados. A salvação é monergística, isto é, totalmente produzida por Deus. Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, o Filho do homem seria levantado na cruz, para que todo aquele que nEle crê tenha a vida eterna.

O amor de Deus e a condenação do mundo (v. 16-21):

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.” Esse amor é eficaz e redentor, manifestado no envio de Cristo para salvar os que crerem. Contudo, “a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz.” A incredulidade revela a depravação total do homem, e a fé é evidência da regeneração divina.

O testemunho final de João Batista (v. 22-36):

João declara: “Convém que Ele cresça e que eu diminua.” Ele reconhece em Jesus o Messias celestial, o Noivo que possui a Igreja. “Aquele que vem do alto é sobre todos.” O Pai entregou tudo nas mãos do Filho, e “aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.”

Teologia reformada:

João 3 é o coração da soteriologia reformada. O novo nascimento é obra exclusiva do Espírito; a fé é dom da graça; e o amor de Deus é eficaz, destinado aos que o Pai deu ao Filho. A ira divina permanece sobre os que rejeitam o Evangelho, mas os que creem são salvos eternamente. A salvação é de Deus, do início ao fim.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Nos três primeiros capítulos, João revela a plenitude da pessoa e obra de Cristo: o Verbo eterno que se fez carne, o Noivo da nova aliança e o Salvador que dá nova vida. A graça soberana age para regenerar, justificar e santificar o eleito. O Evangelho de João apresenta a glória de Cristo em cada aspecto, ou seja, Sua divindade, Sua mediação e Sua autoridade redentora. Tudo converge para a verdade de que “a salvação vem do Senhor”.

TEXTO DEVOCIONAL.

O Verbo eterno veio ao mundo para trazer luz, vida e nova criação. Ele transforma a água em vinho, o templo em morada espiritual e o coração humano em nova criatura. Somente o Espírito pode gerar essa vida que vem do alto. Que nossos olhos se fixem nAquele que foi levantado por nós, e que nossa fé repouse no Cordeiro que tira o pecado do mundo.

ORAÇÃO.

Senhor Jesus, Verbo eterno e Salvador, agradecemos por Teu amor redentor e por nos fazer nascer de novo pelo Teu Espírito. Purifica o templo do nosso coração, enche-nos com o vinho novo da Tua graça e faz-nos viver na luz da Tua verdade. Que Teu nome seja exaltado, e que nossa vida reflita Tua glória. Em Teu santo nome oramos, amém.


João 1 a 3: O Verbo eterno, os primeiros sinais e o novo nascimento está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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