“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7, ACF).
A misericórdia é a marca de um homem verdadeiramente bom. Isso tem sido afirmado há milhares de anos e continua sendo verdade. A natureza humana, corrompida pelo pecado, inclina-se para a vingança, para o desejo de ser aquele que aplica julgamento e morte. Contudo, o Senhor declara: “A vingança é minha”. Julgar é prerrogativa dEle, pois é contra Ele que pecamos. Ele é o santo Criador de todas as coisas, o único digno de todo louvor. Apesar de nos ter concedido dádivas grandiosas, desperdiçamos sua graça e, em rebeldia, desprezamos o próprio Doador.
Ainda assim, o Senhor manifesta misericórdia. Cristo, o Criador de tudo o que é bom e o Doador de todas as bênçãos, foi além: entregou-se como sacrifício para que pudéssemos receber misericórdia. Em vez de buscar a justa vingança, ofereceu perdão, mesmo a um custo infinito para Si. Assim também nós devemos agir. Cristo ilustrou essa verdade com a parábola dos dois servos (Mateus 18:21-35). Um deles devia ao rei dez mil talentos (o que, em valores atuais, corresponderia a aproximadamente 6 bilhões de dólares). O rei, porém, perdoou-lhe a dívida e o libertou. Esse servo, entretanto, ao encontrar um companheiro que lhe devia cem denários (cerca de 12 mil dólares em valores atuais), exigiu o pagamento imediato. Como o devedor não tinha recursos, mandou lançá-lo na prisão. Ao saber disso, o rei libertou o segundo servo e puniu severamente o primeiro, a quem já havia perdoado bilhões.
Cristo nos advertiu que nossa postura é semelhante à do primeiro servo quando não exercemos misericórdia. “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6:36), ensinou Ele. Afinal, fomos perdoados de uma dívida incalculavelmente maior. Como, então, ousaríamos negar perdão por ofensas pequenas diante da grandeza da graça recebida?
A bem-aventurança de Mateus 5:7 declara que os misericordiosos são bem-aventurados justamente porque alcançarão misericórdia. Isso significa que Deus só será misericordioso conosco se formos misericordiosos primeiro? De forma alguma. A Escritura é clara: “Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). A misericórdia de Deus nos alcançou muito antes de qualquer ato nosso. Nossa própria existência é fruto dessa misericórdia, pois Ele permite que pecadores continuem vivendo, mesmo sendo dignos de juízo imediato.
O que a bem-aventurança ensina é que aqueles que receberam a graça salvadora de Deus tornam-se também misericordiosos. Eles são chamados a viver dessa forma, e o Senhor abençoa os que se empenham em obedecer ao Seu mandamento. Como lemos no Salmo 1: “Bem-aventurado o homem… que medita na lei do Senhor dia e noite”.
A misericórdia, portanto, não é uma obra para conquistar salvação, mas um fruto natural da vida transformada pela graça. E, embora as bênçãos de Deus não se limitem a satisfações terrenas, pois muitas vezes as pessoas rejeitam ou abusam de nosso perdão, as bênçãos espirituais permanecem. O cristão fiel encontra consolo na Palavra e no Espírito Santo, que fortalecem em meio às injustiças e às perseguições. Quando nossa tendência seria revidar com dureza, Ele nos sustenta para suportar com paciência.
De fato, nosso Deus é abundantemente misericordioso para com aqueles que, transformados por Ele, também demonstram misericórdia.
Aplicação.
1. Se Deus, sendo santo e justo, escolheu nos conceder misericórdia em Cristo, por que muitas vezes somos tão rápidos em negar perdão aos outros?
2. O que a parábola do servo incompassivo (Mateus 18:21-35) revela sobre o contraste entre a misericórdia de Deus e a dureza do coração humano?
3. Como posso identificar, em minha vida diária, situações em que minha reação natural é buscar vingança em vez de agir com misericórdia?
4. De que maneira a consciência de que fomos perdoados de uma “dívida incalculável” deve transformar nossa atitude diante das ofensas que sofremos?
5. Quais evidências da misericórdia de Deus já experimentei em minha própria vida e como isso pode me motivar a ser mais misericordioso com os outros?
6. O que significa, na prática, viver como alguém “bem-aventurado” por demonstrar misericórdia, mesmo quando essa atitude não traz recompensas imediatas ou terrenas?

Estudos devocionais sobre as Bem-aventuranças – Semana 5, Guia 1: Bem-aventurados os misericordiosos está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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