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“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:1-3, ACF).
Nesta semana, iniciaremos uma nova série devocional sobre as Bem-aventuranças de Jesus. Começaremos onde Cristo inicia, com Suas palavras de abertura, conhecidas como Bem-aventuranças (que, em latim, significa “abençoado”). O cenário em que encontramos este sermão é o início do ministério de Jesus na Galileia. Vemos, imediatamente, que, enquanto caminhava ao longo do Mar da Galileia, Ele chamou Pedro e André para segui-Lo como Seus discípulos (Mt 4:18). Também vemos a pregação de Cristo sobre o evangelho do reino, a cura de muitas pessoas de suas doenças e a conquista de inúmeros seguidores. Multidões O seguiam, tendo ouvido Sua palavra e muitos, também, tendo sido curados por Ele. Essas curas milagrosas abriram caminho para o que Jesus faria em seguida.
Ao ver o povo, Jesus subiu a um monte. Agora, consideremos isso por um momento. Ele estava prestes a pregar um sermão maravilhoso, a fazer uma grande exposição da Lei. Mas, ainda assim, não levou o povo à sinagoga, nem Se sentou na cadeira de Moisés, onde outros mestres da Lei, com autoridade, costumavam ensinar. Cristo subiu a um monte. É interessante notar que, em Êxodo 19, quando Deus veio para dar a Lei moral a Moisés, Ele desceu ao Monte Sinai em meio a tempestade e fogo, falando em meio a trovões e relâmpagos. Aqui, porém, vemos Jesus subindo a um monte e falando ao povo com uma voz suave. Quando Deus desceu ao Sinai, o povo foi ordenado a permanecer distante. Aqui, Jesus os convidou a se aproximarem dEle. Que mudança abençoada!
Mateus prossegue relatando que, quando Jesus Se sentou, como era costume entre os mestres, Seus discípulos aproximaram-se dEle. Cristo tinha a atenção deles. Observe que Ele abriu a boca não para se envolver em conversas triviais ou gentilezas, mas para alimentá-los e ensiná-los. Do que Seus discípulos precisavam? Precisavam de instrução. Precisavam crescer no conhecimento do evangelho de Cristo e do Seu Reino. O mesmo se aplica a nós, não é verdade? Por meio de Cristo, temos acesso a Deus, não apenas para falar com Ele em oração, mas também para ouvi-Lo em Sua Palavra, pelo Seu Espírito. Nós também precisamos nos sentar aos pés de Jesus, por assim dizer, e ser ensinados por Ele.
Onde Ele inicia Seu glorioso sermão sobre a ética do Reino de Deus? “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”. Veja como Deus pronuncia Sua bênção sobre pessoas específicas – aqueles que são pobres de espírito. Maravilhosamente, Ele fará tal pronunciamento em cada bem-aventurança. Mas o que significa “pobres de espírito”? Em Lucas 6:20, Jesus diz: “Bem-aventurados vós, os pobres”, referindo-Se àqueles que enfrentam dificuldades materiais e, ainda assim, recebem a bênção de Deus, pois Ele os sustenta e provê.
Aqui, em Mateus, Jesus diz: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Ele está falando de um reino onde essa pobreza espiritual é reconhecida. Isso não exclui, necessariamente, aqueles que possuem riquezas. Alguém pode ser rico em bens, mas pobre em espírito. E alguém pode ser pobre em bens, mas orgulhoso. É possível ser materialmente pobre e, ainda assim, murmurador, reclamando e culpando a Deus ou aos outros por sua condição. Nesta primeira bem-aventurança, Jesus destaca aqueles que, humildemente, reconhecem sua grande necessidade espiritual e dependem somente dEle, em vez de sua própria bondade. Bem-aventurados são aqueles que se refugiam humildemente na livre graça de Deus e na justiça de Jesus Cristo.
Devemos lembrar que a verdadeira felicidade não está nos bens materiais, mas em estar no favor de Deus. Jesus afirma que a bênção de Deus, Sua aprovação, está sobre os pobres de espírito. Ele olha graciosamente para eles (Tiago 4:6). Recordemos também as palavras de Davi no Salmo 34:18: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito”.
Além disso, veja como a bênção divina está associada à declaração divina. Em Mateus 5:3, Jesus declara, no presente do indicativo, que deles é o reino dos céus. Deus nos atrai, como mendigos empobrecidos e falidos, para Si mesmo e, o que encontramos? Ele nos abençoa e nos enche de todo o bem. Em Cristo, somos herdeiros do reino dos céus. Deus declara que é nosso. Já o temos nEle. Louvemos a Deus por essa maravilhosa bênção! Sejamos consolados e encorajados ao meditar sobre ela.
Aplicação.
- Você tem reconhecido sua total dependência de Deus ou ainda confia na sua própria justiça e méritos?
- Sua vida de oração, escolhas e atitudes revelam humildade espiritual ou orgulho diante do Senhor?
- Em momentos de dificuldade, você se refugia na graça de Cristo ou murmura, culpando as circunstâncias e pessoas?
- Ser pobre em espírito é reconhecer diariamente que precisamos de Jesus em tudo. Peça ao Senhor que quebre o orgulho do seu coração e o ensine a viver em dependência dEle.
Oração.
Senhor Jesus, reconheço que sou necessitado de Ti em todas as áreas da minha vida. Livra-me do orgulho, da autossuficiência e da confiança em minhas próprias obras. Dá-me um coração humilde e quebrantado, que se apoia unicamente na Tua graça. Ensina-me a viver como pobre em espírito, para que eu desfrute das riquezas do Teu Reino e encontre verdadeira felicidade na Tua presença. Amém.

Estudos devocionais sobre as Bem-aventuranças – Semana 1, Guia 1: Bem-aventurados os pobres de espírito está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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