EZEQUIEL 9: A MARCA DOS FIÉIS E O JUÍZO DOS ÍMPIOS.
Tópico central: Deus envia executores para punir Jerusalém, mas primeiro manda selar os que gemem pelo pecado.
Personagens principais: o Senhor, o homem vestido de linho, seis homens com armas de destruição, Ezequiel, o remanescente.
Lugares principais: Jerusalém, templo.
A ordem do juízo (v. 1-7):
Seis homens recebem armas e se colocam junto ao altar. Um homem vestido de linho recebe a ordem de marcar a testa dos que suspiram pelas abominações. Os demais devem matar todos os não marcados, sem piedade. O juízo começa pela casa de Deus, no santuário.
A intercessão de Ezequiel (v. 8-11):
O profeta clama, temendo que todo o povo seja destruído. O Senhor responde que a culpa é grande demais. Porém, o homem vestido de linho cumpre fielmente a missão de selar os fiéis.
Teologia reformada:
A marca é símbolo da eleição soberana: Deus conhece os Seus e os preserva do juízo (2 Tm 2.19). Isso prefigura o selo do Espírito Santo em Cristo (Ef 1.13). O juízo começa pela casa de Deus (1 Pe 4.17), revelando que a disciplina é sinal de santidade divina.
EZEQUIEL 10: A GLÓRIA DE DEUS SE MOVE.
Tópico central: A glória de Deus, antes entronizada no templo, começa a se retirar por causa da idolatria do povo.
Personagens principais: o Senhor, o homem vestido de linho, os querubins, Ezequiel.
Lugares principais: Jerusalém, templo.
As brasas de juízo (v. 1-8):
O homem vestido de linho é enviado a pegar brasas de entre os querubins e espalhá-las sobre a cidade — símbolo da purificação pelo fogo do juízo.
A descrição dos querubins (v. 9-17):
Os querubins, semelhantes aos do capítulo 1, aparecem em majestade e movimento. Eles revelam a santidade e a glória do Deus que age em juízo.
A retirada da glória (v. 18-22):
A glória do Senhor se levanta do propiciatório e vai até a entrada do templo, preparando-se para abandonar Jerusalém.
Teologia reformada:
A partida da glória mostra que Deus não está preso a um templo físico. Quando há idolatria, Ele retira Sua presença. Isso aponta para Cristo como o verdadeiro templo (Jo 2.19–21), em quem a glória de Deus habita plenamente. A Igreja só é templo se permanece em Cristo.
EZEQUIEL 11: O JUÍZO SOBRE OS LÍDERES E A PROMESSA DE UM NOVO CORAÇÃO.
Tópico central: Deus condena os líderes corruptos, mas promete restaurar um povo com novo coração e novo espírito.
Personagens principais: o Senhor, vinte e cinco líderes de Jerusalém, Jaazanias, Pelatias, Ezequiel, o remanescente.
Lugares principais: Jerusalém, portão oriental do templo, Babilônia (destino dos exilados).
O falso conselho dos líderes (v. 1-13):
Os líderes diziam que Jerusalém era segura como uma panela, mas Deus declara que eles mesmos serão tirados e julgados. Pelatias morre diante da visão, e Ezequiel intercede novamente.
A promessa de restauração (v. 14-21):
Deus promete reunir Seu povo das nações, dar-lhes um só coração e um espírito novo. Ele arrancará o coração de pedra e lhes dará coração de carne, para que O sirvam.
A partida da glória (v. 22-25):
A glória do Senhor se levanta do templo e se detém sobre o monte ao oriente da cidade (Monte das Oliveiras), símbolo da retirada completa da presença divina.
Teologia reformada:
Deus não apenas julga, mas também promete regeneração soberana: novo coração e novo espírito são obra monergística da graça (Ez 36.26-27; Jo 3.5-8). Esse texto aponta para a obra do Espírito na nova aliança em Cristo.
EZEQUIEL 12: O PROFETA COMO SINAL DO EXÍLIO.
Tópico central: Ezequiel encena o exílio de Jerusalém, anunciando a fuga e captura do rei Zedequias e a certeza da palavra profética.
Personagens principais: o Senhor, Ezequiel, os exilados, Zedequias (rei de Judá).
Lugares principais: Babilônia (onde Ezequiel está), Jerusalém (destino da profecia).
O ato simbólico do exílio (v. 1-16):
Ezequiel prepara bagagem como quem vai para o exílio e sai de casa em plena vista do povo. Isso simboliza a fuga de Jerusalém. O rei tentaria escapar, mas seria capturado e levado a Babilônia — onde morreria sem ver a cidade.
A fome e o terror (v. 17-20):
Ezequiel come pão e bebe água com tremor, anunciando o medo e a miséria que viriam sobre Jerusalém.
A certeza da palavra (v. 21-28):
O povo zombava dizendo: “Prolonga-se a visão”. Mas Deus afirma: “A palavra que Eu falar se cumprirá”.
Teologia reformada:
Os atos simbólicos reforçam a certeza da palavra inspirada: o que Deus diz, Ele cumpre. O rei Zedequias é exemplo de como nenhum poder humano pode frustrar os decretos divinos. A palavra de Deus é infalível e eficaz (Is 55.11), cumprida plenamente em Cristo, o Verbo eterno.
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Ezequiel 9 a 12 mostra o avanço do juízo: os fiéis são selados, a glória de Deus começa a deixar o templo, os líderes corruptos são condenados e o rei rebelde é entregue ao exílio. Contudo, em meio ao juízo, Deus promete dar um novo coração e um novo espírito ao Seu povo. Aqui vemos a santidade inflexível de Deus e Sua graça soberana. Tudo aponta para Cristo, em quem a glória de Deus habita, em quem recebemos novo coração e em quem todas as promessas se cumprem.
TEXTO DEVOCIONAL.
A visão da glória que abandona o templo é solene: Deus não se deixa manipular por religião exterior. Ele habita com os que têm coração quebrantado e novo. Nossa esperança não está em estruturas religiosas, mas em Cristo, o verdadeiro Templo. Ele nos selou com o Espírito e nos deu novo coração para O servir.
ORAÇÃO.
Ó Deus santo e justo, ajuda-nos a gemer contra o pecado e não a nos conformar com ele. Obrigado porque, em Cristo, recebemos o selo do Teu Espírito e um novo coração para Te obedecer. Livra-nos da falsa segurança em tradições vazias e mantém-nos firmes na Tua Palavra, que é certa e fiel. Em nome de Jesus. Amém.

Ezequiel 9 a 12: O juízo, a partida da glória e o exílio anunciado está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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