Ezequiel 1 a 4: A glória de Deus e o julgamento anunciado.

EZEQUIEL 1: A VISÃO DA GLÓRIA DE Deus.

Tópico central: O profeta contempla a majestade e a glória do Senhor em visão celestial, revelando o caráter santo e soberano de Deus.

Personagens principais: o Senhor, Ezequiel (profeta).

Lugares principais: Cativeiro em Babilônia, junto ao rio Quebar.

A tempestade e os seres viventes (v. 1-14):

Ezequiel vê uma tempestade com fogo e relâmpagos. Quatro seres viventes aparecem, cada um com quatro rostos (homem, leão, boi e águia) e quatro asas, representando a plenitude da criação e do governo de Deus.

As rodas (v. 15-21):

Rodas cheias de olhos se movem em todas as direções, sempre acompanhando os seres viventes. Isso mostra a onisciência e a soberania de Deus, que governa sobre toda a terra.

A glória divina (v. 22-28):

Acima dos seres e das rodas, Ezequiel contempla um trono e, sobre ele, a semelhança de um homem cercado de esplendor e fogo. Ele cai sobre o rosto, reconhecendo a majestade do Senhor.

Teologia reformada:

A visão destaca a santidade, onipresença e soberania absoluta de Deus. O trono de Deus não está limitado a Jerusalém ou ao templo: Ele reina sobre todas as nações, mesmo em meio ao exílio. Isso prepara o caminho para entender que a verdadeira esperança não está no templo terreno, mas no Cristo glorificado, que é o trono de Deus entre os homens.

EZEQUIEL 2: A VOCAÇÃO DO PROFETA.

Tópico central: Deus chama Ezequiel para ser profeta a um povo rebelde, dando-lhe autoridade e sustento pela Sua palavra.

Personagens principais: o Senhor, Ezequiel, a casa de Israel.

Lugares principais: Babilônia (contexto do exílio).

A comissão divina (v. 1-5):

O Senhor ordena que Ezequiel se levante e fala com ele. O Espírito entra no profeta, capacitando-o. Ele é enviado a um povo obstinado e rebelde, mas deve proclamar a palavra, quer ouçam, quer deixem de ouvir.

A ousadia necessária (v. 6-7):

Ezequiel não deve temer espinhos ou escorpiões (símbolos do povo hostil), mas falar as palavras de Deus com fidelidade.

O rolo da mensagem (v. 8-10):

O profeta recebe um rolo escrito por dentro e por fora, cheio de lamentações, ais e prantos, mostrando que a mensagem será dura, mas verdadeira.

Teologia reformada:

O chamado ao ministério vem de Deus e é sustentado pelo Espírito. O profeta não fala de si mesmo, mas da palavra inspirada. Essa verdade aponta para a autoridade absoluta da Escritura como Palavra de Deus. O ministério fiel não depende da resposta humana, mas da obediência ao mandato divino.

EZEQUIEL 3: O PROFETA COMO ATALAIA DE ISRAEL.

Tópico central: Ezequiel é constituído como atalaia, responsável por anunciar fielmente a mensagem de juízo e de vida.

Personagens principais: o Senhor, Ezequiel, Israel (casa rebelde).

Lugares principais: Babilônia, entre os exilados.

O rolo comido (v. 1-15):

Deus ordena a Ezequiel que coma o rolo. Ao comer, ele o acha doce, mostrando que a palavra de Deus, ainda que de juízo, é preciosa e necessária. O profeta é enviado a Israel, não a povos estrangeiros, mas ao seu próprio povo endurecido.

A responsabilidade do atalaia (v. 16-21):

Deus estabelece Ezequiel como atalaia: se ele não advertir o ímpio, será responsável por sua morte. Mas se ele falar fielmente, ainda que o povo não se converta, sua consciência estará limpa.

A glória de Deus e o silêncio do profeta (v. 22-27):

Ezequiel vê novamente a glória de Deus e cai sobre o rosto. O Espírito o fortalece e o leva de volta ao povo. O profeta é instruído a ficar mudo até que o Senhor lhe ordene falar, mostrando que só deve proclamar a palavra autorizada por Deus.

Teologia reformada:

O ministério profético não é opcional, mas uma responsabilidade solene diante de Deus. Isso prefigura o chamado da Igreja a proclamar todo o conselho de Deus (At 20.27). A salvação pertence ao Senhor, mas o meio ordinário é a pregação fiel de Sua Palavra. O atalaia é um tipo de Cristo, o fiel Pastor e Profeta perfeito, que nunca deixou de anunciar a vontade de Deus.

EZEQUIEL 4: OS SINAIS DO CERCO E DO JUÍZO.

Tópico central: Ezequiel realiza atos simbólicos para anunciar o cerco de Jerusalém, a fome e a humilhação do povo.

Personagens principais: o Senhor, Ezequiel, Jerusalém (representada).

Lugares principais: Babilônia (profecia feita entre os exilados).

O tijolo e o cerco (v. 1-3):

Ezequiel desenha Jerusalém em um tijolo e simula um cerco, mostrando que a cidade será sitiada e destruída. Um prato de ferro entre ele e a cidade simboliza a barreira da ira de Deus.

Os dias de iniquidade (v. 4-8):

O profeta se deita sobre o lado esquerdo 390 dias (representando os anos de iniquidade de Israel) e depois sobre o lado direito 40 dias (os de Judá). Cada dia representa um ano do pecado acumulado.

A fome e a escassez (v. 9-17):

Ezequiel deve comer pão medido e beber água racionada, cozinhando o pão em condições impuras. Isso simboliza a fome e a impureza que o povo sofrerá no cerco e no exílio.

Teologia reformada:

Os atos simbólicos ensinam que o juízo é certo e vem das mãos de Deus. A culpa do povo é acumulada ao longo de gerações, mostrando a profundidade do pecado original e suas consequências. A disciplina de Deus visa mostrar a necessidade de arrependimento e preparar o caminho para a salvação em Cristo, o único que levou sobre Si toda a iniquidade do Seu povo.

SÍNTESE TEOLÓGICA.

Ezequiel 1 a 4 apresenta a majestade de Deus, a vocação do profeta e a seriedade do juízo sobre o pecado. Deus se revela como Rei soberano que governa sobre todas as nações. O profeta, capacitado pelo Espírito, deve proclamar a palavra fielmente, mesmo diante da rejeição. Os sinais dramáticos revelam a gravidade do pecado de Israel e a certeza do juízo. Tudo isso aponta para Cristo, a plena revelação da glória de Deus, o Profeta perfeito e o Juiz justo.

TEXTO DEVOCIONAL.

A visão de Ezequiel nos lembra que Deus não está preso a templos ou circunstâncias: Ele reina soberano em todo lugar. Sua palavra é doce para quem a recebe em fé, mas pesada para os rebeldes. Somos chamados a viver como atalaias, anunciando a verdade do evangelho em amor e fidelidade. O juízo é real, mas também é graça de Deus advertir Seu povo antes que seja tarde. Que Cristo, nosso verdadeiro Atalaia e Profeta, nos fortaleça para sermos fiéis.

ORAÇÃO.

Santo e majestoso Deus, assim como mostraste Tua glória a Ezequiel, abre nossos olhos para contemplarmos a Tua soberania. Capacita-nos pelo Teu Espírito a sermos testemunhas fiéis em um mundo endurecido. Livra-nos da negligência e dá-nos coragem para proclamar o evangelho com fidelidade. Obrigado porque em Cristo encontramos não apenas juízo, mas também vida e salvação. Em nome dEle oramos. Amém.


Ezequiel 1 a 4: A glória de Deus e o julgamento anunciado está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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