Pergunta 53: Qual é o terceiro mandamento?
Resposta: O terceiro mandamento é: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” [1].
PROVA BÍBLICA.
[1] Êxodo 20:7; Deuteronômio 5:11.
Comentário.
Este mandamento nos ensina como devemos tratar o nome de Deus. Mas a palavra “nome” não deve ser entendida apenas em seu sentido mais óbvio e básico, embora este também esteja incluído. Na realidade, o nome de Deus abrange o próprio Deus (cf. Lv 24:16) e tudo aquilo pelo qual Ele é conhecido, como Seus nomes, títulos, atributos, ordenanças, Sua Palavra e Suas obras. Assim, Salomão fala sobre edificar uma casa ao nome do Senhor (1 Rs 5:3, 5). Do mesmo modo, o salmista declara: “Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor, até aos confins da terra; a tua destra está cheia de justiça” (Sl 48:10). E, na Oração do Senhor, dizemos: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Teu nome”. Fica claro que, em todos esses casos, “nome” se refere a muito mais do que simples designações atribuídas a Deus.
Tomar o nome de Deus em vão é usá-lo de maneira frívola, hipócrita, irreverente ou supersticiosa. Portanto, quebramos este mandamento quando adoramos o Deus vivo e verdadeiro (primeiro mandamento), da maneira correta (segundo mandamento), mas com o espírito errado. Em outras palavras, violamos este mandamento quando apenas executamos os gestos exteriores do culto, sem o coração, ou quando nossos pensamentos divagam durante a adoração. Quebramos este mandamento também quando pensamos, falamos ou escrevemos sobre Deus, ou quando O servimos, de forma que diminua a Sua glória ou O represente falsamente. De fato, como portadores do nome de Cristo, transgredimos este mandamento se nossa vida não condiz com a santidade dos santos. Paulo, referindo-se àqueles que desonram a Deus ao violar a lei, adverte: “O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Rm 2:24).
Além disso, tomar o nome de Deus em vão pode ocorrer não apenas em contextos religiosos formais, mas também em nossa vida cotidiana. Quando usamos expressões comuns que trivializam o nome divino, ou quando prometemos algo “em nome de Deus” sem intenção sincera de cumprir, estamos profanando aquilo que deveria ser tratado com profundo respeito. Essa atitude revela não apenas irreverência, mas também uma falta de temor santo, esquecendo que Deus é um Deus zeloso que não terá por inocente aquele que tomar o Seu nome em vão (Êx 20:7).
Outro aspecto importante é que este mandamento nos chama a cultivar um coração que valorize e reverencie a presença e a autoridade de Deus em todas as áreas da vida. A reverência ao nome divino não é apenas evitar blasfêmias explícitas, mas envolve viver de modo coerente com o evangelho. Isso significa que nossas palavras, atitudes e decisões devem apontar para a glória de Deus e não para a nossa própria exaltação. Viver de forma contrária à fé que professamos é uma maneira prática de tomar o nome de Deus em vão, pois comunica ao mundo um falso testemunho sobre quem Ele é.
Também é necessário lembrar que a santificação do nome de Deus está ligada ao nosso testemunho diante dos outros. Jesus ensinou que devemos ser sal e luz neste mundo, para que, vendo nossas boas obras, as pessoas glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5:16). Quando vivemos de forma santa, fiel e amorosa, o nome de Deus é honrado. Quando, porém, caímos em hipocrisia, falsidade ou escândalo, o nome de Deus é envergonhado entre os homens. Assim, a guarda deste mandamento é inseparável de uma vida de piedade prática e compromisso real com Cristo.
Por fim, honrar o nome de Deus não é apenas evitar palavras impróprias ou blasfêmias, mas envolve toda uma postura de vida marcada por reverência, amor e obediência. Este mandamento nos convida a tratar com santidade tudo o que se refere ao Senhor, Sua Pessoa, Sua Palavra, Suas obras e Sua glória. Guardá-lo é reconhecer que Deus é digno de todo louvor e que Seu nome deve ser exaltado em cada pensamento, palavra e ação. Quando assim vivemos, não apenas obedecemos a uma ordem divina, mas refletimos ao mundo a beleza e a majestade daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Perguntas.
1. De acordo com o texto, o que significa “nome de Deus” e por que seu significado vai além de simples designações?
2. Quais são algumas maneiras, mencionadas no texto, pelas quais podemos tomar o nome de Deus em vão, mesmo dentro da adoração?
3. Como o uso descuidado ou trivial do nome de Deus em conversas cotidianas pode revelar falta de temor santo?
4. De que forma a coerência entre nossa vida e a fé que professamos está ligada à guarda deste mandamento?
5. Segundo a conclusão do texto, qual é a essência de honrar o nome de Deus e como isso se manifesta em nossa vida prática?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 53 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em agosto de 2025. Publicado originalmente em 05 de junho de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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