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Pergunta 52: Quais são as razões anexas ao segundo mandamento?
Resposta: As razões anexas ao segundo mandamento são a soberania de Deus sobre nós [1], a Sua propriedade em nós [2], e o zelo que Ele tem por seu próprio culto [3].
Provas bíblicas:
[1] Salmos 95:2-3, 6-7; 96:9-10; [2] Êxodo 19:5; Salmos 45:11; Isaías 54:5; [3] Êxodo 34:14; 1 Coríntios 10:22.
Comentário.
As razões anexas ao Segundo Mandamento são encontradas nas palavras: “porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso…” (Êx 20:5). Três ensinamentos podem ser extraídos dessa declaração.
Primeiramente, ela fala da soberania de Deus sobre nós: “Eu, o Senhor.” Como Rei soberano sobre nós, Deus tem o direito de exigir que O adoremos da maneira que Lhe agrada. E, sendo infinitamente maior do que nós, é impossível sabermos como adorá-Lo, a menos que Ele mesmo nos revele como devemos fazê-lo.
Em segundo lugar, a expressão “teu Deus” fala da posse de Deus sobre nós, ou seja, de que pertencemos a Ele. Como nosso Criador e Redentor, Deus tem todo o direito de exigir que a nossa adoração reflita uma submissão própria das criaturas, acompanhada da gratidão dos redimidos. O chamado do salmista à adoração baseia-se nesse pensamento: “Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. Porque Ele é o nosso Deus, e nós povo do Seu pasto e ovelhas da Sua mão” (Sl 95:6-7). Ironicamente, pouco tempo depois que os israelitas saíram do Egito, Arão fez um bezerro de ouro e concordou com o povo, dizendo: “Este é o teu deus [ou deuses]… que te tirou da terra do Egito” (Êx 32:4). Quando o povo adorou aquela imagem, não apenas negou que Deus era o seu Redentor, mas também que era o seu Criador, pois prestou homenagem a uma coisa criada. “Fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. … Esqueceram-se de Deus, seu Salvador” (Sl 106:19, 21).
Em terceiro lugar, o texto fala do zelo de Deus por Sua própria adoração e instituições: “sou Deus zeloso.” Deus é transcendentalmente santo e, por isso, não permitirá que as invenções e artifícios de homens pecadores sejam introduzidos em Sua adoração. Enquanto muitas igrejas hoje consideram o modo de adoração como uma questão secundária, Deus a trata como algo de extrema importância. Ele chama de “os que Me aborrecem” aqueles que violam Suas instruções sobre o culto (Êx 20:5b). Por outro lado, os que obedecem ao Seu mandamento são descritos como os que O amam.
O zelo de Deus pelo Seu culto se reflete em toda a Escritura. No Antigo Testamento, vemos exemplos solenes de como Deus tratou com severidade aqueles que se aproximaram dEle de modo impróprio. Nadabe e Abiú, filhos de Arão, ofereceram “fogo estranho perante o Senhor, o que Ele nunca lhes ordenara” e, como resultado, “saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu” (Lv 10:1-2). Esse episódio nos ensina que, mesmo sendo sacerdotes consagrados, eles não estavam autorizados a alterar as ordens divinas. Deus não apenas rejeita a adoração falsa, mas também pune os que a praticam. Isso deveria incutir nos crentes um santo temor e reverência ao se aproximarem dEle.
Além disso, a maneira como Deus deseja ser adorado está intimamente ligada ao caráter do evangelho. Quando os homens introduzem formas humanas e criativas de culto, correm o risco de obscurecer a centralidade de Cristo e desviar o coração do povo da verdade revelada. O culto bíblico, conforme ordenado por Deus, é centrado na Palavra, saturado de oração, focado na glória de Cristo e separado das distrações sensoriais que buscam agradar ao homem. O culto não é um palco para performance humana, mas o lugar sagrado onde o povo redimido se encontra com seu Redentor em espírito e em verdade.
Nos tempos do Novo Testamento, Jesus reafirma esse princípio ao declarar que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai “em espírito e em verdade” (Jo 4:23). Isso significa que a adoração deve ser tanto interior quanto conforme à verdade revelada, e essa verdade é a Escritura. Qualquer tentativa de adorar a Deus fora do que Ele estabeleceu é, portanto, uma forma de idolatria sutil. O zelo de Deus por Sua própria glória não diminuiu com o tempo; Ele continua sendo o mesmo Deus santo e ciumento, que busca adoradores que O honrem de acordo com Sua vontade.
Diante dessas verdades, os crentes são chamados a examinar cuidadosamente sua adoração, não à luz de preferências pessoais ou tradições humanas, mas conforme a Palavra de Deus. O Segundo Mandamento nos ensina que não basta adorar o Deus verdadeiro, é necessário adorá-Lo da maneira que Ele determinou. Qualquer desvio disso é uma afronta à Sua santidade e um esquecimento do evangelho que nos salvou. Adorar a Deus corretamente não é apenas um dever, mas um privilégio é render a Ele a glória devida ao Seu nome, com reverência, temor e alegria no Espírito.
Perguntas.
1. O que significa a expressão “Eu, o Senhor” no contexto do Segundo Mandamento e o que ela revela sobre a adoração a Deus?
2. De que maneira a expressão “teu Deus” reforça o direito de Deus de ser adorado conforme Ele ordena?
3. Por que a criação e adoração do bezerro de ouro pelos israelitas foi considerada uma negação do papel de Deus como Criador e Redentor?
4. Como o zelo de Deus por Sua adoração é evidenciado nas Escrituras, especialmente no episódio de Nadabe e Abiú?
5. O que caracteriza o culto verdadeiro segundo o ensino do Novo Testamento e como isso se opõe às invenções humanas na adoração?
6. Por que adorar a Deus da forma prescrita por Ele não é apenas um dever, mas também um privilégio para os crentes?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 52 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em agosto de 2025. Publicado originalmente em 29 de maio de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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