Pergunta 51: O que é proibido no segundo mandamento?
Resposta: O segundo mandamento proíbe adorar a Deus por meio de imagens [1], ou de qualquer outra maneira não designada em Sua Palavra [2].
PROVAS BÍBLICAS.
[1] Deuteronômio 4:15-19; Romanos 1:22-23;
[2] Levítico 10:1-2; Jeremias 19:4-5; Colossenses 2:18-23.
Comentário.
A formulação do Segundo Mandamento dá margem a dois erros comuns. O primeiro é interpretar que o mandamento proíbe todas as formas de arte e fotografia. Pouquíssimas pessoas sustentariam essa leitura hoje em dia. O próprio Deus ordenou que o tabernáculo fosse adornado com querubins (Êx 26:1). O segundo erro é entender o mandamento apenas como uma proibição à idolatria, isto é, à adoração de outros deuses. Este é o erro cometido por católicos romanos, cristãos ortodoxos orientais e luteranos, que veem esse mandamento como uma extensão do Primeiro Mandamento, proibindo a adoração de deuses estranhos. A suposição é que outros deuses são adorados por meio de ídolos.
Por outro lado, os teólogos de Westminster, seguindo Calvino, concordariam que este mandamento proíbe a idolatria, mas especificamente no contexto da adoração ao Deus Vivo e Verdadeiro. Em outras palavras, o mandamento proíbe o uso de imagens de qualquer tipo na adoração a Deus e, por extensão, proíbe a adoração de Deus por qualquer meio inventado pelo homem. O Senhor condena esse tipo de culto como vão: “Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (Mt 15:9). O apóstolo Paulo, ao condenar o culto supersticioso dos colossenses, acusa-os de “culto voluntário”: “As quais coisas têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Cl 2:23).
Vivemos em uma época em que o culto cristão tem sido moldado principalmente pela cultura e por normas tradicionais — mesmo nas igrejas protestantes. Uma aplicação correta deste mandamento seria examinar cada elemento de nosso culto à luz das Escrituras. Se não conseguimos fundamentar nossas práticas com base nas Escrituras, então nosso culto precisa ser reformado. Não devemos nos apegar a práticas apenas porque as realizamos há muitos anos. As igrejas católicas romanas e ortodoxas precisam se arrepender do uso de imagens, sejam tridimensionais ou bidimensionais. Igrejas carismáticas devem considerar se seu culto está sendo realizado “com decência e ordem” (1 Co 14:40). Igrejas que permitem pregadoras devem considerar a advertência de Paulo: “Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio” (1 Tm 2:12).
Outra aplicação desse mandamento é que não devemos criar nenhuma imagem ou representação de Deus. Assim, a famosa pintura de Michelangelo retratando Deus criando Adão no teto da Capela Sistina, encomendada pelo Papa Júlio II, é uma abominação aos olhos de Deus, e não uma obra bela. A imagem rebaixa Deus, que é espírito, infinito, eterno e imutável, e pode ser causa de adoração idólatra.
E quanto às representações de Jesus Cristo, já que Ele é Deus e homem? Que Thomas Vincent responda: “Não é lícito… porque Sua natureza divina não pode ser representada de forma alguma; e porque Seu corpo, tal como está agora glorificado, não pode ser representado como é; e porque, se não desperta devoção, é inútil; se desperta devoção, é uma forma de culto por imagem ou figura, e assim uma violação evidente do segundo mandamento”.
Ademais, a proibição do uso de imagens na adoração implica um chamado à pureza do culto espiritual. Jesus ensinou que os verdadeiros adoradores adoram o Pai “em espírito e em verdade” (Jo 4:24), o que exclui qualquer mediação visual ou sensorial para se aproximar de Deus. O culto cristão, portanto, deve ser centrado na Palavra, nos sacramentos instituídos por Cristo e na oração, todos meios ordenados por Deus e suficientes para edificar a fé. A fé cristã não se fundamenta no que os olhos veem, mas na confiança nas promessas divinas reveladas nas Escrituras.
Além disso, a inclinação humana de fabricar representações visíveis de Deus revela uma tendência constante ao antropomorfismo, isto é, a tentativa de moldar Deus segundo nossa imagem. Isso distorce gravemente a glória divina, pois transforma o Criador em algo finito e compreensível pela mente humana. No entanto, o Deus das Escrituras se revela como absolutamente outro: “A quem, pois, me comparareis, para que eu lhe seja igual? — diz o Santo” (Is 40:25). Ao rejeitar imagens, o Segundo Mandamento protege a transcendência de Deus e nos lembra que devemos nos achegar a Ele com reverência e temor, não com familiaridade irreverente.
Vale notar que o uso de imagens religiosas, além de violar o mandamento, também tem efeitos práticos prejudiciais na vida espiritual do povo de Deus. Em vez de conduzir à verdadeira fé, tais imagens tendem a criar uma fé sensorial, frágil e emocionalmente manipulável. O cristão passa a depender de objetos visuais e experiências externas, em vez de confiar na suficiência de Cristo e na direção do Espírito Santo. É por isso que a Reforma Protestante insistiu tanto no retorno à centralidade da Palavra e na remoção de qualquer elemento que obscurecesse a simplicidade e a pureza do culto bíblico.
O Segundo Mandamento não é apenas uma proibição negativa contra imagens, mas uma afirmação positiva sobre como Deus deseja ser adorado. Ele nos chama a um culto puro, centrado em Sua Palavra e livre de invenções humanas. Obedecer a esse mandamento é um ato de fidelidade à revelação divina e um reconhecimento da santidade e soberania de Deus. Portanto, cada cristão e cada igreja são chamados a examinar cuidadosamente suas práticas de culto, para que sejam conforme a vontade de Deus e não conforme as tradições ou gostos humanos.
Perguntas.
1. Quais são os dois erros comuns cometidos na interpretação do Segundo Mandamento?
2. De que maneira os teólogos de Westminster interpretam a proibição do uso de imagens no culto?
3. Por que é necessário examinar as práticas de culto à luz das Escrituras, segundo o texto?
4. Qual é o problema apontado em relação à representação artística de Deus e de Jesus Cristo?
5. Como o uso de imagens religiosas pode afetar negativamente a vida espiritual dos cristãos?
6. Qual é a implicação positiva do Segundo Mandamento em relação à forma como Deus deve ser adorado?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 51 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em julho de 2025. Publicado originalmente em 22 de maio de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Deixe um comentário