Comece com uma oração. Ore para que Deus guie seu momento de devoção, fale com você por meio da leitura e lhe dê introspecção sobre como aplicá-la. Para o seu momento de oração, pode ser útil ler e refletir sobre uma passagem como o Salmo 36:9, 119:18 ou 131:1–2. Comprometa-se a ouvir Deus falar e a obedecer ao que você O ouvir dizer.
Leia: Filipenses 3.
Comentário de Matthew Henry.
Filipenses 3.
Finalmente, meus irmãos, alegrem-se no Senhor. Escrever-lhes as mesmas coisas não é penoso para mim, e é segurança para vocês.
Filipenses 3:1-11: Os cristãos sinceros se alegram em Cristo Jesus. O profeta chama os falsos profetas de “cães mudos” (Isaías 56:10), e o apóstolo parece fazer alusão a isso. Ele os chama de cães por causa de sua maldade contra os verdadeiros seguidores do evangelho de Cristo, latindo e mordendo-os. Eles promoviam obras humanas em oposição à fé em Cristo; por isso Paulo os chama de “maus obreiros”. Ele também os chama de “falsa circuncisão”, pois dilaceravam a igreja de Cristo, como se a cortassem em pedaços.
A prática religiosa não tem valor algum se o coração não estiver envolvido. Devemos adorar a Deus na força e na graça do Espírito Santo. Aqueles que são de Deus se alegram em Cristo Jesus, e não em simples ritos exteriores ou realizações humanas. Devemos estar sempre atentos aos que se opõem ou deturpam a doutrina da salvação gratuita. Se alguém tivesse motivos para confiar na carne, esse seria Paulo. Tudo o que antes ele considerava ganho como fariseu, agora considera como perda por causa de Cristo.
O apóstolo não exigia dos outros nada que ele mesmo não praticasse. Tudo o que antes ele valorizava, agora considera lixo, comparado ao conhecimento de Cristo, um conhecimento que vem pela fé em sua pessoa e obra salvadora. Ele trata todas as riquezas e privilégios terrenos que competem com Cristo em seu coração como perda. E mais: considera-os como refugos, restos lançados aos cães; não apenas inferiores a Cristo, mas completamente desprezíveis quando colocados em oposição a ele.
O verdadeiro conhecimento de Cristo transforma os homens, suas opiniões e comportamentos, como se fossem recriados. O crente prefere Cristo a todas as riquezas deste mundo, pois é melhor viver sem tudo do que viver sem Cristo e sua Palavra. Vejamos, então, o que o apóstolo decidiu buscar com firmeza: Cristo e o céu.
Estamos perdidos sem uma justiça que nos permita comparecer diante de Deus, pois somos culpados. Mas há uma justiça provida em Jesus Cristo, uma justiça perfeita e completa. Somente aqueles que não confiam em si mesmos podem se beneficiar dela. A fé é o meio designado por Deus para aplicar essa salvação. É pela fé no sangue de Cristo.
Somos conformados com a morte de Cristo quando morremos para o pecado, assim como ele morreu por causa do pecado. O mundo é crucificado para nós, e nós para o mundo, por meio da cruz de Cristo. O apóstolo estava disposto a fazer ou sofrer qualquer coisa para alcançar a gloriosa ressurreição dos santos. Essa esperança o sustentava em todas as dificuldades de seu ministério. Ele não esperava alcançar tal glória por seus próprios méritos ou justiça, mas somente pelos méritos e justiça de Jesus Cristo.
Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo para alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
Filipenses 3:12-21: Essa dependência sincera e intensa da alma não é mencionada como se o apóstolo já tivesse alcançado o prêmio ou já fosse perfeito à semelhança do Salvador. Ele deixava para trás o que já havia feito, não se contentando com esforços passados ou com o nível atual de graça. Em vez disso, estendia-se para frente, como alguém que corre em direção à meta, expressões que revelam seu desejo ardente de se tornar cada vez mais semelhante a Cristo.
Quem corre uma corrida não deve parar antes da linha de chegada, mas seguir em frente com todo empenho. Assim também os que têm o céu como alvo devem avançar continuamente, com desejos santos, esperança firme e esforços constantes. A vida eterna é dom de Deus, mas está em Cristo Jesus; deve chegar até nós por suas mãos, pois ele a conquistou para nós. Não há como chegar ao céu como nosso lar senão por Cristo como nosso Caminho.
Os verdadeiros crentes, ao buscarem essa certeza e também glorificarem a Deus, desejarão se identificar mais com os sofrimentos e a morte de Cristo, morrendo para o pecado e crucificando a carne com suas paixões e desejos. Há grande diversidade entre os cristãos sinceros quanto a essas experiências, mas todos conhecem algo delas. Os crentes fazem de Cristo o seu tudo, e fixam o coração no mundo por vir. Se há diferenças de opinião em assuntos secundários, não devem julgar uns aos outros, pois todos estão unidos em Cristo agora e esperam estar unidos plenamente no céu. Devem, portanto, unir-se no essencial e aguardar mais luz quanto ao que ainda divergem.
Os inimigos da cruz de Cristo vivem para satisfazer os próprios desejos sensuais. O pecado é motivo de vergonha para o pecador, ainda mais quando é motivo de orgulho. O caminho daqueles que vivem para as coisas terrenas pode parecer agradável, mas seu fim é a morte e o inferno. Se escolhermos esse caminho, partilharemos do mesmo destino.
A vida do cristão está no céu, e é onde está seu Cabeça, seu lar, e onde ele espera estar em breve. Ele dirige seu coração às coisas do alto, e onde está seu coração, estará também sua conduta. Há uma glória reservada para os corpos dos santos, com a qual se revestirão na ressurreição. Naquele dia, o corpo será não apenas revivido, mas transformado gloriosamente. Reparemos no poder que operará essa mudança.
Que estejamos sempre preparados para a vinda do nosso Juiz, aguardando que ele transforme nossos corpos humildes por seu poder onipotente, e clamando diariamente para que ele recrie nossas almas em santidade, nos livre dos nossos inimigos e use nosso corpo e alma como instrumentos de justiça em seu serviço.
PERGUNTAS.
1. O que significa, na prática, “regozijar-se no Senhor”? Como posso cultivar essa alegria mesmo em meio às dificuldades?
2. Paulo considerou como perda tudo o que antes valorizava, por causa de Cristo. Que coisas eu ainda estou relutando em abandonar para seguir mais plenamente a Jesus?
3. Tenho confiado mais em minhas obras e méritos ou na justiça perfeita de Cristo para me apresentar diante de Deus?
4. O que tem ocupado mais o meu coração e os meus pensamentos: os prazeres e conquistas do mundo ou o desejo de conhecer mais profundamente a Cristo?
5. Paulo diz que se conformou com a morte de Cristo, morrendo para o pecado. Há alguma área da minha vida onde ainda resisto à cruz?
6. Minha caminhada cristã reflete essa busca intensa de “prossigo para alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus”? Ou tenho me acomodado espiritualmente?
7. Tenho crescido em semelhança a Cristo no modo como vivo, penso e reajo às circunstâncias? Ou estou estagnado?
8. Estou disposto a sofrer perdas — materiais, sociais ou emocionais — por amor a Cristo e pelo avanço do evangelho?
9. Como minha esperança na ressurreição e na glória futura influencia minhas prioridades e escolhas hoje?
10. Minha “cidadania está nos céus”? Ou ainda vivo como se esta terra fosse meu lar definitivo?

Semana 3: Comentário devocional em Filipenses 3 sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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