Pergunta 50: O que é requerido no segundo mandamento?
Resposta: O segundo mandamento requer a recepção, observância e manutenção pura e inteira de todo o culto religioso e ordenanças que Deus designou em sua Palavra [1].
PROVAS BÍBLICAS.
[1] Deuteronômio 12:32; Mateus 28:20.
Comentário.
Enquanto o Primeiro Mandamento trata do objeto adequado da adoração, o Segundo Mandamento diz respeito à maneira correta de adorar a Deus.
Embora o Segundo Mandamento proíba especificamente o uso de imagens no culto (ver BCW 51), ele implicitamente expressa o Princípio Regulador do Culto, ou seja, que, na adoração a Deus, somente aquilo que é ordenado na Palavra de Deus é permitido. Foi com base direta nesse mandamento que o Senhor deu instruções específicas a Moisés sobre como o altar dos sacrifícios deveria ser construído (Êx 20.22–26). Moisés não devia agir por iniciativa própria nem construir o altar segundo o que lhe parecesse melhor.
Esse princípio regulador, conforme ensinado pelos Padrões de Westminster, difere do princípio adotado por luteranos e anglicanos, que afirmam que tudo o que não é proibido na Palavra de Deus é permitido. A Confissão de Fé de Westminster 21.1 declara: “O modo aceitável de adorar o Deus verdadeiro é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado por Sua própria vontade revelada, que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito na Sagrada Escritura”.
Quais são, então, os elementos de culto sancionados pela Palavra de Deus? A CFW 21.5 os enumera da seguinte forma: “A leitura das Escrituras, com temor piedoso (At 15:21; Ap 1:3); a sã pregação da Palavra (2Tm 4:2) e o consciencioso ouvir dela, em obediência a Deus, com entendimento, fé e reverência (Tg 1:22; At 10:33; Mt 13:19; Hb 4:2; Is 66:2); o cântico de salmos com graça no coração (Cl 3:16; Ef 5:19; Tg 5:13); bem como a devida administração e o digno recebimento dos sacramentos instituídos por Cristo – são todos partes do culto religioso ordinário oferecido a Deus (Mt 28:19; 1Co 11:23-29; At 2:42), além dos juramentos religiosos (Dt 6:13 com Ne 10:29) e votos (Is 19:21 Com Ec 5:4-5), jejuns solenes (Jl 2:12; Et 4:16; Mt 9:15; 1Co 7:5) e ações de graças em ocasiões especiais (Sl 107; Et 9:22), que devem, em seus vários tempos e ocasiões próprias, ser usados de um modo santo e religioso (Hb 12:28)”.
O Segundo Mandamento, portanto, proíbe o uso de velas, incenso e imagens de qualquer tipo no culto a Deus. Da mesma forma, são vedados o uso de fantoches, peças teatrais ou musicais. Isso, é claro, não significa que os cristãos estejam proibidos de se envolver com essas atividades em outros contextos. A restrição aplica-se exclusivamente ao culto formal, seja público ou particular.
Essa regulamentação não é arbitrária, mas nasce do zelo divino por sua própria glória e da necessidade de preservar a pureza do culto. A adoração que agrada a Deus não é fruto da criatividade humana, mas da obediência humilde à sua Palavra. Quando se introduzem elementos não prescritos, mesmo com boas intenções, corre-se o risco de obscurecer a centralidade de Cristo, desviar o coração do verdadeiro temor e transformar o culto em entretenimento ou superstição.
Historicamente, essa ênfase na conformidade com a Palavra moldou a tradição reformada e preservou a igreja de práticas que, ao longo dos séculos, degeneraram em idolatria e paganismo. Os reformadores sabiam que a adoração corrompida corrompe também a doutrina, a vida e o testemunho do povo de Deus. Por isso, a fidelidade no culto não é uma questão secundária, mas essencial à vida cristã e à santidade da igreja.
Além disso, o Princípio Regulador do Culto protege a consciência cristã. Quando as igrejas exigem práticas que Deus não ordenou, os crentes se veem obrigados a participar de atos que podem contrariar suas convicções bíblicas. A obediência ao Segundo Mandamento, portanto, resguarda a liberdade da consciência diante de imposições humanas, lembrando que só o Senhor tem autoridade para prescrever como deve ser adorado.
Em conclusão, o Segundo Mandamento nos ensina que o culto não é lugar para inovação humana, mas para reverente submissão à vontade de Deus. Ele nos chama a adorar a Deus conforme Ele mesmo determinou, com simplicidade, verdade e profundidade espiritual, para que Cristo seja exaltado, a Palavra centralizada e a igreja edificada. Adorar a Deus como Ele ordena é o mais puro ato de fé, humildade e amor.
Perguntas.
1. Qual é a principal diferença entre o Primeiro e o Segundo Mandamento no que diz respeito à adoração a Deus?
2. Como o Princípio Regulador do Culto, conforme expresso pela tradição reformada, difere do princípio adotado por luteranos e anglicanos?
3. Quais são os elementos de culto que, segundo a Confissão de Fé de Westminster, são aprovados pela Palavra de Deus?
4. Por que práticas como uso de imagens, velas, dramatizações e musicais são consideradas inadequadas no contexto do culto público e privado?
5. De que maneira a obediência ao Segundo Mandamento protege tanto a pureza do culto quanto a liberdade da consciência cristã?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 50 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em junho de 2025. Publicado originalmente em 15 de maio de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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