JÓ 6: A RESPOSTA DE JÓ A ELIFAZ.
Tópico central: Jó responde a Elifaz, expressando o peso do seu sofrimento e a falta de compaixão de seus amigos.
Personagens principais: Jó, Elifaz.
Lugar: Terra de Uz.
Peso do sofrimento:
Jó começa reconhecendo que suas palavras anteriores foram duras, mas justifica-se dizendo que seu sofrimento é mais pesado do que a areia do mar (v. 3). Ele deseja a morte como alívio da dor (v. 8).
Falta de apoio dos amigos:
Jó critica os amigos por serem como ribeiros secos (v. 15), fontes que prometem alívio mas decepcionam. Ele pede palavras honestas, não acusações injustas (v. 24).
Teologia reformada:
O sofrimento pode levar o crente a expressar lamentos sinceros diante de Deus. A tradição reformada, influenciada pelos Salmos e por livros como Jó, reconhece a legitimidade do lamento piedoso. A comunidade da aliança é chamada a consolar e não acusar (Rm 12.15).
JÓ 7: O CLAMOR EXISTENCIAL DE UM HOMEM AFLITO.
Tópico central: Jó dirige-se a Deus com lamento, questionando a brevidade da vida e a severidade de sua dor.
Personagens principais: Jó, Deus.
Lugar: Terra de Uz.
Brevidade da vida e futilidade da existência:
Jó compara seus dias aos de um trabalhador cansado, esperando o fim de sua jornada (vv. 1–6). A vida humana é breve como um sopro (v. 7).
Questionamento a Deus:
Ele se volta diretamente ao Senhor: “Que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele o teu coração?” (v. 17). Jó não entende por que Deus continua observando-o e punindo-o.
Teologia reformada:
Jó expressa sentimentos que os salmistas também registram (Sl 8.4; 103.15). A tensão entre a transcendência de Deus e sua atenção ao homem é central na teologia bíblica. A resposta não está na remoção da dor, mas na confiança na soberania divina que dá sentido ao sofrimento (Is 55.8-9; Rm 11.33).
JÓ 8: A RESPOSTA DE BILDAD: A TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO.
Tópico central: Bildade defende a doutrina da retribuição: os justos prosperam; os ímpios sofrem.
Personagens principais: Bildade, Jó.
Lugar: Terra de Uz.
Apelo à tradição:
Bildade se apoia na sabedoria dos antigos (v. 8) e argumenta que, se os filhos de Jó morreram, foi porque pecaram (v. 4).
Retribuição imediata:
Ele insiste que se Jó for puro e sincero, Deus o restaurará (v. 6). Para Bildade, o sofrimento é resultado direto do pecado, e a restauração virá com arrependimento.
Teologia reformada:
A doutrina da retribuição não é descartada na Escritura, mas é reinterpretada à luz da aliança e da escatologia. Jó desmente a ideia de que todo sofrimento é disciplinar. Como Calvino observa, a fé verdadeira deve perseverar mesmo quando não há recompensa visível. Cristo, o Justo por excelência, sofreu sem culpa (Is 53), desmascarando essa aplicação simplista da retribuição.
JÓ 9: A GRANDEZA DE DEUS E A ANGÚSTIA HUMANA.
Tópico central: Jó reconhece a grandeza de Deus e sua impotência para pleitear sua causa diante do Todo-Poderoso.
Personagens principais: Jó, Deus.
Lugar: Terra de Uz.
Deus é justo e temível:
Jó reconhece que ninguém pode contender com Deus nem ser justo diante dele (v. 2). Deus é soberano e irresistível em seus propósitos (vv. 10–12).
Necessidade de um mediador:
Jó expressa o desejo por um árbitro entre ele e Deus (v. 33), alguém que pudesse colocar a mão sobre ambos. Ele anseia por mediação.
Teologia reformada:
Este capítulo é profundamente cristocêntrico em sua angústia. Jó anseia por aquilo que o Novo Testamento revela: o Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1Tm 2.5). O desejo por um “árbitro” aponta para a necessidade do Redentor que satisfaz a justiça divina e traz reconciliação. A teologia reformada vê aqui uma das prefigurações mais vívidas da mediação de Cristo.
JÓ 10: UM APELO DE CORAÇÃO FERIDO.
Tópico central: Jó clama a Deus, buscando sentido para seu sofrimento e questionando seu Criador.
Personagens principais: Jó, Deus.
Lugar: Terra de Uz.
A criação do homem em contraste com a destruição:
Jó recorda que Deus o formou com cuidado (vv. 8–12), mas agora parece desejar destruí-lo. Ele pergunta: “Fizeste-me sair da madre; por que, então, me deixaste viver?” (v. 18).
Sensação de injustiça:
Jó não entende por que Deus o persegue, mesmo sabendo que ele não é culpado (v. 7). Ele deseja que Deus o deixe em paz antes que morra (v. 20).
Teologia reformada:
Este lamento lembra os clamores dos salmistas (Sl 13; Sl 88). Jó luta com a tensão entre o conhecimento da bondade de Deus e a realidade do sofrimento. O crente pode lamentar honestamente diante de Deus, sem perder a fé. Deus é paciente com os que choram com reverência. A tradição reformada destaca que os justos vivem não pela explicação do sofrimento, mas pela fé (Hb 10.38).
SÍNTESE TEOLÓGICA.
Nessa seção, Jó expressa seu sofrimento de forma honesta e reverente. Ele refuta a teologia superficial da retribuição apresentada por Bildade, clamando por compreensão e consolo. Mais importante, ele começa a desejar um Mediador – uma figura que se interponha entre ele e Deus. Isso prepara o caminho para a revelação progressiva do Evangelho.
TEXTO DEVOCIONAL.
Na dor, somos tentados a buscar explicações rápidas. Mas a fé nos chama a descansar em Deus, mesmo sem respostas. Como Jó, podemos lamentar com honestidade e desejar aquele que nos compreende, Cristo, o Mediador que intercede por nós. A dor não precisa de explicação imediata; ela precisa de redenção, e esta já nos foi dada no Filho de Deus.
ORAÇÃO.
Senhor, quando nossos dias forem como os de Jó, quando o sofrimento parecer sem sentido, dá-nos fé para clamar sem pecar. Ensina-nos a confiar em tua soberania e a descansar no Mediador perfeito que intercede por nós. Que tua presença seja nosso consolo, mesmo quando tudo parecer silencioso. Em nome de Jesus. Amém.

Jó 6 a 10: Clamor do justo, juízo dos amigos e busca pelo Mediador sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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