Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 49.

Tempo de leitura: 5 minutos.

Pergunta 49: Qual é o segundo mandamento?

Resposta: O segundo mandamento é: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” [1].

PROVA BÍBLICA.

[1] Êxodo 20:4-6; Deuteronômio 5:8-10

Comentário.

O Primeiro Mandamento nos ensina a quem devemos adorar. O Segundo Mandamento nos ensina como devemos adorar. Ele nos instrui, especificamente, a não fazer qualquer representação visível de Deus e que a adoração por meio de tais imagens é reprovável aos olhos de Deus, por mais sincera que seja a intenção. Deus é espírito, e deve ser adorado em espírito e em verdade. Enquanto a violação do Primeiro Mandamento dificilmente pode ser cometida por alguém que não seja um descrente, há um histórico registrado de violações ao Segundo Mandamento tanto na história sagrada quanto na história da Igreja.

Quando Moisés demorou a descer do monte Sinai, após ter recebido os Dez Mandamentos, Arão fez um bezerro de ouro e o povo declarou: “Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Êxodo 32.4, ACF). A versão King James traduz como “estes são os teus deuses”, porque a palavra hebraica elohim está no plural. No entanto, essa é a mesma palavra usada para “Deus” em Êxodo 32.11. Há, no hebraico, o uso do chamado plural majestático, pelo qual a Escritura se refere a Deus utilizando o termo “deuses” (ou seja, “poderoso”), mesmo estando no plural. Assim, como Arão fez apenas um bezerro, é provável que o sentido pretendido fosse: “Eis aqui o teu Deus”. Em outras palavras, Arão estava violando o Segundo Mandamento, e não o Primeiro.

Quando o reino de Israel foi dividido em dois, durante o reinado de Roboão, o rei das tribos do Norte, Jeroboão, mandou fazer dois bezerros de ouro: um em Dã e outro em Betel. E, aludindo às palavras de Êxodo 32.4, declarou: “Vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito” (1 Reis 12.28, ACF). Ou seja, Jeroboão não negou abertamente que Jeová é Deus, e assim não violou o Primeiro Mandamento. Quebrou, antes, o Segundo Mandamento.

Além da história bíblica, observamos que a Igreja Católica Romana e as Igrejas Ortodoxas Orientais continuam a violar esse mandamento. E procuram abafar a voz da Lei ao combinar artificialmente o Segundo Mandamento com o Primeiro, dividindo de maneira indevida o Décimo Mandamento.

Mas será que os protestantes também quebram esse mandamento? Sem dúvida. Quando imaginamos em nossa mente como Deus se parece, estamos violando esse mandamento em nosso interior. Quando deixamos de adorar a Deus segundo a Sua vontade revelada, igualmente transgredimos o princípio estabelecido nesta Lei.

O mandamento também nos ensina que Deus visita a iniquidade dos pais sobre os filhos. Isso não significa que os filhos carreguem a culpa dos pais, mas que pais ímpios são castigados ao verem os efeitos de sua maldade recaírem sobre seus descendentes por três ou quatro gerações. Um pai mafioso, por exemplo, provavelmente terá filhos mafiosos. Por outro lado, pais piedosos, que educam seus filhos na disciplina e na admoestação do Senhor, serão abençoados com descendentes tementes a Deus.

A Reforma Protestante foi, em grande parte, uma resposta à corrupção do culto público. Reformadores como João Calvino enfatizaram que o culto deve ser regulado unicamente pela Palavra de Deus, princípio conhecido como o Princípio Regulador do Culto. Esse princípio deriva diretamente do Segundo Mandamento e rejeita qualquer prática que Deus não tenha ordenado expressamente. Isso implica a rejeição não apenas de imagens, mas de toda forma de inovação humana no culto divino.

A idolatria não se limita à fabricação de imagens, mas envolve qualquer tentativa de aproximar-se de Deus segundo nossa própria imaginação ou vontade. Quando confiamos em métodos humanos, sentimentalismo, entretenimento ou tradições inventadas, estamos substituindo a revelação de Deus por nossas próprias ideias. Esse pecado é tão sutil quanto perigoso, pois afasta o coração do culto verdadeiro, centrado em Cristo e fundamentado na Escritura.

Além disso, o Segundo Mandamento protege a centralidade e a suficiência de Cristo no culto. Cristo é a imagem exata do Deus invisível (Colossenses 1.15), e é apenas por meio dEle que temos acesso ao Pai. Qualquer tentativa de representar Deus por meios visuais ou sensoriais compromete a singularidade da mediação de Cristo e rebaixa a majestade de Deus à limitação das criaturas.

A obediência ao Segundo Mandamento não é apenas uma questão de forma, mas de fidelidade. Ele nos chama a adorar o Deus verdadeiro de maneira verdadeira, conforme ele mesmo ordenou em Sua Palavra. Que sejamos zelosos em manter um culto puro, rejeitando tudo o que o Senhor não prescreveu. Pois só assim o nome de Deus será santificado entre nós, e nossa adoração será agradável a ele em espírito e em verdade.

Perguntas.

1. Qual é a diferença fundamental entre o Primeiro e o Segundo Mandamento, conforme explicado no texto?

2. Por que mesmo intenções sinceras não justificam o uso de imagens ou representações visuais no culto a Deus?

3. De que forma a história bíblica do bezerro de ouro (Êxodo 32) e dos bezerros de Jeroboão (1 Reis 12) ilustra a violação do Segundo Mandamento?

4. Segundo o texto, de que maneiras o cristão protestante pode violar o Segundo Mandamento nos dias de hoje?

5. Como o princípio regulador do culto, defendido pelos reformadores, se relaciona com a obediência ao Segundo Mandamento?

6. De que maneira o Segundo Mandamento aponta para a centralidade de Cristo na adoração cristã? Você tem buscado adorá-lo em espírito e em verdade?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 49 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em maio de 2025. Publicado originalmente em 8 de maio de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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