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Pergunta 47: O que é proibido no primeiro mandamento?
Resposta: O primeiro mandamento proíbe negar [1], ou não adorar e glorificar o verdadeiro Deus como Deus [2] e nosso Deus [3]; e dar a qualquer outro a adoração e glória que só a Ele é devida [4].
PROVAS BÍBLICAS.
[1]. Salmo 14:1; [2]. Romanos 1:20-21; [3]. Salmo 81:10-11; [4]. Ezequiel 8:16-18; Romanos 1:25.
Comentário.
Três coisas são proibidas no Primeiro Mandamento: (1) Negar a existência de Deus, o que constitui ateísmo; (2) Deixar de adorar e glorificar o Deus verdadeiro como Deus e como nosso Deus, o que representa impiedade e rebelião; (3) Glorificar ou adorar qualquer outro ser, o que configura idolatria e profanação.
O Catecismo Maior de Westminster desenvolve esta resposta de forma belíssima (Pergunta 105):
- Os pecados proibidos no primeiro mandamento são: Os pecados proibidos no primeiro mandamento são: o ateísmo, em negar, ou não ter um Deus [1]; a idolatria, em ter ou adorar mais deuses do que um, ou qualquer com ou em vez do verdadeiro Deus [2]; o não ter e confessar a ele como Deus, e nosso Deus [3]; a omissão ou negligência de qualquer coisa devida a ele, requerida neste mandamento [4]; ignorância [5], esquecimento [6], concepções erradas [7], opiniões falsas [8], pensamentos indignos e maus sobre Ele [9[; busca ousada e curiosa em Seus segredos [10]; toda profanação [11], ódio a Deus [12]; amor próprio [13], a busca de si mesmo [14] , e todo outro estabelecimento desordenado e imoderado de nossa mente, vontade ou afetos em outras coisas, e desviando-os d’Ele em todo ou em parte [15]; vã credulidade [16], incredulidade [17], heresia [18], má crença [19], desconfiança [20], desespero [21], incorrigibilidade [22] e insensibilidade sob julgamentos [23]; dureza de coração [24]; orgulho [25]; presunção [26]; segurança carnal [27]; tentar a Deus [28]; usar meios ilícitos [29] e confiar em meios lícitos [30]; deleites e alegrias carnais [31]; zelo corrupto, cego e indiscreto [32]; mornidão [33] e o amortecimento nas coisas de Deus [34], nos alienando e apostatando de Deus [35]; orando, ou dando qualquer culto religioso, aos santos, anjos ou qualquer outra criatura [36]; todos os pactos e consultas com o diabo [37], e dar ouvidos às suas sugestões [38]; fazer dos homens os senhores de nossa fé e consciência [39]; desprezando e menosprezando a Deus e Seus mandamentos [40]; resistindo e entristecendo o Seu Espírito [41], descontentamento e impaciência em suas dispensações, atribuindo-lhe tolice pelos males com os quais Ele nos inflige [42]; e atribuindo o louvor de qualquer bem que possamos ser, ter ou fazer, à fortuna [42], ídolos, a nós mesmos ou a qualquer outra criatura [43].[1]
Esses pecados, embora variados em forma, apontam todos para o mesmo coração idólatra que deseja afastar-se do domínio soberano de Deus. Na teologia reformada, entendemos que o coração humano é, por natureza, uma fábrica de ídolos, como ensinou Calvino. A violação do Primeiro Mandamento não começa meramente com imagens ou rituais externos, mas com uma desordem interna nos afetos e na mente, ou seja, quando o homem coloca qualquer coisa, até mesmo boas dádivas, acima de Deus em valor, confiança ou adoração. Esse pecado é agravado pelo fato de que Deus se revelou de forma clara na criação, na providência e especialmente na Escritura, e rejeitá-lo é, portanto, uma negação consciente de sua glória revelada.
A impiedade, nesse sentido, não é apenas ausência de religiosidade, mas o ato ativo de se voltar contra Deus, seja pela indiferença, pela falsa adoração ou pela autonomia rebelde. A teologia reformada insiste que o homem não é neutro quanto a Deus: ou ele vive para a glória dEle, ou vive em rebelião contra Ele. Por isso, a negligência espiritual, a mornidão, a confiança em meios humanos ou o amor desordenado por si mesmo não são falhas secundárias, mas transgressões profundas contra o próprio fundamento do relacionamento do homem com o Criador.
Além disso, a adoração falsa, mesmo quando bem-intencionada, é vista pelas Escrituras como inaceitável. Na tradição reformada, aprendemos que Deus deve ser adorado somente como Ele prescreve em Sua Palavra, regra conhecido como Princípio Regulador do Culto. Orar a santos, consultar médiuns, confiar em rituais ou buscar experiências místicas fora da Palavra são formas de idolatria que nos afastam do verdadeiro Deus. O primeiro mandamento, portanto, nos chama a um culto puro, racional e conforme a revelação divina, centrado exclusivamente no Deus trino revelado nas Escrituras.
Em conclusão, o Primeiro Mandamento nos confronta com a questão essencial da vida cristã: quem é o nosso Deus? À luz da teologia reformada, somos chamados a rejeitar todo ídolo, visível ou oculto, e a viver em constante arrependimento e renovada fé no Deus soberano, que em Cristo nos reconciliou consigo mesmo. Somente assim adoraremos a Deus como Ele requer: com o coração inteiro, a mente cativa à Palavra e a vida orientada para a Sua glória.
Perguntas.
1. De que maneiras práticas o coração humano pode cair na idolatria, mesmo sem adorar imagens visíveis?
2. Como a teologia reformada interpreta a gravidade da negligência espiritual diante do Primeiro Mandamento?
3. Por que a adoração precisa ser regulada exclusivamente pela Palavra de Deus, segundo o Princípio Regulador do Culto?
4. De que forma o ensino reformado sobre a soberania de Deus confronta o amor próprio e a confiança nos meios humanos?
5. Como o reconhecimento do Deus trino revelado nas Escrituras transforma a nossa adoração e vida diária?
Nota de rodapé.
[1] Provas bíblicas: [1] Salmo 14:1; Efésios 2:12; [2] Jeremias 2:27-28; 1Tessalonicenses 1:9; [3] Salmo 81:11; [4] Isaías 43:22-24; [5] Jeremias 4:22; Oséias 4:1, 6; [6] Jeremias 2:32; [7] Atos 17:23, 29; [8] Isaías 40:18; [9] Salmo 50:21; [10] Deuteronômio 29:29; [11] Tito 1:16; Hebreus 12:16; [12] Romanos 1:30; [13] 2Timóteo 3:2; [14] Filipenses 2:21; [15] 1João 2:15-16; 1Samuel. 2:29; Colossenses 3:2, 5; [16] 1João 4:1; [17] Hebreus 3:12; [18] Gálatas 5:20; Tito 3:10; [19] Atos 26:9; [20] Salmo 78:22; [21] Gênesis 4:13; [22] Jeremias 5:3; [23Isaías 42:25; [24] Romanos 2:5; [25] Jeremias 13:15; [26] Salmos 19:13; [27] Sofonias 1:12; [28] Mateus 4:7; [29] Romanos 3:8; [30] Jeremias 17:5; [31] 2Timóteo 3:4; [32] Gálatas 4:17; João 16:2; Romanos 10:2; Lucas 9:54-55; [33] Apocalipse 3:16; [34] Apocalipse 3:1; [35] Ezequiel 14:5; Isaías 1:4-5; [36] Romanos 1:25; 10:13-14; Oseias 4:12; Atos 10:25-26; Apocalipse 19:10; Mateus 4:10; Colossenses 2:18; [37] Levítico 20:6; 1Samuel 28:7, 11; 1Crônicas 10:13-14; [38] Atos 5:3; [39] 2Coríntios 1:24; Mateus 23:9; [40] Deuteronômio 32:15; 2Samuel 12:9; Provérbios 13:13; [41] Atos 7:51; Efésios 4:30; [42] Salmos 73:2-3, 13-15, 22; Jó 1:22; [43] 1Samuel 6:7-9; [44] Daniel 5:23; [45] Deuteronômio 8:17; Daniel 4:30; [46] Habacuque 1:16.

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 47 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em Maio de 2025. Publicado originalmente em 24 de abril de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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