Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 44.

Tempo de leitura: 6 minutos.

Pergunta 44. O que nos ensina o prefácio aos dez mandamentos?

Resposta: O prefácio aos dez mandamentos nos ensina que, por Deus ser o Senhor, nosso Deus e Redentor, somos obrigados a guardar todos os Seus mandamentos [1].

PROVAS BÍBLICAS.

[1] Lucas 1.74-75; 1Pedro 1.14-19.

Comentário.

O prefácio dos Dez Mandamentos proclama a base da reivindicação do Senhor sobre nossa obediência a Ele, apresentando três razões fundamentais.

Primeiramente, somos obrigados a guardar todos os Seus mandamentos porque Ele é o Senhor. O título “Senhor” traduz o nome hebraico de Deus, Jeová, ou, mais corretamente, Yahweh, que deriva do verbo hebraico “ser” na terceira pessoa, significando “ele é” ou “ele será”. Quando Moisés perguntou a Deus qual era o Seu nome, Ele respondeu: “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. (…) O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração” (Êx 3.14-15, ACF). Esse nome enfatiza a imutabilidade, a eternidade e a autoexistência de Deus. Além disso, é o nome da aliança divina, pelo qual o Senhor Se apresenta carinhosamente ao Seu povo. Assim, Ele ordena a Moisés que O apresente aos filhos de Israel como “O Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3.15, ACF). Como crentes, fazemos parte do povo da aliança de Deus (Gl 3.29) e, embora a Lei Moral de Deus seja universalmente obrigatória, temos um compromisso especial e pactual de obedecê-la.

Em segundo lugar, devemos obedecer à Lei porque Aquele que nos dá os mandamentos é o nosso Deus. Como nosso Criador e Soberano, Ele deve ser adorado, reverenciado e obedecido. Como nosso Juiz, é a Ele que prestaremos contas: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau” (Ec 12.13-14, ACF).

Em terceiro lugar, como crentes, temos uma obrigação ainda maior de obedecer à Lei de Deus porque Ele é o nosso Redentor. O prefácio dos Dez Mandamentos menciona que Deus tirou os filhos de Israel “da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20.2). Esse ato de redenção prefigura a libertação espiritual que Deus opera em Seus filhos, livrando-os do pecado e do domínio de Satanás (cf. Hb 3.7-4.3). Zacarias, pai de João Batista, referiu-se à promessa de Deus a Abraão de que Ele tiraria Seus filhos do Egito (Lc 1.73; cf. Gn 15.13-16) e a aplicou à redenção espiritual: “Para nos conceder que, Libertados da mão de nossos inimigos, o serviríamos sem temor, Em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida” (Lc 1.74-75, ACF). O apóstolo Paulo reforça essa verdade ao declarar: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.20, ACF). De forma semelhante, Pedro nos exorta à santidade como resposta ao resgate pelo precioso sangue de Cristo: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (…) Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.16, 18-19, ACF). Assim, a santidade manifesta-se na obediência à Lei de Deus.

Essas três razões nos ensinam que devemos obedecer à Lei de Deus não por medo servil, mas com gratidão e amor, pois Ele é nosso Senhor da aliança, Criador e Redentor.

Além disso, a obediência à Lei de Deus não deve ser vista como um fardo, mas como uma expressão de nosso amor por Ele. O Senhor Jesus declarou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14.15, ACF). O verdadeiro amor por Deus não se manifesta apenas em palavras ou emoções, mas na submissão sincera à Sua vontade revelada. Assim, aqueles que foram redimidos por Cristo não obedecem por obrigação legalista, mas por um desejo genuíno de agradar Àquele que os salvou. O apóstolo João reforça essa verdade ao afirmar: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5.3, ACF). A vida do crente é marcada por uma busca contínua por santidade e conformidade à vontade divina.

Outro ponto essencial é que a obediência à Lei de Deus também serve como testemunho da glória do evangelho ao mundo. Quando os crentes vivem em conformidade com os preceitos divinos, refletem o caráter santo do Senhor e demonstram que foram transformados por Sua graça. O próprio Cristo afirmou: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16, ACF). A obediência cristã não apenas fortalece nosso relacionamento com Deus, mas também proclama a verdade do evangelho a um mundo perdido. Ao viver segundo os mandamentos do Senhor, damos testemunho de que fomos libertos do pecado e agora vivemos para a glória de Deus.

Dessa forma, a obediência à Lei de Deus não deve ser vista como um fardo, mas como um privilégio concedido aos redimidos. Deus, em Sua infinita graça, nos chamou para sermos Seu povo, e a obediência aos Seus mandamentos é a resposta natural daqueles que foram transformados pelo evangelho. Ele é o nosso Senhor, Criador e Redentor, e nossa submissão à Sua vontade reflete tanto nossa gratidão quanto nosso amor. Que possamos, portanto, viver de maneira santa e agradável a Deus, não por medo da punição, mas por amor Àquele que nos comprou com o precioso sangue de Cristo.

Perguntas.

1. Quais são as três razões fundamentais apresentadas no texto p ara a obediência à Lei de Deus?

2. Como o nome divino “Yahweh” reforça a autoridade de Deus sobre Seu povo?

3. De que maneira a redenção realizada por Deus no Antigo Testamento prefigura a libertação espiritual em Cristo?

4. Por que a obediência à Lei de Deus não deve ser vista como um fardo, mas como um privilégio?

5. Como a obediência dos crentes serve como testemunho da glória do evangelho ao mundo?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 44 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em março de 2025. Publicado originalmente em 03 de abril de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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