Tempo de leitura: 5 minutos.
Pergunta 42: Qual é o resumo dos dez mandamentos?
Resposta: O resumo dos dez mandamentos é amar ao Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa força e de todo o nosso entendimento, e amar ao nosso próximo como a nós mesmos [1].
PROVA BÍBLICA.
[1] Mateus 22.37-40.
Comentário.
Os Dez Mandamentos podem ser divididos em duas tábuas: a primeira, composta pelos quatro primeiros mandamentos, trata do nosso relacionamento com Deus; a segunda, formada pelos seis mandamentos restantes, refere-se ao nosso relacionamento com o próximo. O dever exigido em ambas pode ser resumido em uma única palavra: amor. Devemos amar o Senhor, nosso Deus, e também o nosso próximo. As palavras em nossa resposta vêm da declaração do Senhor em resposta à pergunta de um escriba: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” (Mc 12.28; cf. Mc 12.29-31).
As expressões “com todo o teu coração”, “com toda a tua alma”, “com toda a tua mente” e “com todas as tuas forças” enfatizam o chamado para amarmos o Senhor com todo o nosso ser. É instrutivo notar que a referência ao coração e à mente abrange os aspectos emocionais e intelectuais, enquanto a menção à alma e à força diz respeito às dimensões espirituais e físicas da pessoa. Não devemos amar o Senhor apenas com o intelecto, buscando conhecê-Lo conforme Ele se revelou em Sua Palavra, mas também com nossas emoções e disposição, deleitando-nos nEle como nosso bem supremo. Além disso, devemos amá-Lo e obedecê-Lo com nossa alma ou espírito e, ainda, com nosso corpo, ou seja, empregando nossas capacidades e forças físicas (cf. Rm 12.1-2).
A segunda parte desse resumo – amar o próximo como a nós mesmos – não é interpretada de maneira uniforme por todos os teólogos reformados. A maioria sustenta que todo ser humano é nosso próximo e cita Lucas 10.29-37 como evidência. No entanto, uma leitura atenta da parábola revela que essa não é exatamente a ênfase do ensino do Senhor. De fato, Jesus não respondeu diretamente à pergunta do intérprete da lei: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10.29). Em vez disso, após relatar a parábola, Ele inverteu a questão e perguntou: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?” (Lc 10.36). O intérprete respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele” (Lc 10.37). Então, Jesus concluiu: “Vai e faze tu o mesmo”. O ponto central da parábola não é definir quem deve ser considerado nosso próximo, mas sim ensinar que devemos agir como próximos daqueles que estão em necessidade, independentemente de quem sejam.
Quem é, então, o próximo no resumo do mandamento de nosso Senhor? O fato de Jesus contrastar “próximo” com “inimigo” (Mt 5.43) sugere que os inimigos não são, por definição, nossos próximos. Isso significa que não devemos amá-los? De forma alguma. O próprio Senhor deixa claro que devemos amar nossos inimigos: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.43-44).
O ensino é evidente: devemos agir como próximos até mesmo de nossos inimigos. Ao fazê-lo, tornamo-los nossos próximos, cumprindo, assim, a lei do amor. No entanto, há situações excepcionais, como em tempos de guerra, em que não podemos exercer essa proximidade. Nessas circunstâncias, a aplicação da lei do amor é temporariamente limitada. Por isso, o uso de estratégias enganosas em contextos de guerra não é considerado uma violação do Nono Mandamento.
Além disso, não devemos nos sentir culpados por não amarmos nossos inimigos, ou mesmo qualquer pessoa desconhecida, da mesma forma que amamos nossos familiares ou irmãos em Cristo. De fato, há um sentido em que podemos odiar nossos inimigos – quando eles são inimigos de Deus (cf. Sl 139.20-22). No entanto, nossa obrigação é amá-los com um amor benevolente e compassivo. O Senhor esclarece isso ao nos dar a razão para amar nossos inimigos: “Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.45).
Deus não ama a todos da mesma maneira. Ele demonstra um amor benevolente ao conceder bênçãos temporais a justos e injustos, mas ama Seus filhos com um amor especial e salvífico. De maneira semelhante, há dois tipos de próximos: um é a igreja, e o outro está fora dela. Devemos ter um amor especial pelos irmãos na fé (Gl 6.10), enquanto para com os demais devemos demonstrar um amor de benevolência.
Em outras palavras, embora não sejamos chamados a amar nossos inimigos ou desconhecidos da mesma forma que amamos nossos irmãos em Cristo ou familiares, devemos estar sempre prontos a ajudá-los quando soubermos de suas necessidades. Afinal, o amor não é meramente um sentimento, mas se expressa em ações concretas (1Jo 3.18). Acima de tudo, esse amor deve nos levar a proclamar o Evangelho, a fim de que, pela graça de Deus, eles sejam conduzidos a Cristo e não pereçam em seus pecados.
Perguntas.
1. Como a divisão dos Dez Mandamentos em duas tábuas nos ajuda a compreender melhor o mandamento do amor a Deus e ao próximo?
2. De que forma devemos amar a Deus com todo o nosso ser, considerando os aspectos intelectuais, emocionais, espirituais e físicos?
3. Qual é o principal ensinamento da parábola do bom samaritano sobre a definição de “próximo”?
4. Como podemos equilibrar o amor benevolente pelos inimigos com o amor especial que devemos ter pelos irmãos na fé?
5. De que maneira o amor ao próximo deve se manifestar em ações concretas em nossa vida diária?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 42 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em março de 2025. Publicado originalmente em 20 de março de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Deixe um comentário