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Pergunta 41: Em que consiste resumidamente a lei moral?
Resposta: A lei moral é resumidamente compreendida nos dez mandamentos [1].
PROVAS BÍBLICAS.
[1] Deuteronômio 4.13; Mateus 19.17-19.
Comentário.
A Lei Moral de Deus reflete Seu caráter santo e nos ensina como devemos agir e pensar em relação a Ele e ao nosso próximo. Essa Lei foi escrita no coração do homem quando ele foi criado à imagem de Deus. No entanto, devido à queda, esse conhecimento foi parcialmente obscurecido. Por isso, tornou-se necessário que Deus reeditasse Sua Lei, o que Ele fez nos Dez Mandamentos, também chamados de Decálogo. Diferentemente de todos os outros mandamentos divinos, o Decálogo foi promulgado com uma introdução solene e impressionante (Êx 19.16–22), foi proclamado diretamente ao povo (Êx 20.1, 19), foi pessoalmente inscrito pelo próprio Deus em duas tábuas de pedra (Êx 24.12; 31.18; 32.16; 34.1, 28) e foi colocado, de forma exclusiva, dentro da arca (Êx 25.16; Hb 9.4). O fato de que esses mandamentos receberam uma dignidade e uma honra especiais, distinguindo-se de todas as demais leis do Antigo Testamento, indica que possuem uma natureza diferente das outras ordenanças, sendo os únicos perpétuos e universais. Além disso, ao analisar o conteúdo do Decálogo, percebe-se seu caráter apodítico, ou seja, ele é geral e aplicável em todas as circunstâncias. Isso contrasta com as Leis Civis e Cerimoniais, que são casuísticas e aplicáveis apenas dentro de limites situacionais, geográficos ou temporais específicos.
Os Dez Mandamentos são, além disso, abrangentes, de modo que:
- Todas as leis bíblicas de caráter moral ou ético podem ser reduzidas a um ou mais de seus preceitos.
- Todo pecado proibido por qualquer preceito implica a obrigação do dever oposto, e todos os pecados da mesma natureza também são condenados. Não apenas a ação externa é proibida, mas também as palavras, gestos e intenções que a promovem, bem como todas as inclinações internas ao pecado, juntamente com todas as causas, meios, ocasiões, aparências e qualquer coisa que possa provocar o pecado, tanto em nós mesmos quanto nos outros.
- Todo dever ordenado implica a proibição do oposto, e todos os deveres da mesma natureza estão incluídos, juntamente com todas as afeições apropriadas a eles, bem como o uso de todos os meios designados para auxílio, encorajamento e progresso na obediência, incluindo nosso esforço para ajudar e incentivar os outros a obedecer.
É devido ao caráter singular do Decálogo que a maioria dos catecismos reformados traz uma exposição detalhada sobre ele. Na teologia reformada, considera-se que os cristãos ainda estão obrigados a guardar o Decálogo, pois Deus é santo e nos ordena a ser santos como Ele é santo (cf. 1Pe 1.16), e porque sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). A obediência à Lei não nos justifica, mas a santificação envolve necessariamente a conformidade com seus mandamentos. Além disso, é essencial lembrar que a obediência à Lei não é legalismo. O legalismo ocorre quando a Lei de Deus é negligenciada e, em seu lugar, são impostas regras e regulamentos humanos para que os cristãos sigam. Em outras palavras, o legalismo geralmente surge do antinomianismo – uma falha em reconhecer o devido lugar da Lei de Deus e a necessidade de obedecê-la.
Além de ser uma norma universal e perpétua, a Lei Moral de Deus também serve como um espelho que revela a nossa pecaminosidade. O apóstolo Paulo ensina que “pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20), mostrando que, diante do padrão divino, toda a humanidade se vê culpada e necessitada da graça de Deus. Dessa forma, o Decálogo não apenas instrui o crente no caminho da santidade, mas também aponta para a necessidade de um Mediador, Cristo Jesus, que cumpriu perfeitamente a Lei em nosso lugar (Mt 5.17). Assim, a obediência ao Decálogo deve ser compreendida dentro da aliança da graça, na qual, capacitados pelo Espírito Santo, buscamos conformar nossas vidas à vontade de Deus, não para sermos justificados, mas porque já fomos justificados pela fé.
Além disso, o Decálogo não pode ser separado do mandamento maior de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22.37-40). Jesus declarou que toda a Lei e os Profetas se resumem nesses dois mandamentos, indicando que a obediência ao Decálogo é uma expressão do amor a Deus e ao próximo. A teologia reformada enfatiza que a Lei continua a ter três usos: como um freio para o pecado na sociedade, como um espelho para revelar a necessidade de Cristo e como uma regra de vida para os crentes. Assim, longe de ser um fardo, a Lei de Deus é um deleite para aqueles que foram regenerados (Sl 119.97), pois nela encontramos a vontade do nosso Senhor e Salvador.
Portanto, a Lei Moral de Deus permanece como um padrão eterno de justiça, refletindo a santidade do Criador e guiando os crentes em sua jornada de santificação. Embora a obediência à Lei não seja um meio de justificação, ela é uma evidência da fé verdadeira e um testemunho do senhorio de Cristo sobre nossas vidas. Assim, como ensinavam os reformadores, guardamos o Decálogo não para sermos aceitos por Deus, mas porque já fomos aceitos em Cristo, e, por amor a Ele, desejamos viver em conformidade com Sua santa vontade.
Perguntas.
1. Qual a diferença entre a Lei Moral, as Leis Civis e as Leis Cerimoniais no Antigo Testamento?
2. Por que o Decálogo recebeu uma dignidade especial em comparação com outras ordenanças divinas?
3. Como a Lei de Deus funciona como um espelho para revelar a pecaminosidade humana?
4. De que maneira a obediência ao Decálogo está relacionada à santificação na vida do crente?
5. Qual é a relação entre o amor a Deus e ao próximo e a obediência aos Dez Mandamentos?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 41 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em fevereiro de 2025. Publicado originalmente em 13 de março de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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