Autor: Moisés.
Propósito: Afirmar a autoridade divina da liderança de Moisés, bem como das leis da aliança e dos regulamentos de adoração.
Data: Aproximadamente 1446-1406 a.C.
Verdades Principais:
- O Senhor autorizou Moisés como líder de Israel, conferindo-lhe a responsabilidade de trazer a bênção da libertação do Egito.
- As leis da aliança, entregues por Moisés, foram divinamente sancionadas para conduzir o povo de Deus a uma vida abençoada.
- Os regulamentos relacionados à adoração no Tabernáculo foram ordenados por Deus para proporcionar bênçãos ao Seu povo.
Autor.
Moisés é amplamente reconhecido como o principal autor do livro de Êxodo (ver “Introdução a Gênesis: Autor”). Algumas partes do livro indicam explicitamente sua autoria mosaica. Os Dez Mandamentos, por exemplo, foram originalmente “escritos pelo dedo de Deus” em tábuas de pedra (Êxodo 31:18; cf. Êxodo 32:15-16; 34:1, 28). Contudo, foi Moisés quem entregou essas leis ao povo de Israel. Ele também redigiu o chamado Livro da Aliança, que compreende Êxodo 20:18–23:33 (ver Êxodo 24:4, 7; 34:27). Além disso, Josué 8:31 faz referência às palavras de Êxodo 20:25 como estando “escritas no Livro da Lei de Moisés”. Jesus, em diversos momentos, também atribuiu a autoria de Êxodo a Moisés, referindo-se ao livro como “o livro de Moisés” (Marcos 7:10; 12:26; Lucas 2:22-23). Embora seja possível que Moisés tenha utilizado escribas e que edições posteriores tenham ocorrido, tanto o próprio livro quanto outras Escrituras corroboram a visão tradicional de que Moisés é o autor principal de Êxodo.
O nome “Êxodo” é derivado do termo grego exodus, que significa “saída” ou “partida” (Lucas 9:31). Esse nome faz referência ao evento central do livro: a saída dos israelitas do Egito, narrada nos primeiros 15 capítulos. Embora Êxodo não continue diretamente a narrativa de Gênesis 50, sua abertura — “Estes são os nomes” — remete a Gênesis 46:8-27, onde são listados os nomes dos israelitas que desceram ao Egito. O livro de Êxodo é uma obra independente, mas integra a estrutura coesa do Pentateuco, composto por Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Data e Local da Escrita.
Embora o enredo principal do Êxodo se estenda desde o período de escravidão dos israelitas no Egito até o recebimento da lei de Deus no Monte Sinai, algumas evidências sugerem que o livro alcançou sua forma final em uma data posterior. Por exemplo, Êxodo 16:35 menciona que o povo “comeu maná durante quarenta anos, até que chegaram a uma terra habitada; comeram maná até chegarem à fronteira de Canaã” (veja também Josué 5:10-12). De forma semelhante, Êxodo 40:38 afirma que “a nuvem do Senhor estava sobre o tabernáculo durante o dia, e havia fogo na nuvem durante a noite, à vista de toda a casa de Israel durante todas as suas viagens”. Essas passagens indicam que Moisés finalizou o texto para a segunda geração do êxodo enquanto o povo aguardava nas planícies de Moabe (veja Deuteronômio 1:5). Assim, a redação final do livro pode ser datada entre 1446 e 1406 a.C., o período dos 40 anos de peregrinação de Israel no deserto.
A data e a rota do êxodo têm sido amplamente debatidas. A cronologia bíblica situa o evento cerca de 480 anos antes do início do reinado de Salomão (1Reis 6:1), o que corresponde aproximadamente a 1440 a.C. Essa data é corroborada por Juízes 11:26, que menciona que se passaram 300 anos desde a entrada de Israel em Canaã. Além disso, Êxodo 12:40-41 especifica que Israel permaneceu no Egito por 430 anos. Nesse cenário, o faraó do êxodo provavelmente teria sido Tutmés III ou Amenófis II.
Por outro lado, alguns estudiosos que defendem uma data posterior apontam para o nome Ramsés, mencionado como uma das cidades-armazéns construídas pelos israelitas (Êxodo 1:11). Nesse caso, Ramsés II (1290-1224 a.C.) seria considerado o faraó do êxodo, situando o evento em torno de 1270 a.C. Essa hipótese parece mais alinhada com certas evidências arqueológicas relacionadas às cidades destruídas na região e à ausência de assentamentos anteriores na Transjordânia. Contudo, descobertas recentes na Transjordânia e novas avaliações sobre a destruição de Jericó enfraqueceram o argumento em favor dessa data posterior.
A jornada do êxodo começou em Ramsés, cuja localização exata ainda é objeto de debate, embora Tell el-Daba (atual Qantir) seja a opção mais aceita. De lá, os hebreus viajaram ao sul, até Sucote (Êxodo 13:20). Em seguida, aparentemente impossibilitados de seguir em frente, desviaram para o norte (Êxodo 14:2). Três locais são mencionados: Baal-Zefom, Migdol e Pi-Hairote. Baal-Zefom é frequentemente associado à região de Tafnes, próximo ao Lago Menzaleh, um dos lagos salgados entre o Mediterrâneo e o Golfo de Suez.
Havia três possíveis rotas para a fuga israelita:
- O Caminho da Terra dos Filisteus, que conectava o Egito a Canaã pela rota costeira, fortemente guarnecida.
- O Caminho de Sur, que começava no Wadi Tumilat, na região do delta, cruzava para Cades-Barnéia e se ramificava em direção a Canaã. Contudo, o muro de fronteira egípcio de Sur seria um grande obstáculo.
- A rota pelo sul, conduzindo os israelitas ao Monte Sinai, onde Deus havia determinado o encontro com Moisés. Essa rota os distanciava de confrontos imediatos com os egípcios.
A libertação pelo mar pode ter ocorrido em uma área ao sul do Lago Menzaleh.
A Península do Sinai mede cerca de 240 quilômetros de largura no topo e 418 quilômetros ao longo de seus lados. Ela é ladeada pelos braços do Mar Vermelho: o Golfo de Suez e o Golfo de Áqaba (Elat). Os hebreus seguiram para o sul, ao longo da costa oeste do Sinai. As águas amargas de Mara (Êxodo 15:22-25) são geralmente identificadas com a atual Ain Hawarah, a cerca de 72-80 quilômetros ao sul da ponta do Golfo de Suez, embora Ayun Musa também seja uma possibilidade. Elim, com suas muitas fontes e árvores, é frequentemente identificada com o Wadi Gharandel, enquanto o Deserto de Sin corresponde provavelmente a Debbet er-Ramleh, uma planície arenosa próxima ao planalto do Sinai. Se a localização tradicional do Monte Sinai for Jebel Musa, os israelitas teriam seguido por uma série de vales até alcançar a montanha, passando pelo deserto de Refidim, onde enfrentaram os amalequitas (Êxodo 17:8-16). Refidim foi o último acampamento antes de sua chegada ao Monte Sinai (Êxodo 19), onde receberam a lei de Deus. Deuteronômio 1:2 apoia essa localização tradicional do Monte Sinai. Após esse período, os israelitas continuaram sua jornada em direção a Cades pelo caminho de Parã.
Objetivo e Características.
O livro do Êxodo apresenta vários temas principais:
- Libertação de Israel: O texto narra como o Senhor libertou Israel da escravidão no Egito para cumprir sua aliança com os patriarcas.
- Revelação da aliança no Sinai: A entrega da lei divina no Monte Sinai é um elemento central, destacando a relação pactuada entre Deus e o seu povo.
- Estabelecimento do Tabernáculo: Como resultado da libertação e da aliança, o tabernáculo foi instituído como a habitação de Deus entre o povo de Israel.
Cada um desses temas manifesta o triunfo da graça divina. O Deus verdadeiro julgou os deuses e governantes humanos do Egito enquanto libertava Israel. Ele se revelou no Sinai, falando diretamente ao povo, e identificou sua presença no tabernáculo que instruiu a ser construído. Esses eventos também destacam a santidade e a graça de Deus, evidenciadas tanto na lei da aliança quanto no simbolismo cerimonial que regulava a vida e a adoração em Israel.
No centro dessas ações divinas está Moisés, o servo escolhido de Deus. Moisés desempenha um papel fundamental em cada etapa:
- Ele mediou o julgamento divino contra o Egito (Êx 4:1-17).
- Foi o líder por meio do qual Deus libertou Israel no Mar Vermelho (Êx 14:31).
- Recebeu e transmitiu a revelação no Sinai (Êx 20:19).
- Entregou as instruções para a construção do tabernáculo (Êx 32-34).
Embora o poder e a autoridade de Deus sejam os agentes principais em todas essas bênçãos, o livro do Êxodo dá especial atenção ao papel de Moisés como servo fiel do Senhor.
Cristo no Êxodo.
O livro de Êxodo oferece inúmeras maneiras para os cristãos aprenderem sobre Cristo. Em uma perspectiva ampla, a libertação de Israel da escravidão no Egito rumo à terra prometida da bênção divina apresenta uma poderosa metáfora da obra salvadora de Deus ao longo da história. Deus redimiu seu povo escolhido das forças do mal às quais estavam escravizados, julgou esses poderes e reivindicou Israel como seu filho primogênito, uma nação santa de sacerdotes, habitando entre eles por meio de seu Espírito. Esse padrão de vitória divina sobre os inimigos, estabelecimento da morada de Deus e abundância de bênçãos encontra seu pleno cumprimento no primeiro e no segundo adventos de Cristo (cf. 1Co 10:1-13; Ef 2:14-22; Ap 20:11–22:5).
O Tabernáculo e seus serviços também apontam diretamente para Cristo. Assim como o Tabernáculo era o local onde a presença divina era acessível na Terra, Jesus “tabernaculou” entre nós (Jo 1:14, 17). Além disso, os sacrifícios de animais, provisões temporárias para os pecados de Israel, antecipavam o sacrifício definitivo de Cristo, cuja morte satisfez plenamente a justiça divina (Êx 24:8; Mt 26:27-28; Jo 1:29; Hb 12:24; 1Pe 1:2). O evento da Páscoa, que comemorava a libertação de Israel, encontra seu cumprimento pleno em Cristo, nosso Cordeiro Pascal (1Co 5:7).
O papel central de Moisés no Êxodo também prefigura Cristo. Assim como os israelitas, inclusive as crianças, foram “batizados em Moisés” (1Co 10:2) ao atravessarem o Mar Vermelho, os cristãos e seus filhos são batizados em Cristo. Moisés, o grande servo do Senhor, recebeu diretamente as palavras de Deus e as transmitiu ao povo. O Evangelho de Mateus destaca Jesus como o cumprimento desse papel ao retratá-lo passando por seu próprio “êxodo” (Mt 2:14-15), ensinando a lei de Deus em um monte (Mt 5:1) e permanecendo em harmonia com Moisés no Monte da Transfiguração (Mt 17). Assim como Moisés esteve disposto a morrer pelo bem de Israel (Êx 32:10), Jesus substituiu-se por seu povo, entregando-se voluntariamente à morte. A glória de Deus, que brilhava no rosto de Moisés (Êx 34:29; 2Co 3:8), agora reflete-se nos que são transformados pelo Espírito de Cristo (2Co 3:18).
Pergunta.
1. Qual foi o propósito principal do livro de Êxodo e como ele se reflete na vida de Moisés como líder de Israel?
2. Como as leis da aliança e os regulamentos de adoração no Tabernáculo demonstram a graça e a santidade de Deus?
3. De que maneira o evento central do Êxodo — a saída do Egito — se conecta à narrativa de Gênesis e ao restante do Pentateuco?
4. Quais são os argumentos apresentados para a datação do Êxodo e como eles se relacionam com as evidências históricas e arqueológicas?
5. Como os diferentes caminhos possíveis para a rota do êxodo refletem a direção divina na história de Israel?
6. De que forma o papel de Moisés como mediador, libertador e legislador aponta para Cristo no Novo Testamento?
7. Como o Tabernáculo e seus serviços no livro de Êxodo prefiguram o ministério de Cristo como nosso Salvador e Sumo Sacerdote?
8. O que o livro de Êxodo ensina sobre a fidelidade de Deus à sua aliança com os patriarcas e como isso se manifesta na história de Israel?
9. Quais são as principais lições espirituais que podemos aprender da libertação de Israel e da entrega da lei no Monte Sinai?
10. Como os temas de libertação, revelação e habitação divina apresentados no Êxodo se aplicam à vida cristã hoje?
Fonte:
PRATT, Richard, ed. NIV Spirit of the Reformation Study Bible. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2003. Acesso aqui.
Fonte: Overview of the Book of Exodus. Tradução, revisão e edição: Samuel S. Gomes. Janeiro de 2025.

Introdução ao Livro de Êxodo está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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