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Pergunta 37: Quais são as bênçãos que os crentes recebem de Cristo na hora da morte?
Resposta: A alma dos fiéis, na hora da morte, é aperfeiçoada em santidade e imediatamente entra na glória;[1] e o corpo, que continua unido a Cristo,[2] descansa na sepultura até a ressurreição.[3]
PROVAS BÍBLICAS.
Provas 01:
- Apocalipse 14.13: Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.
- Lucas 23.43: Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
- Atos dos Apóstolos 7.55–56: Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus.
- Atos dos Apóstolos 7.59: E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!
- Filipenses 1.23: Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.
Prova 02:
- 1Tessalonicenses 4.14: Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.
Provas 03:
- João 5.28–29: Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
- João 14.2–3: Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.
- Hebreus 12.22–23: Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados.
Comentário.
Tendo considerado as bênçãos — tanto objetivas quanto subjetivas — que os verdadeiros crentes recebem de Deus nesta vida, voltamo-nos agora para os benefícios que desfrutaremos quando esta vida chegar ao fim. Esses benefícios podem ser divididos em dois principais: um relacionado às nossas almas e outro aos nossos corpos.
Em primeiro lugar, nossas almas serão aperfeiçoadas em santidade, isto é, completamente purificadas de toda a contaminação do pecado e de suas tendências pecaminosas (Ap 21:27), sendo plenamente conformadas à imagem de Cristo (Ef 4:13). Após essa transformação, seremos imediatamente levados ao céu. Como está escrito: “Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2Co 5:8). Essa promessa foi claramente demonstrada quando o Senhor disse ao ladrão arrependido: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23:43). No céu, contemplaremos “a face de Deus em luz e glória” (Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 86; cf. 1Jo 3:2; 1Co 13:12). A respeito da glória que experimentaremos, três aspectos podem ser destacados: (1) Habitaremos em um lar eterno e glorioso (Jo 14:2); (2) Teremos comunhão com “muitos milhares de anjos” e com “os espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12:22-23); e (3) Gozaremos de um descanso abençoado, livre de todo trabalho, dor e pecado (Hb 4:9; Ap 14:13).
Em segundo lugar, nossos corpos, mesmo na morte, não serão abandonados. Ainda que os corpos sejam separados das almas, eles permanecem unidos a Cristo. O apóstolo Paulo destaca esse fato ao perguntar: “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?” (1Co 6:15). Assim, nossos corpos descansarão no túmulo, em união com Cristo, até o dia da ressurreição.
Surge, então, a pergunta: como é possível que ressuscitemos com o mesmo corpo, considerando que ele está constantemente se renovando (à medida que células antigas morrem e são substituídas por novas) e que, após a morte, sofre decomposição, podendo até ser queimado e disperso, como no caso de muitos mártires? As Escrituras não nos fornecem detalhes suficientes para formular uma explicação bioquímica definitiva, nem é necessário que tenhamos tal resposta. Basta que possamos afirmar, com Jó: “E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus, vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, o verão, e por isso o meu coração se consome dentro de mim” (Jó 19:26-27).
É reconfortante saber que, embora o corpo seja “semeado em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual” (1Co 15:42-44).
Além disso, a promessa da ressurreição não apenas nos consola em relação à morte, mas também nos motiva a viver em santidade e esperança. Sabemos que nossos corpos, ainda que frágeis e sujeitos à corrupção neste mundo, serão transformados em corpos gloriosos, semelhantes ao corpo ressurreto de Cristo (Fp 3:21). Essa esperança nos convida a olhar além das dificuldades e aflições presentes, compreendendo que tudo isso é temporário diante da glória eterna que nos aguarda (2Co 4:17).
Porém, é importante lembrar que essa ressurreição gloriosa não é para todos indiscriminadamente, mas para aqueles que estão em Cristo. Como Paulo nos ensina: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4:16). Aqueles que rejeitam o Evangelho enfrentarão a ressurreição para juízo, conforme está escrito: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn 12:2). Portanto, essa verdade não apenas conforta os crentes, mas também serve como um alerta solene para aqueles que ainda não se arrependeram e creram no Salvador.
Em conclusão, os benefícios que Deus reserva para os crentes após esta vida nos dão uma perspectiva rica e consoladora sobre a eternidade. As nossas almas, aperfeiçoadas em santidade, habitarão na presença gloriosa de Deus, enquanto nossos corpos, transformados pela ressurreição, se unirão novamente às nossas almas para viverem na glória eterna. Essa verdade nos fortalece para perseverar na fé, buscar uma vida de santidade e proclamar a esperança do Evangelho a todos, confiando que, em Cristo, a morte foi vencida e a vida eterna é a nossa herança certa e segura.
Perguntas.
1. Quais são os dois principais benefícios que os crentes desfrutarão após esta vida, e como eles se relacionam às nossas almas e corpos?
2. Como as Escrituras descrevem o processo de aperfeiçoamento das almas em santidade e sua transição para a presença de Deus? Cite pelo menos dois versículos mencionados no texto.
3. De acordo com o texto, o que ocorre com os corpos dos crentes após a morte, e como eles permanecem em união com Cristo?
4. Quais são os três aspectos destacados no texto sobre a glória que os crentes experimentarão no céu? Como esses aspectos influenciam a vida cristã?
5. Qual é a diferença entre a ressurreição dos crentes e a dos que rejeitam o Evangelho, segundo as passagens citadas?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 37 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em Janeiro de 2025. Publicado originalmente em 13 de Feveveiro de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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