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Pergunta 36: Quais são as bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, a adoção e a santificação, ou delas procedem?
Resposta: As bênçãos que nesta vida acompanham a justificação, a adoção e a santificação, ou delas procedem, são: certeza do amor de Deus, paz de consciência, alegria no Espírito Santo,[1] aumento de graça[2] e perseverança nela até ao fim.[3]
PROVAS BÍBLICAS.
Prova 01:
- Romanos 14.17: Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
Prova 02:
- João 1.16: Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
Provas 03:
- Filipenses 1.6: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.
- 1Pedro 1.5: Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo.
Comentário.
Nas últimas quatro perguntas, examinamos os benefícios objetivos da salvação nesta vida: justificação, adoção e santificação. Cada um deles reflete a obra soberana e eficaz de Deus, que nos redime por meio de Cristo e aplica essa redenção a nós por meio do Espírito Santo. Agora, voltamos nossa atenção para os benefícios subjetivos da salvação nesta vida, que são frutos do pacto da graça e fluem diretamente dos benefícios objetivos.
Cinco benefícios subjetivos são destacados:
- Certeza do amor de Deus — “… o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5). Essa certeza é resultado da obra do Espírito, que nos testemunha que somos filhos de Deus (cf. Romanos 8.16).
- Paz de consciência, ou seja, a liberdade do sentimento de culpa e do medo da condenação — “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1). Essa paz é uma realidade permanente para os eleitos, pois está ancorada na justiça imputada de Cristo.
- Alegria no Espírito Santo — “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo” (Romanos 15.13). Essa alegria é fruto do Espírito e está enraizada na comunhão com Deus.
- Aumento da graça, ou seja, o crescimento na vida espiritual — “A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4.18). Este aumento é a obra contínua da santificação, onde somos transformados de glória em glória pela operação do Espírito (2Coríntios 3.18).
- Perseverança no desfrute desses benefícios até o fim — “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6). Essa perseverança é garantida pela fidelidade de Deus, que preserva os seus eleitos até o fim.
A teologia reformada nos ensina que esses benefícios subjetivos são inseparáveis da obra objetiva de Cristo e servem como evidências da regeneração. Eles fortalecem a certeza da fé do crente (cf. Confissão de Westminster 18.2), sendo sinais da graça de Deus operando em sua vida. Como Paulo exorta, devemos “examinar-nos a nós mesmos” (2Coríntios 13.5), buscando identificar os frutos do Espírito que comprovam nossa união com Cristo.
Ainda assim, a Escritura alerta sobre a possibilidade de engano espiritual. Algumas pessoas não regeneradas podem demonstrar uma falsa confiança no amor de Deus e até experimentar certa medida de alegria e paz de consciência (Hebreus 6.4-6). No entanto, essas experiências não são acompanhadas de verdadeiro crescimento na graça nem de perseverança. Como João declara: “Eles saíram de nosso meio, entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1João 2.19).
Os benefícios subjetivos da salvação não eliminam as lutas e provações da vida cristã. O crente regenerado continua a lutar contra o pecado e enfrentar adversidades. Contudo, a graça sustentadora de Deus é suficiente para nos fortalecer em todas as circunstâncias, levando-nos a depender cada vez mais dele. Essa dinâmica reflete o paradoxo da vida cristã: somos simultaneamente justos e pecadores (simul justus et peccator), mas confiamos que aquele que começou a boa obra em nós a completará (Filipenses 1.6).
Além disso, esses benefícios apontam para a consumação do plano redentor de Deus. O que agora experimentamos em parte será plenamente realizado na eternidade. Como Paulo afirma: “Agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face” (1Coríntios 13.12). Na glória vindoura, a certeza do amor de Deus, a paz, a alegria e a comunhão com ele serão perfeitas e ininterruptas.
Conclusão.
Na teologia reformada, os benefícios subjetivos da salvação são um reflexo da obra soberana e eficaz de Deus em seus eleitos. Eles não apenas fortalecem nossa certeza e alimentam nossa fé, mas também testificam ao mundo a beleza do evangelho. Embora imperfeitos nesta vida, esses benefícios nos apontam para a glória futura e nos incentivam a viver para a glória de Deus. Que possamos sempre confiar na fidelidade do nosso Senhor, que preserva o seu povo até o fim e o conduz à comunhão eterna consigo mesmo.
Perguntas.
1. Como os benefícios objetivos da salvação (justificação, adoção e santificação) se relacionam com os benefícios subjetivos descritos no texto?
2. De que forma a certeza do amor de Deus e a paz de consciência impactam a vida prática do cristão em meio às lutas e provações?
3. Por que a perseverança no desfrute dos benefícios da salvação é considerada uma obra soberana de Deus, e como isso reforça a doutrina da segurança eterna dos eleitos?
4. Quais evidências de crescimento na graça você pode identificar em sua própria vida, e como isso reflete a santificação progressiva mencionada no texto?
5. Como os benefícios subjetivos da salvação apontam para a consumação do plano redentor de Deus e nos preparam para a glória futura?

Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 36 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em Dezembro de 2024. Publicado originalmente em 06 de Fevereito de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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