O Natal é um monumento à idolatria passada e presente

Tempo de leitura: 13 minutos.

Por Rev. Brian M. Schwertley.

A data em que o Natal é comemorado (25 de dezembro) e quase todos os costumes associados a ele tiveram suas origens no paganismo e na adoração de ídolos. “Muitos dos habitantes da Terra eram adoradores do sol, pois suas vidas dependiam do curso anual deste astro pelos céus, e festas eram realizadas para estimular seu retorno após longas peregrinações distantes. No sul da Europa, no Egito e na Pérsia, os deuses solares eram reverenciados com cerimônias elaboradas durante o solstício de inverno, considerado um momento oportuno para homenagear o deus benigno da abundância. Enquanto isso, em Roma, a Saturnália era celebrada por uma semana inteira. Nas terras do norte, meados de dezembro era um período crítico, pois os dias tornavam-se cada vez mais curtos, e o sol, fraco e distante. Esses povos antigos realizavam festividades no mesmo período em que o Natal é agora observado”.[1]

Durante o solstício de inverno, os babilônios adoravam Tamuz;[2] os gregos e romanos veneravam Júpiter, Mitra, Saturno, Hércules, Baco e Adônis; os egípcios adoravam Osíris e Hórus; e os escandinavos cultuavam Odin (ou Woden). “Entre as tribos germânicas e celtas, o solstício de inverno era considerado um marco importante do ano, e elas realizavam seu principal festival, o Yule, para celebrar o retorno da ‘roda ardente’. O azevinho, o visco, o tronco de Yule e a tigela de wassail são relíquias desse período pré-cristão”.[3]

O Natal não era celebrado pela igreja apostólica nem nos primeiros séculos do cristianismo. Ainda em 245 d.C., Orígenes, em sua Homilia 8 sobre Levítico, repudiou a ideia de celebrar o aniversário de Cristo, “como se fosse um rei Faraó”.[4] Entretanto, por volta do século IV, muitas igrejas no Ocidente latino começaram a celebrar o Natal. No século V, tornou-se uma celebração oficial no calendário romano, reconhecida como um dia santo pela Igreja Católica. Em 534 d.C., o Natal foi oficialmente designado como um dia sagrado pelo Estado romano.

A origem do Natal como um dia sagrado no cristianismo, no entanto, não tem fundamento bíblico. A Bíblia não indica a data do nascimento de Cristo, tampouco ordena a celebração dessa data. O Natal, assim como muitas outras práticas de origem pagã, foi adotado pela Igreja Romana como uma estratégia missionária.

O sincretismo com o paganismo, utilizado como estratégia missionária, é claramente demonstrado nas instruções do Papa Gregório I aos missionários em 601 d.C.:

  • “Porque eles [os pagãos] costumavam sacrificar bois aos demônios, alguma comemoração deveria ser dada em troca disto […] eles deveriam celebrar uma festa religiosa e adorar a Deus com seus banquetes, para que, ainda mantendo os prazeres exteriores, possam mais prontamente receber as alegrias espirituais.”[5]

Esse sincretismo com o paganismo explica por que muitos costumes natalinos possuem raízes pagãs profundas. A tradição da árvore de Natal, por exemplo, originou-se do uso de árvores sagradas, elemento central na adoração pagã durante o solstício de inverno. Na Babilônia, a árvore perene simbolizava Ninrode retornando à vida em Tamuz, que, segundo a lenda, teria nascido de uma virgem chamada Semíramis. Em Roma, os pinheiros eram decorados com frutas vermelhas para celebrar a Saturnália.[6]

Os escandinavos traziam abetos sagrados para dentro de suas casas em homenagem ao deus Odin. “Quando os pagãos do norte da Europa se tornaram cristãos, incorporaram suas árvores perenes sagradas às festividades cristãs, decorando-as com nozes douradas, velas (herança da adoração ao sol) e maçãs, que representavam as estrelas, a lua e o sol”.[7]

A prática de acender fogueiras e velas nos dias 24 e 25 de dezembro também tem origem na adoração ao sol. O tronco de Yule, usado em celebrações, provavelmente surgiu com os druidas, que o associavam ao culto solar. O tronco não podia queimar completamente e era guardado para acender o fogo do ano seguinte, possivelmente simbolizando o renascimento do sol. “Os romanos decoravam seus templos e casas com ramos verdes e flores durante a Saturnália, um período de alegria e troca de presentes; os druidas coletavam visco com grande cerimônia e o penduravam em suas casas; os saxões utilizavam azevinho, hera e louro em suas celebrações.”[8]

O fato de o Natal estar repleto de práticas pagãs é amplamente reconhecido. “No entanto, muitos cristãos afirmam que tais práticas não têm mais conotações pagãs e acreditam que a observância do Natal oferece uma oportunidade de adoração e testemunho”.[9] Muitos argumentam que não adoram a árvore de Natal e que as origens pagãs estão tão distantes no passado que se tornaram inofensivas. Contudo, essa visão, embora comum em nossos dias, demonstra um total desrespeito pelo ensino bíblico sobre os ídolos, os elementos associados à idolatria e os monumentos dedicados a práticas idólatras.

Deus expressa um ódio intenso pela idolatria, ao ponto de ordenar a Israel não apenas que evitasse a adoração de ídolos, mas também que destruísse tudo o que estivesse associado a ela. Como está escrito:

  • “Certamente destruireis todos os lugares, nos quais as nações que ides desapossar serviram aos seus deuses, sobre os altos montes, e sobre os outeiros, e debaixo de toda árvore frondosa; deitareis abaixo os seus altares, quebrareis as suas colunas, queimareis os seus postes-ídolos a fogo, e cortareis as imagens de escultura dos seus deuses, e apagareis o seu nome daquele lugar. Não fareis assim para com o Senhor, vosso Deus. […] Guarda-te, não te enlaces com elas, após terem sido destruídas diante de ti, nem perguntes pelos seus deuses, dizendo: Como serviam estas nações os seus deuses? Também farei o mesmo. Assim não procederás para com o Senhor, teu Deus” (Deuteronômio 12.2-4, 30-31).

Quando Jacó decidiu purificar o acampamento — sua família e seus servos —, não apenas os deuses estrangeiros foram removidos, mas também os brincos, pois estavam associados a falsos deuses e representavam superstição: “Então, deram a Jacó todos os deuses estrangeiros que tinham, e as argolas que lhes pendiam das orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém” (Gênesis 35.4). De maneira semelhante, ao enfrentar os profetas de Baal, Elias não utilizou o altar pagão para oferecer seu sacrifício. Ele não tentou santificar algo originalmente dedicado à idolatria; em vez disso, reconstruiu o altar do Senhor, como um ato de pureza e devoção ao verdadeiro Deus. Os cristãos, portanto, não devem adotar festivais pagãos, como Yule ou Saturnália, revestindo-os de significados cristãos. Devem, ao contrário, santificar o dia do Senhor, assim como fizeram os apóstolos. Um exemplo claro dessa rejeição à idolatria pode ser visto em Jeú, que, ao confrontar os adoradores de Baal, destruiu completamente o templo e tudo o que nele havia. Está escrito: “Também quebraram a coluna de Baal e derrubaram a casa de Baal, e fizeram dela latrinas, até ao dia de hoje” (2Reis 10.27).

“Além disso, temos o exemplo do bom Josias, que não destruiu apenas as casas e os altos de Baal, mas também os seus utensílios, o bosque, os altares, bem como os cavalos e carros dedicados ao sol (2Reis 23). O mesmo ocorreu com o penitente Manassés, que não apenas derrubou os deuses estranhos, mas também seus altares (2 Crônicas 33:15).¹ Há ainda o exemplo de Moisés, o homem de Deus, que não se contentou apenas em executar vingança sobre os israelitas idólatras, mas também destruiu completamente o monumento de sua idolatria”.[10]

Deus não deseja que sua igreja adote dias pagãos, nem os ritos e apetrechos papistas que os acompanham, adaptando-os para um uso cristão. Ele nos ordena que os abolamos completamente da face da terra para sempre. Você pode não se ofender com o tronco de Yule, a árvore de Natal, o visco, as bagas de azevinho ou a escolha de um dia pagão para celebrar o nascimento de Cristo, mas Deus se ofende. Ele nos ordena que nos livremos dos monumentos e parafernálias do paganismo.

Se sua esposa tivesse tido outros relacionamentos antes de se casar com você, você não se ofenderia se ela mantivesse fotos de seus antigos namorados na cômoda? Não ficaria incomodado se ela comemorasse os aniversários relacionados aos seus relacionamentos passados? Você não se sentiria ofendido se ela preservasse e valorizasse anéis, joias e lembranças recebidas de antigos namorados? Claro que sim! O Senhor Deus é infinitamente mais zeloso por sua honra do que você; ele é um Deus zeloso. Israel poderia transformar os dias festivos dedicados a Baal, Aserá, Dagom e Moloque em celebrações agradáveis a Deus? Certamente não! A Bíblia deixa claro quais reis de Judá mais agradaram a Deus. Ele se satisfaz quando os ídolos, seus templos, vestes religiosas, brincos, casas sagradas, árvores sagradas, postes-ídolos, ornamentos, ritos, nomes e dias são completamente eliminados da terra, para nunca mais serem restaurados. Deus quer que sua noiva elimine para sempre os monumentos, os dias, a parafernália e as lembranças da idolatria. Como está escrito: “Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis com os sinais dos céus, porque com eles se atemorizam os gentios. Pois os costumes dos povos são vaidade” (Jeremias 10.2-3). “Não farás assim ao Senhor, teu Deus, porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses” (Deuteronômio 12.31).

Os cristãos não devem apenas eliminar os monumentos da idolatria passada, mas também tudo o que está associado à idolatria presente. O Natal é considerado o dia santo mais importante do catolicismo romano. O termo “Natal” (em inglês) deriva do Romanismo: Christ-mass ou “Missa de Cristo”. Este nome une o título do nosso glorioso Deus e Salvador à idólatra e blasfema missa do papado. A Missa de Cristo é uma mistura de idolatria pagã com invenções papais.

A Igreja Católica Romana rejeita o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo e utiliza invenções humanas, como o Natal, para manter milhões de pessoas na escuridão espiritual. O fato de que milhões de protestantes, defensores da autoridade da Bíblia, estão celebrando um dia santo católico romano que não foi ordenado em nenhuma parte da Palavra de Deus, demonstra o triste estado do evangelicalismo moderno. Como foi dito: “Não podemos nos conformar, comunicar e simbolizar com os idólatras papistas, no uso do mesmo, sem nos tornarmos idólatras pela participação”.[11] Nossa atitude deve refletir a postura do reformador Martin Bucer, que afirmou: “Eu peço a Deus que todos os dias santos, sejam quais forem, além do Dia do Senhor, sejam abolidos. O zelo que os originou não tinha qualquer garantia na Palavra de Deus, mas seguia uma razão corrupta, que buscava substituir os dias santos pagãos como se um prego expulsasse outro. Esses dias santos foram tão contaminados com superstições que me pergunto como não trememos até mesmo ao ouvir seus nomes”.[12]

Uma objeção comum contra o argumento de que os monumentos pagãos devem ser abolidos é a alegação de que essas práticas ocorreram há tanto tempo que agora seriam inofensivas. Contudo, isso é completamente falso. Não apenas enfrentamos a idolatria presente do romanismo, mas também testemunhamos um ressurgimento das antigas religiões pagãs europeias, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos da América. O movimento feminista radical, por exemplo, está atualmente revivendo as deusas e deuses da fertilidade do antigo Oriente Próximo. A Lei de Deus ordena que nos livremos dos monumentos à idolatria. Como está escrito: “Porém os seus altares derrubareis, quebrareis as suas colunas e cortareis os seus postes-ídolos” (Êxodo 34.13). A Lei de Deus não é anulada nem se torna irrelevante com o passar do tempo.

Perguntas.

1. Quais são as origens históricas e religiosas associadas à data e às práticas do Natal, conforme descrito no texto?

2. De que maneira a Igreja Católica Romana incorporou elementos pagãos em suas celebrações, segundo o texto?

3. Como a Bíblia aborda a idolatria e os elementos associados a práticas idólatras? Cite exemplos mencionados no texto.

4. Qual é a posição defendida no texto sobre o sincretismo religioso, especialmente em relação ao Natal?

5. Você concorda ou discorda com o argumento apresentado no texto sobre a incompatibilidade entre práticas pagãs e o culto a Deus? Justifique sua resposta com base no texto ou em suas crenças pessoais.


Notas.

[1] Encyclopedia Britannica (edição de 1961), 5:643.

[2] “Muito antes do século IV e mesmo antes da era cristã, um festival era celebrado entre os pagãos nessa exata época do ano, em homenagem ao nascimento do filho da rainha do céu da Babilônia. Pode-se presumir, com razoável certeza, que, para conciliar os pagãos e aumentar o número de adeptos nominais do Cristianismo, o mesmo festival foi adotado pela Igreja Romana, apenas mudando seu nome para Cristo” (Alexander Hislop, The Two Babylons [Neptune, N.J.: Loizeaux Brothers, (1916)1943], p. 93).

[3] Encyclopedia Britannica (edição de 1961), 6:623.

[4] Ibid., 5:642.

[5] Bede, Ecclesiastical History of the English Nation, (citado em Encyclopedia Britannica, edição de 1961, 5:643).

[6] “A Saturnália, assim como o Natal, era uma época dedicada à troca de presentes. Um dos itens populares eram pequenas bonecas, embora por um motivo sombrio: elas representavam um mito em que Saturno devorava todos os seus filhos homens ao nascer, cumprindo assim a promessa de que não deixaria herdeiros” (The United Church Observer, Santa’s Family Tree, dezembro de 1976, p. 14).

[7] World Book Encyclopedia, (edição de 1955), 3:1425.

[8] Encyclopedia Britannica, 5:643.

[9] G. Lambert, Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids: Zondervan, 1975, 1976), 1:805.

[10] George Gillespie, English Popish Ceremonies (n.p., 1637), Parte III, p. 19.

[11] Ibid., Parte III, p. 35.

[12] Martin Bucer, citado em William Ames, A Fresh Suit Against Human Ceremonies in God’s Worship (n.p., 1633), p. 360.


O Natal é um monumento à idolatria passada e presente © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

Por: Brian M. Schwertley. Fonte: THE REGULATIVE PRINCIPLE OF WORSHIP AND CHRISTMAS. Tradução, revisão e edição: Samuel S. Gomes. Novembro de 2024.

Autor: O Rev. Brian M. Schwertley é formado pelo Reformed Episcopal Seminary, na Filadélfia, PA, com o título de Mestre em Divindade. Ordenado pela Reformed Presbyterian Church of North America em 1996, ele atuou como plantador de igrejas e ministro em diversos estados, incluindo Michigan, Wisconsin e Texas.

Reconhecido por suas contribuições acadêmicas, o Rev. Schwertley é autor de inúmeros livros e monografias, além de ter artigos publicados em revistas como The Christian Statesman, The Homeschool Digest, Semper Reformanda, The Chalcedon Report, The Puritan Journal of Brazil, The New Southern Presbyterian Review e The Counsel of Chalcedon. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, como português, alemão, búlgaro, espanhol, italiano, dinamarquês e sueco.

Desde 1984, é casado com Andrea Schwertley, com quem tem cinco filhos, todos educados em casa.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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