Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 34

Pergunta 34: O que é adoção?

Resposta: Adoção é um ato da livre graça de Deus,[1] pelo qual somos recebidos no número dos filhos de Deus, e temos direito a todos os seus privilégios.[2]

PROVAS BÍBLICAS.

Prova 01:

  • 1João 3.1: Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.

Provas 02:

  • João 1.12: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.
  • Romanos 8.14–17: Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

Comentário.

A adoção é o ato de acolher uma criança que anteriormente era estranha a uma família e tratá-la como membro pleno dela. 

Antes de nossa conversão, éramos, por natureza, filhos da ira, estranhos e forasteiros em relação à casa de Deus (Ef 2.3,19). Contudo, ao sermos transladados para o seu reino, o Senhor não nos permite permanecer como estrangeiros ou meros amigos de sua casa. Ele nos faz seus filhos por meio de dois atos distintos: primeiro, ele nos regenera, para que sejamos conformados à imagem de seu Filho unigênito (Tg 1.18); segundo, ele nos adota como seus filhos. 

Assim como a justificação, a adoção é um ato da graça livre de Deus, pelo qual recebemos privilégios que não nos eram devidos. É surpreendente que, embora fôssemos inimigos de Deus, não apenas tenhamos sido reconciliados com ele, mas também feitos seus filhos. Diante disso, João exclama: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1Jo 3.1).  

Como filhos adotivos de Deus, recebemos o direito a todos os privilégios que pertencem aos Seus filhos, incluindo: 

  1. Audiência paternal e resposta às orações: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1Jo 5.14-15; cf. Ef 3.12).
  2. Certeza interior de que somos filhos de Deus: Isso nos permite confiar em seu amor e cuidado paternal. Paulo afirma: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes com temor; mas recebestes o espírito de adoção, baseado no qual clamamos: Aba, Pai! O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15-16).
  3. Compaixão paternal nas tribulações: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem” (Sl 103.13).
  4. Proteção paternal contra o mal temporal e espiritual: “O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma” (Sl 121.7; cf. Pv 14.26).
  5. Provisão paternal para nossas necessidades: “Porque o vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” (Mt 6.32; cf. Sl 34.10).
  6. Disciplina paternal quando nos desviamos: “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).
  7. Título seguro à herança do reino dos céus: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Rm 8.17; cf. 1Pe 1.3-5).

A doutrina da adoção também nos lembra da união que temos com Cristo. Por meio de sua obra redentora, tornamo-nos co-herdeiros com ele, participando de sua glória e da comunhão eterna com o Pai. Essa união não apenas nos assegura bênçãos futuras, mas nos confere uma nova identidade presente. Não somos mais definidos por nossos pecados ou fracassos, mas por nossa posição como filhos de Deus em Cristo.

Além disso, a adoção nos ensina sobre a paternidade de Deus e sua relação com os crentes. Ele não é apenas um Criador distante, mas um Pai próximo, que nos guia, disciplina e cuida de nós. Essa proximidade reflete sua aliança eterna com o seu povo, na qual ele promete ser nosso Deus e nos chama a ser seu povo, um relacionamento selado no sangue de Cristo.

Essa verdade também transforma a maneira como vivemos em comunidade. Como filhos adotivos de Deus, somos parte de sua família, a Igreja. Essa realidade nos chama a viver em amor, servindo uns aos outros e refletindo a graça que recebemos. A adoção espiritual nos une não apenas a Deus, mas também a todos os outros que compartilham dessa mesma adoção, formando um corpo que trabalha em unidade para a glória do Pai. 

Em última análise, a doutrina da adoção aponta para o grande amor de Deus e a profundidade de sua graça. Não éramos apenas indignos, mas inimigos, e ainda assim fomos recebidos como filhos amados. Isso deve encher nossos corações de gratidão e nos motivar a viver para a glória de Deus, sabendo que fomos feitos herdeiros de um reino que jamais terá fim. Que possamos viver como filhos fiéis, confiando em nosso Pai celestial e aguardando com alegria o dia em que entraremos plenamente em sua herança eterna.

Perguntas.

1. Como o texto define a adoção, tanto no sentido humano quanto no espiritual? Quais passagens bíblicas são usadas para descrever nossa condição antes da adoção por Deus?

2. Quais são os dois atos distintos pelos quais Deus nos faz seus filhos? Como esses atos estão relacionados à regeneração e à adoção?

3. Liste e explique pelo menos três privilégios que os filhos de Deus recebem por meio da adoção. Use as passagens bíblicas mencionadas no texto para embasar sua resposta.

4. De que maneira a doutrina da adoção nos ensina sobre nossa relação com outros crentes na Igreja? Como essa verdade impacta a vivência comunitária dos filhos de Deus?

5. O texto conclui que a doutrina da adoção deve motivar os crentes a viverem para a glória de Deus. De que forma o conhecimento de que somos filhos de Deus transforma nossa visão sobre o futuro e nossa conduta no presente?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 34 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2022, 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em Dezembro de 2024. Publicado originalmente em 23 de Janeiro de 2022].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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