Pergunta 33: O que é justificação?
Resposta: Justificação é um ato da livre graça de Deus [1], no qual Ele perdoa todos os nossos pecados [2], e nos aceita como justos diante d’Ele [3], somente pela justiça de Cristo imputada a nós [4], e recebida somente pela fé [5].
PROVAS BÍBLICAS.
[1] Romanos 3:24; [2] Romanos 4:6-8; 2 Coríntios 5:19; [3] 2 Coríntios 5:21; [4] Romanos 4:6, 11; 5:19; [5] Gálatas 2:16; Filipenses 3:9.
Comentário.
A justificação refere-se à declaração de uma pessoa como legalmente justa e, portanto, isenta de condenação.
Conforme mencionado ao tratarmos do BCW 29, há um sentido em que a justificação dos eleitos ocorre na eternidade, no decreto da redenção, e outro sentido em que ocorre na história, quando Cristo concluiu sua obra de expiação substitutiva. Além disso, há um aspecto da justificação que se realiza no tempo, na vida dos eleitos. A primeira parte, objetiva, refere-se ao que Cristo realizou, enquanto a segunda, subjetiva, diz respeito à aplicação dessa obra na consciência do pecador eleito. Este segundo aspecto, subjetivo, é enfatizado em nosso catecismo, pois os eleitos não são considerados “justificados até que o Espírito Santo, no tempo próprio e de fato, lhes aplique os méritos de Cristo” (CFW 11.4; cf. Cl 1.21-22; Gl 2.16; Tt 3.4-7).
Alguns pontos importantes podem ser destacados da resposta do catecismo.
1. Justificação como ato de graça livre: A justificação é um ato da graça livre de Deus: “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Isso implica que não somos justificados por nossas obras ou méritos pessoais, pois “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6).
2. Justificação pela fé: Quando as Escrituras dizem que os eleitos são “justificados pela fé” (Rm 3.28; 5.1), isso não significa que a fé seja a causa meritória da justificação. Pelo contrário, como afirma o catecismo, a justificação é “recebida só pela fé”. Em outras palavras, a fé é o instrumento pelo qual recebemos a justificação, e não a causa dela.
3. Exclusividade da fé na justificação: A justificação somente pela fé refuta a doutrina romana de que somos justificados pela combinação de fé e obras. Quando Tiago declara que “pelas obras o homem é justificado e não somente pela fé” (Tg 2.24), ele não utiliza “justificado” no sentido técnico de ser declarado justo perante Deus, mas no sentido de “provado como verdadeiro” (cf. Lc 7.35). Tiago ensina que as boas obras demonstram a autenticidade da fé cristã. Assim, uma pessoa justificada também experimenta a santificação, na qual a justiça é formada em sua vida. A justificação sem santificação é uma contradição, pois ambas são inseparáveis.
4. Os dois aspectos da justificação: A justificação envolve dois aspectos principais: o perdão e a aceitação. O perdão de nossos pecados foi realizado pela expiação propiciatória de Cristo, ao tomar sobre si o castigo que era devido a nós (2Co 5.21; Cl 2.14). Este aspecto é frequentemente chamado de “obediência passiva” de Cristo. Já nossa aceitação como justos não se baseia apenas na expiação de nossos pecados, mas também na imputação da justiça de Cristo, obtida por sua perfeita obediência à Lei durante todo o seu ministério terreno. Ele é nosso representante da aliança (Rm 5.17-19).
Cristo é, assim, a causa meritória da justificação, enquanto a imputação de sua justiça é a causa formal, realizada pela graça divina. Dessa forma, a justificação fundamenta-se inteiramente na obra redentora de Cristo e na aplicação dessa obra aos eleitos pelo Espírito Santo.
Adicionalmente, é importante destacar que a justificação também evidencia a soberania de Deus na salvação. Ao justificar os pecadores, Deus não apenas perdoa suas transgressões, mas também lhes concede a justiça de Cristo como um dom imerecido. Este ato demonstra que a salvação é inteiramente obra de Deus, realizada por sua vontade e graça, e não depende do esforço humano (Ef 2.8-9). Assim, a justificação é um testemunho da glória e do poder de Deus, que transforma vidas e chama pecadores à comunhão com ele.
Outro ponto a considerar é que a justificação, sendo um ato consumado, assegura a paz com Deus. Como Paulo afirma: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Essa paz não é apenas a ausência de condenação, mas também a reconciliação com Deus e o início de uma nova vida. Por meio da justificação, os eleitos são libertos da culpa e recebem a garantia de sua salvação, vivendo na certeza de que foram aceitos em Cristo.
Em resumo, a doutrina da justificação é central para a fé cristã e enfatiza tanto a obra perfeita de Cristo quanto a aplicação dessa obra pelo Espírito Santo na vida dos eleitos. Essa verdade não apenas nos humilha, mostrando que somos incapazes de salvar a nós mesmos, mas também nos consola, assegurando que, em Cristo, temos um advogado justo e fiel. A justificação é, assim, uma expressão sublime da graça de Deus, que nos redime, transforma e nos conduz à glória eterna.
Perguntas.
1. O que é a justificação e quais são os seus aspectos objetivo e subjetivo mencionados no texto?
2. Como o texto diferencia a justificação pela fé da ideia de justificação pelas obras?
3. Quais são os dois principais elementos da justificação, e como eles se relacionam com a obra de Cristo?
4. De acordo com o texto, como a justificação reflete a soberania de Deus na salvação?
5. Qual é a relação entre a justificação e a paz com Deus, conforme descrita em Romanos 5.1?

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[Nota do Editor: Artigo atualizado em Novembvro de 2025. Publicado originalmente em 16 de Janeiro de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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