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Lição 11: Precisamos ajudar outros crentes.
O chamado de Deus para a vida cristã inclui o cuidado mútuo entre os membros da fé, de maneira que nossas ações sejam condizentes com sua vontade soberana. Deus nos convida a ser uma verdadeira família, onde os crentes cuidam uns dos outros como irmãos e irmãs, orando e buscando formas de encorajar todos a viver conforme as orientações divinas. Como ensina Hebreus 10.24: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. Esse princípio nos orienta a sermos bons amigos e exemplos uns para os outros, incentivando todos a perseverar na conduta que agrada ao Senhor.
Além de oferecer apoio quando vemos alguém agir conforme a vontade de Deus, devemos também estender a mão quando outro crente falha ou peca. Em vez de ignorar ou condenar, somos chamados a encorajar o arrependimento e a mudança de comportamento, com mansidão e privacidade. Como instruído em Mateus 18.15-16: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça”. Essa instrução ressalta o valor do relacionamento cristão, que deve ser nutrido com humildade e encorajamento à retidão.
Quando o pecado persiste e envolve um membro da igreja, os oficiais da igreja podem precisar intervir de forma mais direta, sempre com compaixão e discrição. A Confissão de Fé de Westminster (CFW) ressalta o papel do governo da igreja no cuidado pastoral e disciplinar, com o propósito de restaurar o pecador e proteger a integridade da comunidade de fé (CFW 30.3).1 Quando uma repreensão formal é necessária, ela deve ser feita com o objetivo de guiar o crente de volta à comunhão. Se o pecador não se arrepender, a igreja poderá restringir temporariamente o acesso dele à Ceia do Senhor, como uma medida para incentivá-lo ao arrependimento sincero (CFW 30.4).2 Jesus explicou essa sequência em Mateus 18.17: “E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano”.
A disciplina eclesiástica, como ensinado nos padrões de Westminster, é um meio de cuidado pastoral e de edificação do corpo de Cristo, não um castigo punitivo. Quando um membro precisa ser afastado, ele deve ser tratado com amor e respeito, como alguém que necessita da transformação que só Cristo pode oferecer. Devemos orar por ele e, sempre que possível, encorajá-lo a retornar à comunhão mediante o arrependimento e a confiança na graça de Deus.
Conclusão.
A vida cristã, conforme o ensino reformado, é vivida em comunhão com os irmãos e sob a liderança da igreja. Nosso chamado é ajudar e exortar uns aos outros a viver em santidade e retidão, sempre guiados pela palavra de Deus e em obediência ao evangelho. A Confissão de Fé de Westminster no lembra que a disciplina eclesiástica visa a restauração do pecador e a edificação da igreja, refletindo o cuidado de Deus para que todos permaneçam firmes em seu amor. Em todas as ações de exortação e disciplina, nosso objetivo é sempre a reconciliação e o crescimento em Cristo, em busca de uma vida que glorifique a Deus e que espelhe seu amor transformador.
Perguntas para estudo.
1. Qual é o papel dos crentes ao ajudarem uns aos outros a viver de acordo com os ensinamentos de Deus? Cite passagens bíblicas que fundamentem essa responsabilidade.
2. Como devemos agir quando vemos um irmão na fé pecar? Quais são os passos bíblicos recomendados para lidar com essa situação, conforme Mateus 18.15-17?
3. Qual é o propósito da disciplina eclesiástica na igreja, segundo o ensino da Confissão de Fé de Westminster, e como ela deve ser aplicada?
4. Explique o significado de Hebreus 10.24 no contexto da vida cristã em comunidade. Como este versículo nos orienta a apoiar e encorajar nossos irmãos na fé?
5. Por que é importante que a disciplina seja aplicada com amor e discrição, e qual é o objetivo final de toda ação disciplinar dentro da igreja?
Notas de rodapé.
1 CFW 30.3: “As censuras eclesiásticas são necessárias para chamar e ganhar para Cristo os irmãos ofensores, para impedir que outros pratiquem ofensas semelhantes, para purgar o velho fermento que poderia corromper a massa inteira, para vindicar a honra de Cristo e a santa profissão do Evangelho, e para evitar a ira de Deus, a qual, com justiça, poderia cair sobre a Igreja, se ela permitisse que o pacto divino e os seus selos fossem profanados por ofensores notórios e obstinados”.
2 CFW 30.4: “Para melhor conseguir esses fins, os oficiais da igreja devem proceder dentro da seguinte ordem, segundo a natureza do crime e demérito da pessoa: repreensão, suspensão do sacramento da Ceia do Senhor e exclusão da igreja”.
Acompanhe as lições dessa série aqui.

Lição 11: Precisamos ajudar outros crentes © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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