Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 26

Pergunta 26: Como Cristo exerce as funções de rei?

Resposta: Cristo exerce as funções de rei, sujeitando-nos a si mesmo,[1] governando-nos e protegendo-nos,[2] contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos.[3]

PROVAS BÍBLICAS.

Provas 01:

  • Salmo 110.1–3: Disse o Senhor ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos. Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder; com santos ornamentos, como o orvalho emergindo da aurora, serão os teus jovens.
  • Atos dos Apóstolos 2.36: Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

Provas 02:

  • Atos dos Apóstolos 18.9–10: Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade.
  • Isaías 9.6–7: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Prova 03:

  • 1Coríntios 15.25–27: Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou.

Comentário.

Um rei é o governante de um reino, e Cristo é esse tipo de rei. Sua realeza foi profetizada desde o início do Antigo Testamento, quando Jacó abençoou Judá dizendo: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de comando, dentre os seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos” (Gn 49.10). Siló refere-se àquele a quem pertence o tributo, ou seja, a um rei supremo. Esta profecia foi tornada mais específica pelo profeta Natã ao transmitir a promessa de Deus a Davi: “Quando os teus dias se cumprirem, e descansares com os teus pais, então farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino” (2Sm 7.12-13). Embora pareça referir-se diretamente a Salomão (cf. 1Cr 28.6), a profecia aplica-se a ele apenas como um tipo de Cristo, pois o Novo Testamento revela que ela se refere a Cristo (Hb 1.5b). Além disso, o fato de que o reino será eterno sugere um Rei que é também eterno (cf. Is 55.3; At 13.34). Davi, inspirado pelo Espírito Santo, reconheceu que este Rei é seu Senhor: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos” (Sl 110.1-2).

Sob o ministério dos profetas, a profecia do Rei vindouro se tornou cada vez mais clara. Jeremias o chama de “um Renovo justo” e “O Senhor, Justiça Nossa” (Jr 23.5-6; cf. At 13.23). Isaías é ainda mais específico: além de chamá-lo de Renovo e Raiz de Jessé (Is 11.1, 10; cf. Rm 15.12), ele deixa claro que esse Rei é Deus e que, para habitar entre os homens, nasceria de uma virgem: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre” (Is 9.6-7; cf. Is 7.14).

No Novo Testamento, a realeza de Cristo é plenamente revelada e proclamada abertamente. Fica claro que seu Reino não é terreno ou político, mas espiritual, onde seus súditos são o povo eleito e redimido de Deus (Mt 5.5-10; 6.33; 13.38; Lc 17.20; Jo 1.49; 3.3; 1Co 15.50 etc.). Isso não significa que Cristo não seja o rei também de seus inimigos. Ele é (Sl 110.2), mas seu domínio absoluto ainda não é totalmente evidente, embora um dia se tornará manifesto (1Co 15.25; Fp 2.9-11; Ap 11.15 etc.).

Enquanto isso, Cristo exerce sua realeza de três maneiras. Primeiro, ele nos submete a si, fazendo-nos dispostos a obedecê-lo (Cl 1.21; Sl 110.3; At 15.14-16). Ele faz isso de maneira eficaz, chamando-nos por sua Palavra e Espírito, e operando em nosso coração a disposição de lhe prestar a obediência que ele requer (Fp 2.13; Ef 3.16-19; 2Co 3.3). Segundo, ele nos governa e nos defende, concedendo-nos leis para nos guiar e proteger (Is 33.22; 32.1,2), e implementa essas leis. Ele também nomeia oficiais na Igreja, não apenas para proclamar suas leis, mas para exercer a disciplina da Igreja quando necessário (Mt 16.19). Terceiro, ele restringe atualmente e, no fim, destruirá todos os que se opõem a ele e a nós, incluindo Satanás e o mundo (1Co 15.25; Sl 110).

A teologia reformada enfatiza o governo soberano de Cristo sobre todas as áreas da vida, incluindo o mundo espiritual e o temporal. Sua soberania não se limita à Igreja, mas estende-se a todas as nações e à própria criação (Sl 2.8-9; Ef 1.22). Este governo universal é manifestado através de sua providência e sustento contínuo de todas as coisas, mas também se reflete na maneira como ele exerce sua justiça e misericórdia ao longo da história da redenção. No plano eterno de Deus, a realeza de Cristo é a chave para a consumação de seu propósito de reconciliar todas as coisas em Cristo, seja no céu, seja na terra (Cl 1.20). O reinado de Cristo, portanto, não apenas visa salvar seu povo, mas também derrotar todo o mal, restaurando a criação à sua plenitude.

Como o Rei messiânico prometido, Cristo também é o Mediador da nova aliança, garantindo os benefícios de sua obra redentora a todos os que creem. Sua morte e ressurreição não apenas asseguram o perdão dos pecados, mas também conferem a vitória final sobre a morte e Satanás. Cristo, como Rei, guia seu povo em santidade e justiça, conduzindo-os no caminho da vida eterna. Além disso, ele garante que, no último dia, seu reino será estabelecido plenamente, quando a nova criação será inaugurada, e ele reinará para sempre com justiça e paz sobre um povo purificado e redimido (Ap 21.1-4).

Em conclusão, a realeza de Cristo é um tema central na Escritura, que reconhece seu domínio universal, sua mediação poderosa e sua liderança graciosa sobre a Igreja e o mundo. Como o Rei prometido, ele cumpre perfeitamente o plano de Deus, exercendo seu governo soberano sobre todas as coisas. Sob seu reinado, o povo de Deus é chamado a viver em obediência, buscando o seu Reino em primeiro lugar e aguardando com expectativa o dia em que o seu governo será manifesto em toda a sua plenitude. Esse Rei eterno, que venceu a morte e subjugou os inimigos de Deus, reinará para sempre sobre um novo céu e uma nova terra, trazendo a plena restauração e a glorificação do povo redimido.

Perguntas para reflexão e estudo.

1. Como a profecia da realeza de Cristo no Antigo Testamento se conecta à sua soberania revelada no Novo Testamento? Reflita sobre a continuidade e o cumprimento das profecias veterotestamentárias sobre o governo eterno de Cristo, como o Renovo justo e o Príncipe da Paz, e sua manifestação plena na era do Novo Testamento.

2. De que maneira o reinado de Cristo é diferente dos reinos terrenos, e como isso afeta nossa compreensão de sua autoridade? Pense sobre as implicações de seu reino ser espiritual e eterno, e como isso influencia a vida dos seus súditos, o povo redimido de Deus.

3. Como Cristo exerce sua realeza na vida dos crentes, tanto individualmente quanto coletivamente como Igreja? Considere o papel da Palavra e do Espírito na submissão à autoridade de Cristo, o governo da Igreja por meio de oficiais, e a implementação da disciplina.

4. De acordo com a teologia reformada, qual é o significado da soberania de Cristo sobre todas as áreas da vida, e como isso se manifesta no mundo temporal e espiritual? Reflita sobre o impacto dessa soberania em esferas como a providência divina, a justiça, a misericórdia e a consumação do propósito redentor de Deus.

5. De que forma o reinado de Cristo garante a vitória final sobre Satanás e a morte, e o que isso significa para os crentes?

6. Como o Reino de Cristo influencia nossa vida prática hoje e nossa expectativa futura da manifestação plena de seu governo? Pense sobre como a soberania de Cristo nos chama a viver em santidade e obediência, buscando o seu Reino enquanto aguardamos a restauração final de todas as coisas.


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 26 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2021, 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em Outubro de 2024. Publicado originalmente em 28 de Novembro de 2021].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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