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Lição 6: Como nos tornamos parte do povo de Deus?
Em nossos estudos anteriores, vimos que a Bíblia revela o que Deus deseja que saibamos. Ela nos ensina sobre Deus, o Criador de todas as coisas e o Governante soberano de tudo o que existe. Aprendemos que, devido ao pecado de Adão, todos nós herdamos uma natureza corrompida, tornando-nos egoístas, impuros e inclinados ao mal. Essa corrupção é tão profunda que apenas Deus pode transformar nossos corações pecaminosos. Foi para isso que Jesus veio: como nosso Salvador, ele pagou a culpa pelos pecados de seu povo e nos creditou com sua justiça.
Agora, surge uma questão crucial: como nos tornamos parte do povo de Deus?
1) Por nós mesmos, não podemos confiar ou compreender plenamente as promessas de Deus.
O pecado nos incapacita de fazer qualquer coisa boa por conta própria. A Escritura é clara ao afirmar que todos estão distantes da justiça de Deus. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, cita o Antigo Testamento, dizendo: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12). E, no versículo 23, ele acrescenta: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.
A Confissão de Fé de Westminster também reflete essa realidade ao declarar: “Por esse pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes do corpo e da alma” (CFW VI.2).
2) Deus, em sua graça, resgata alguns.
A graça é o amor imerecido de Deus para conosco. Paulo explica aos Efésios: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).
Isso significa que não é por nossa bondade ou mérito que nos tornamos filhos de Deus, mas exclusivamente pela sua graça. A graça de Deus nos transforma e nos capacita a fazer o que, por nós mesmos, seria impossível. A Confissão de Fé de Westminster afirma: “Essa vocação eficaz provém unicamente da livre e especial graça de Deus, e não de qualquer coisa prevista no homem; nessa vocação, o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada” (CFW X.2).
3) A fé é a confiança que Deus gera em nossos corações por meio da graça.
Quando recebemos essa “fé salvadora”, estamos confiantes de que Jesus pagou por nossos pecados e nos imputou sua justiça. Isso nos ensina a não confiar em nossas próprias obras, mas unicamente no que Cristo fez por nós. Em arrependimento, confessamos humildemente nossos pecados e reconhecemos nossa total dependência da graça divina. Como o Breve Catecismo de Westminster nos instrui, “Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no evangelho” (BCW 86).
Essa fé nos leva a adorar a Deus com alegria e a obedecer seus mandamentos, não para ganhar sua aprovação, mas como expressão de gratidão por seu amor transformador.
4) Quando confiamos no que Jesus fez, Deus nos declara inocentes de nossos pecados.
Não somos considerados inocentes por nossos próprios méritos ou por não termos cometido pecados suficientes para merecer a condenação eterna. Somos inocentes porque Jesus pagou a penalidade por nossos pecados ao morrer em nosso lugar. A Bíblia nos garante que “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).
A justificação, como ensina o Catecismo Maior de Westminster, é “um ato da livre graça de Deus para com os pecadores, no qual ele os perdoa, os aceita e considera justos diante dele, não por qualquer coisa neles operada, nem por eles feita, mas unicamente pela perfeita obediência e plena satisfação de Cristo, a eles imputadas por Deus e recebidas só pela fé” (CMW 70).
Essa obra de Deus é infalível e permanente. Podemos ter certeza de que somos parte do povo de Deus quando vemos a fé e o arrependimento operando em nossos corações. Como afirma a Confissão de Fé de Westminster, “Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair do estado de graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim, e serão eternamente salvos” (CFW XVII.1).
Conclusão.
A salvação é um dom gratuito da graça de Deus, alcançada exclusivamente pela obra redentora de Cristo. Não podemos fazer nada por nós mesmos para merecer o favor de Deus. Tornamo-nos filhos de Deus por meio da fé, uma fé que é gerada pela ação soberana de Deus em nossos corações. A confiança em Cristo, o arrependimento de nossos pecados e a transformação de nossa vida são evidências de que pertencemos ao seu povo. Essa graça irresistível, conforme apresentada nas Escrituras, ensinada na teologia reformada e exposta nos Padrões de Westminster, nos dá a segurança de que a obra de Deus em nossas vidas é permanente e infalível. Portanto, podemos descansar plenamente na certeza de que somos, agora e para sempre, o povo amado de Deus.
Perguntas para estudo.
1. Qual é o impacto do pecado de Adão em nossa natureza e capacidade de nos aproximar de Deus?
2. Como a graça de Deus nos torna parte de seu povo, e por que não depende de nossas obras?
3. O que significa ter “fé salvadora”, segundo o texto e o Breve Catecismo de Westminster?
4. De que forma a justificação nos declara inocentes perante Deus, e qual é o fundamento dessa declaração?
5. Por que a perseverança dos santos é uma garantia para os que confiam em Cristo, segundo a Confissão de Fé de Westminster?
Acompanhe as lições dessa série aqui.

Lição 6: Como nos tornamos parte do povo de Deus? © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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