Noções Básicas da Bíblia – Lição 05

Tempo de leitura: 05 minutos.

Lição 5: Jesus completou o plano de Deus.

Quando Adão pecou, toda a humanidade se tornou pecadora, pois ele era o representante de todos os seus descendentes (Rm 5.12). Da mesma forma, Jesus representa aqueles que, pela fé, confiam em sua obra redentora realizada na cruz (Rm 5.18-19).

Jesus sofreu e morreu no lugar daqueles que, sinceramente, confiam em sua obra. A culpa dos pecados deles foi colocada sobre ele, de acordo com o plano eterno de Deus (Is 53.4-6). Ele foi imputado com os pensamentos, palavras e ações pecaminosas de seu povo, e essa transferência de culpa é o que chamamos de “imputação” (2Co 5.21). Ao morrer, ele pagou completamente a penalidade pelos pecados de seu povo, satisfazendo a justiça de Deus (Rm 3.25-26). A Confissão de Fé de Westminster (doravante CFW) afirma que “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que, pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai” (CFW VIII.5).

Além disso, há uma segunda imputação realizada pelo nosso Salvador. Ele não apenas levou sobre si os pecados de seu povo, mas também viveu de forma perfeita e santa, e essa justiça é creditada a eles (Rm 4.24). Aqueles que confiam em Cristo recebem sua justiça perfeita, sendo vistos por Deus como justos e inocentes por causa da obediência de seu representante (Fp 3.9). Essa dupla imputação — nossos pecados sobre Cristo e a justiça de Cristo sobre nós — é uma parte central da doutrina da justificação, conforme ensinado na CFW: “Os que Deus chama eficazmente, também livremente justifica… não lhes imputando como justiça a própria fé, o ato de crer, ou qualquer outro ato de obediência evangélica, mas imputando-lhes a obediência e a satisfação de Cristo” (CFW XI.1).

Deus não revelou toda essa verdade ao seu povo de uma só vez. No Antigo Testamento, ele ordenou que seu povo oferecesse sacrifícios de animais para cobrir seus pecados, mas esses sacrifícios eram sombras do que estava por vir (Hb 10.1-4). A morte dos animais não removia os pecados de fato, mas apontava para o sacrifício perfeito de Cristo. Aqueles que, em fé, sacrificavam confiando na promessa de Deus, foram perdoados e declarados justos por causa da futura obra de Cristo (Hb 10.10-14). O Catecismo Maior de Westminster (CMW) ensina que “Cristo exerce as funções de sacerdote por ter oferecido a si mesmo uma vez em sacrifício, sem mácula, a Deus, para ser a reconciliação pelos pecados do seu povo, e fazendo contínua intercessão por ele” (CMW p. 44).

Hoje, não precisamos mais oferecer sacrifícios, pois Jesus cumpriu o plano de Deus. Ele é o verdadeiro sacrifício que os sacrifícios do Antigo Testamento prefiguravam. Deus não ignora nossos pecados, pois isso seria contrário à sua justiça (Sl 89.14). O pecado requer a morte como sua penalidade (Rm 6.23), e a única maneira justa de sermos perdoados é por meio do pagamento feito por um Redentor. Jesus é o único que poderia satisfazer plenamente essa exigência da lei (Hb 9.28).

Adão foi o primeiro representante da humanidade, trazendo o pecado e a condenação sobre todos (1Co 15.22). Jesus, o segundo Adão, trouxe perdão e vida eterna para o seu povo, ao pagar a penalidade pelos seus pecados (1Co 15.45). A CFW resume essa verdade ao dizer que “O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que, pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai” (CFW VIII.5).

Conclusão.

A obra de Cristo não foi apenas o cumprimento de um plano eterno, mas a manifestação da perfeita justiça e amor de Deus em favor de seu povo. Por meio da obediência ativa e passiva de Cristo, seus eleitos são justificados, tendo seus pecados perdoados e sua justiça garantida. A teologia reformada destaca essa gloriosa verdade: em Cristo, temos plena redenção, a imputação de nossos pecados a ele e a imputação de sua justiça a nós, assegurando nossa salvação eterna. Como afirmado na CFW, a obra de Cristo é perfeita e suficiente, e nela encontramos a certeza de que o plano de Deus para seu povo foi completado.

Perguntas para estudo.

1. Como o conceito de imputação é aplicado tanto aos pecados da humanidade quanto à justiça de Cristo, segundo as Escrituras e a Confissão de Fé de Westminster?

2. Qual é a relação entre os sacrifícios do Antigo Testamento e o sacrifício de Cristo, conforme ensinado em Hb 10.1-14 e no Catecismo Maior de Westminster?

3. De que forma Jesus é apresentado como o segundo Adão, e como sua obra contrasta com o pecado e a condenação trazidos por Adão?

4. De que maneira a justiça de Deus foi satisfeita plenamente pelo sacrifício de Cristo, conforme a teologia reformada e os textos bíblicos mencionados?

5. Como a doutrina da justificação pela fé, com base na obra de Cristo, é ensinada na Confissão de Fé de Westminster e fundamentada nas Escrituras?


Acompanhe as lições dessa série aqui.


Noções Básicas da Bíblia – Lição 5: Jesus completou o plano de Deus © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Site desenvolvido com WordPress.com.

Acima ↑