Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 22

Tempo de leitura: 6 minutos.

Pergunta 22: Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem?

Resposta: Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro corpo e uma alma racional,[1] sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, e nascendo dela,[2] mas sem pecado.[3]

PROVAS BÍBLICAS.

Provas 01:

  • João 1.14: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.
  • Hebreus 2.14: Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.
  • Mateus 26.38: Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.
  • Lucas 2.52: E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

Provas 02:

  • Lucas 1.31: Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.
  • Lucas 1.35: Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.
  • Gálatas 4.4: Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.

Prova 03:

  • Hebreus 4.15: Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

Comentário.

Na pergunta anterior, aprendemos que Cristo, sendo o Filho eterno de Deus, se fez homem para ser nosso representante. Agora, nesta pergunta, vemos como ele realizou isso. Cristo assumiu um corpo e uma alma humanos verdadeiros por sua própria vontade e obediência ao plano de redenção. O escritor de Hebreus descreve essa submissão voluntária quando afirma: “Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste… Eis que venho… para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb 10.5, 7). Além disso, Hb 2.16 enfatiza que “Pois é claro que não é a anjos que ele ajuda, mas aos descendentes de Abraão”, mostrando que Cristo compartilhou plenamente da nossa humanidade.

O fato de Cristo possuir um corpo genuíno é comprovado pelas Escrituras que relatam suas experiências humanas. Ele teve fome (Lc 4.2), sede (Jo 19.28), cansaço (Jo 4.6) e transpirou (Lc 22.44). Também, após sua ressurreição, ele demonstrou aos discípulos que ainda possuía carne, sangue e ossos, convidando-os a tocar suas feridas (Jo 19.34; Lc 24.39). Todos esses relatos afirmam sua plena humanidade física.

Além de um corpo humano, Cristo também tinha uma alma humana racional, refutando a ideia de que sua natureza divina substituía ou supria a alma humana. Em Mt 26.38, ele revela o estado de sua alma ao dizer: “Minha alma está profundamente triste até a morte”. Esse sofrimento da alma é mais evidente em momentos de grande angústia, como no Jardim do Getsêmani, e em suas lágrimas diante do túmulo de Lázaro (Jo 11.35). A emoção humana demonstrada por Cristo é uma prova de sua verdadeira alma humana, já que Deus, em sua essência, não possui paixões humanas (CFW 2.1, At 14.15). Assim, Cristo experimentou plenamente as emoções, dores e desafios da condição humana.

O nascimento de Cristo foi igualmente extraordinário. O Espírito Santo operou milagrosamente para que Maria, embora virgem, concebesse e desse à luz Jesus (Lc 1.34-35; Is 7.14; Mt 1.24-25). Isso garante que a culpa de Adão não foi imputada a Cristo, pois ele não era descendente legal de Adão. Em outras palavras, Jesus não foi concebido com a natureza pecaminosa herdada de Adão, evitando o Pecado Original (veja BCW 18; cf. Hb 4.15). Apesar de Maria ser uma descendente de Adão e, portanto, pecadora, a concepção virginal preservou Cristo de herdar qualquer corrupção de sua natureza.

Esse nascimento miraculoso também cumpriu a promessa do Messias que viria por meio da linhagem de Davi, conforme as profecias veterotestamentárias. Jesus nasceu da descendência de Davi, como anunciado pelos profetas, sendo o cumprimento das alianças de Deus com Israel. Ele é o cumprimento da esperança messiânica, pois sua natureza humana e divina o qualifica para ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5).

Esse arranjo divino era absolutamente necessário para que Cristo pudesse ser nosso substituto perfeito e expiação. Para ser nosso representante, ele precisava ser completamente humano, sujeito a todas as fraquezas e tentações que enfrentamos, mas sem pecado, tanto original quanto real. Sua impecabilidade é crucial porque, para ser o sacrifício aceitável diante de Deus, ele deveria ser um “como de cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pe 1.19).

Além disso, a natureza de Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus também é importante para o entendimento de sua obra redentora. Como homem, ele poderia sofrer e morrer em nosso lugar, experimentando a morte que todos merecemos devido ao pecado. No entanto, como Deus, ele poderia oferecer um sacrifício de valor infinito, capaz de satisfazer a justiça divina e redimir todos os eleitos. Apenas alguém que fosse tanto Deus quanto homem poderia reconciliar a humanidade com Deus, cumprindo perfeitamente a justiça divina e oferecendo redenção completa.

Portanto, a encarnação de Cristo é o fundamento da nossa salvação. Ele precisou ser um homem verdadeiro, para representar a humanidade, e sem pecado, para ser o sacrifício perfeito. A união das naturezas humana e divina em Cristo é o grande mistério da fé cristã, e é por meio dessa verdade que encontramos esperança e segurança em sua obra expiatória.

Em conclusão, o ensino bíblico acerca da encarnação de Cristo revela o cuidado e a perfeição do plano de redenção de Deus. Cristo, sendo plenamente humano, compartilhou de nossas fraquezas e dores, mas, sendo plenamente divino, pôde suportar a penalidade infinita do pecado e oferecer uma expiação eficaz. Assim, ele se torna o único mediador entre Deus e os homens, e seu sacrifício é suficiente para reconciliar o pecador com Deus.

Perguntas para estudo e reflexão.

1. De que maneira o escritor de Hebreus descreve a submissão voluntária de Cristo ao plano de redenção?

2. Como o texto demonstra que Cristo possuía um corpo e uma alma humanos verdadeiros? Quais evidências bíblicas são apresentadas?

3. Por que a concepção virginal de Jesus foi essencial para evitar que ele herdasse a natureza pecaminosa de Adão?

4. Como a união das naturezas humana e divina de Cristo é importante para sua obra redentora?

5. Por que a impecabilidade de Cristo é fundamental para sua função como sacrifício perfeito?

6. Como o fato de Cristo compartilhar plenamente da nossa humanidade impacta a maneira como entendemos seu papel como mediador entre Deus e os homens?

7. De que forma o nascimento milagroso de Cristo cumpre as promessas veterotestamentárias e reforça sua missão redentora?

8. Por que a encarnação de Cristo é considerada o fundamento da salvação e como essa verdade afeta nossa esperança e segurança em sua obra expiatória?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 22 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em Setembro de 2024. Publicado originalmente em 17 de Outubro de 2021].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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